A gestão financeira do mês tem vários despesas associadas. Umas mais pequenas, outras maiores. Umas mais essenciais, outras menos. Neste contexto, mecanismos como o débito direto tornaram muitos gastos quase invisíveis.
Como não temos de fazer nada para que eles sejam pagos, podem acabar por passar ao lado e até por serem esquecidos. Para quem não tem os avisos de débito direto ativados (na app do banco, por exemplo) isto torna-se ainda mais evidente.
No fim, acabamos por perder dinheiro sem dar por isso. Comissões de manutenção de conta, anuidades de cartões de débito e crédito, subscrições esquecidas, seguros não revistos, tarifários desadequados ou créditos com juros altos podem estar na origem de algumas destas fugas de dinheiro.
Sabe quanto paga em comissões bancárias?
Ter uma conta bancária pode representar uma despesa regular. Entre a comissão de manutenção de conta e a anuidade dos cartões, pode estar a pagar várias dezenas de euros por ano sem ter esse valor presente quando pensa nas despesas do mês.
Nas contas base (contas com características padronizadas definidas pelo Banco de Portugal), a comissão anual varia entre 56,16 euros e 124,80 euros, de acordo com o comparador de comissões do Banco de Portugal.
No caso dos cartões de débito, também há diferenças: a anuidade indicada no comparador pode ir dos zero aos 36,90 euros.
Isto não significa que pagar uma comissão seja necessariamente um desperdício. Pode preferir determinado banco pelo atendimento, pelos serviços que disponibiliza ou por outras características, e considerar que o custo compensa. O importante é saber quanto paga, perceber o que recebe em troca e incluir esse valor no orçamento familiar.
Por exemplo, se paga a anuidade de um cartão que praticamente não utiliza, esse é um custo que pode fazer sentido rever.
Compare e consulte o extrato
Todos os anos, os bancos têm de disponibilizar ao cliente um extrato de comissões com informação sobre os valores cobrados pelos serviços associados à conta no ano anterior.
Caso queira comparar, pode usar o comparador de comissões do Banco de Portugal que referimos acima. Aí, pode consultar os valores praticados por diferentes instituições para serviços como manutenção de conta, cartões de débito e de crédito ou transferências.
Leia ainda: Comissões bancárias: Como saber quanto estou a pagar?
Confirme as subscrições que já não utiliza
Streaming, ginásio, jornais, aplicações ou outros serviços pagos através de uma subscrição podem representar uma fatia relevante das despesas mensais. E como muitos destes pagamentos são automáticos, é fácil continuar a pagar por um serviço que já utiliza pouco ou que até deixou de utilizar.
No streaming, as mensalidades de algumas das plataformas com maior presença em Portugal variam entre os 4,99 euros e os 17,99 euros, dependendo do serviço e do plano escolhido. Já as subscrições anuais costumam resultar num preço mensal mais baixo.
De qualquer forma, se tiver várias subscrições em simultâneo, o valor total ao fim do mês pode tornar-se significativo.
O mesmo acontece com outras despesas. Uma mensalidade de ginásio de 40 euros, por exemplo, representa 480 euros ao fim de um ano. Tenha também atenção às subscrições de jornais e revistas digitais, aplicações ou armazenamento na cloud.
Se usa todos estes serviços com regularidade e os custos cabem no seu orçamento, vale a pena mantê-los. O problema é quando continua a pagar subscrições de algo de que não usufrui.
Tenha também atenção aos períodos experimentais gratuitos, uma vez que alguns serviços passam automaticamente a ser pagos depois de terminar o período promocional.
Uma revisão periódica dos débitos diretos e dos pagamentos recorrentes associados ao cartão pode ajudar a identificar estas despesas.
Leia ainda: Tem serviços streaming que não utiliza? Esteja atento à conta bancária
Reveja os seguros que contratou
Rever a carteira de seguros é outro comportamento recomendado para manter as finanças equilibradas. Mudanças na situação familiar, nos bens que possui ou na forma como os utiliza podem fazer com que as proteções contratadas deixem de se adaptar ao seu perfil.
Vejamos o caso do seguro de saúde e a forma como a percentagem de reembolso influencia o custo total. Para uma pessoa de 35 anos, um seguro que inclua consultas de especialidade, urgências, análises, exames, internamento e parto pode custar:
- 645 euros por ano se tiver 35% de reembolso;
- 830 euros por ano se tiver 50% de reembolso.
Assim, é importante fazer as contas e perceber se o uso que planeia fazer do seguro compensa o custo extra do seguro com 50%. Mas não só: importa também avaliar quais as coberturas que fazem sentido. Não existe uma resposta certa. Existe uma resposta que se adapta melhor a cada pessoa.
No seguro automóvel, a lógica é semelhante. Além da responsabilidade civil obrigatória, pode ter coberturas adicionais, como danos próprios, quebra isolada de vidros, assistência em viagem ou veículo de substituição.
O valor e a antiguidade do automóvel, a utilização que lhe dá e a sua capacidade para suportar uma eventual despesa são alguns dos fatores a ponderar quando decide o nível de proteção.
Por isso, reveja periodicamente os seguros que tem, as coberturas contratadas e aquilo que paga por elas.
Não se esqueça de rever os tarifários da eletricidade e telecomunicações
Estas são duas das despesas fixas mais importantes das famílias. E é por isso mesmo que não devem ser esquecidas. Mas a verdade é que muitas pessoas contratam um comercializador de eletricidade ou uma operadora de telecomunicações e nunca mais se lembram de confirmar se existem opções melhores.
Eletricidade
Além das tradicionais dicas de poupança de eletricidade, como não deixar luzes ligadas ou usar as máquinas de lavar apenas quando estão cheias, há outro comportamento que lhe pode poupar vários euros por ano: olhar para o contrato.
Mesmo sem mudar de fornecedor, há vários pontos que pode alterar para começar a poupar. Comecemos pela potência contratada. Esta componente tem um preço fixo diário, que é cobrado independentemente do consumo efetivo de energia.
Quanto maior for a potência contratada, maior é o número de equipamentos que pode ligar em simultâneo, e isso repercute-se no preço. Mas será que está a pagar pela potência certa?
Há várias formas de saber. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) tem um simulador que pode ajudar a escolher a potência a contratar.
Além disso, pode também decidir com base em dados reais. No balcão digital da E-REDES, pode aceder a um gráfico que lhe mostra os picos de consumo em cada mês. Com esses dados, já sabe qual o escalão de potência ideal para si (e pode ser mais baixo do que aquele que tem atualmente).
Outra possibilidade para poupar é ajustar o ciclo horário. As opções são várias: simples, bi-horária ou tri-horária. A escolha certa depende das rotinas de cada família, pelo que deve tomar decisões apenas com base nos seus padrões de consumo. E qual a melhor forma de ter essa informação? Olhar para a fatura, ver quanto consome em cada período e fazer simulações.
Por fim, não deixe de prestar atenção ao mercado e de confirmar regularmente qual o comercializador com o melhor tarifário.
Telecomunicações
As telecomunicações são outro serviço em que, sem se aperceberem, as pessoas podem acabar por pagar benefícios de que não usufruem. Apesar de a troca de operadora não ser tão fácil como na energia (é obrigatório haver pacotes sem fidelização, mas o custo de os contratar torna-os inacessíveis a muitas famílias), o final do período de fidelização é um bom momento para rever condições.
Além disso, avalie se aquilo que paga compensa aquilo que efetivamente consome. Se vê muitas séries e filmes em streaming, talvez possa optar por um pacote de canais mais modesto. Outra opção é olhar para os dados móveis: se usa wifi regularmente, pode fazer sentido abdicar dos dados móveis ilimitados.
Leia ainda: Como poupar quase 700 euros por ano em energia e telecomunicações
Tem créditos com juros altos? Avalie se pode amortizar
Quando pede dinheiro emprestado a uma instituição de crédito, não devolve apenas o montante que recebeu. Os juros e outros encargos aumentam o custo do financiamento e, quanto mais tempo mantiver a dívida, maior é o valor total suportado.
Antes, é importante saber quantos créditos está efetivamente a pagar. Entre créditos pessoais, cartões de créditos e outros tipos de financiamento, pode perder o rasto a quantas dívidas está a pagar por mês. Para saber, consulte o seu Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.
Depois de ter tudo organizado, é hora de atuar. Se tem algum dinheiro disponível, amortizar antecipadamente um crédito pode permitir reduzir o capital em dívida e os juros que ainda teria de pagar.
Esta possibilidade merece especial atenção nos créditos com taxas de juro mais elevadas, como o crédito pessoal e os cartões de crédito.
Mas não use automaticamente todas as poupanças para amortizar uma dívida. Antes de tomar essa decisão, faça as contas ao montante de juros que vai poupar, confirme se existe uma comissão de reembolso antecipado e considere a importância de manter dinheiro disponível para fazer face a imprevistos.
Se não for possível fazer uma amortização total, pagar antecipadamente uma parte da dívida já vai ajudar a reduzir o custo total e a dar uma folga maior ao orçamento mensal.
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