Crédito Habitação

Como escolher que casa comprar?

Como escolher que casa comprar é uma dor de cabeça para quem vai dar este passo pela primeira vez. Saiba o que deve avaliar neste processo.

Crédito Habitação

Como escolher que casa comprar?

Como escolher que casa comprar é uma dor de cabeça para quem vai dar este passo pela primeira vez. Saiba o que deve avaliar neste processo.

Um sonho. Uma necessidade. Um investimento. São vários os motivos que podem estar por detrás de querer comprar uma casa neste momento. Mas quando o tema é um investimento numa habitação - porque é sempre de um investimento que estamos a falar - a escolha do imóvel requer uma análise de diversos fatores.

Assim, é normal que neste atual mercado imobiliário se sinta um pouco confuso e tenha dúvidas de como escolher que casa comprar.

Na maioria dos casos, a escolha de uma casa é influenciada por fatores económicos. Logo, preparar-se financeiramente para dar este passo deve ser o ponto de partida. E isto não significa pagar uma casa a pronto. Mesmo recorrendo a um crédito habitação há muitos custos envolvidos além da prestação mensal a pagar.

Além disso, é preciso ter em consideração que o preço médio das casas em Portugal tem aumentado sucessivamente. Tendo em conta os dados da Alfredo, registou-se um aumento médio de 5,7% em 2021, colocando assim o valor médio em 2.024 euros por metro quadrado. Ou seja, se pensarmos numa casa de 100 metros quadrados, o preço de compra ronda em média os 202.400 euros. E perante esta realidade, pode ser necessário fazer ajustes financeiros para reunir as condições para alcançar este objetivo.

Dito isto, para perceber qual é a casa certa para si deve ponderar bem o peso financeiro deste investimento, mas não só. Se a casa for para habitação própria permanente, a sua vida será condicionada por esta decisão. E por isso, vamos mostrar-lhe alguns pontos que o vão ajudar a escolher que casa comprar.

Leia ainda: Qual o momento certo para comprar casa?

Antes de escolher que casa comprar defina as suas necessidades reais

Para quem sonha com a compra de uma casa há muitos anos, é normal que tenha criado expectativas elevadas em relação ao futuro imóvel. Afinal, pensar numa casa de sonho implica ter uma lista de requisitos em mente. E, numa fase inicial, poderá não estar disposto a abrir mão de muitos desses requisitos.

Mas, com o aumento dos preços das casas, existem pormenores que elevam drasticamente o valor do imóvel. E se já começou à procura de casas e não encontra imóveis dentro do seu orçamento, talvez esteja na hora de focar-se mais nas suas necessidades reais.

Ou seja, não precisa de desistir dos seus sonhos. É apenas aconselhável perceber o que é imprescindível numa habitação, o que realmente necessita, e o que pode ser um extra atrativo, mas dispensável.

Por exemplo, a sua família é composta por dois adultos e duas crianças. No entanto, na sua casa atual o espaço é apertado e gostava de comprar um T4. Será que precisa mesmo de um T4? É mais importante ter uma divisão extra do que procurar um T3 com áreas bem organizadas e amplas? Se estava a pensar criar um escritório nessa divisão extra, será que o quarto do casal, ou mesmo a sala, pode ser adaptado para cumprir essa necessidade?

É muito importante que se questione sobre as suas reais necessidades e que soluções existem para dar a volta a certos problemas. Há pessoas que sonham com uma casa com piscina. Mas será que vão usá-la regularmente? Já pensaram nos custos de manutenção? Estão conscientes do peso que esta tem no valor do imóvel e dos futuros impostos?

No fundo deve pensar bem sobre a utilidade real de certos requisitos, uma vez que estes podem condicionar, e muito, as suas opções.

Leia ainda: Qual o momento certo para comprar casa?

A importância da localização

A localização de um imóvel é um dos pontos mais importantes na hora de comprar casa. Se trabalha numa grande cidade e está habituado a viver num grande centro urbano, provavelmente a sua preferência inicial é manter-se nessa zona.

O problema é que nos grandes centros urbanos as habitações são mais caras e, por norma, as áreas são mais pequenas, se compararmos com os arredores ou zonas mais interiores. Assim, volta a ser necessário pesar na balança aquilo que realmente importa para si.

Claro que viver num grande certo urbano tem sempre custos elevados. No entanto, é normal que tenha mais comodidades nos serviços que o rodeiam e que até possa poupar algum dinheiro ao recorrer a transportes públicos, em vez de deslocações de automóvel. Além disso, se a escolha da casa que quer comprar se focar numa boa localização, o seu imóvel poderá valorizar, ainda mais, no futuro.

Mas se o seu orçamento é limitado e está com dificuldades em encontrar um imóvel com os seus requisitos mínimos num grande centro urbano, então talvez deva alargar a sua pesquisa a outras zonas. Embora os preços dos imóveis nos arredores estejam mais elevados, pode fazer uma pesquisa para perceber o preço médio das habitações até x quilómetros da sua zona de referência. 

Pese o tempo de deslocação, se é possível encontrar casas com áreas mais generosas e até remodeladas, se essa zona dispõe de comércio e serviços, entre outros fatores. Caso as atividades profissionais não requeiram uma ida diária ao local de trabalho, poderá equacionar um perímetro mais alargado na sua pesquisa.

Contudo, faça contas às despesas que poderá ter e analise se compensa essa mudança de área de residência.

Que serviços existem à volta da casa que quer comprar?

Como referimos, a localização da casa que quer comprar influencia a sua qualidade de vida e comodidade. Afinal, caso se mude para uma zona mais isolada, poderá não ter acesso a certos serviços e comércio essenciais para si.

Por exemplo, existem localizações que dispõem da maioria dos serviços essenciais para o seu dia a dia, sem que tenha de pegar no carro para deslocar-se. E aqui entram serviços como transportes, multibancos, farmácias, centro de saúde, clínicas médicas, hospitais, ginásios, cafés e restaurantes, supermercados e o próprio comércio local.

Além deste tipo de serviços e comércio a curta distância valorizarem um imóvel, vão facilitar a gestão das suas tarefas, obrigações e até momentos diários de lazer.

No entanto, há pessoas que preferem morar em zonas mais sossegadas e residenciais, onde apenas existem os serviços mínimos. Se este é o seu caso, avalie se a localização do imóvel não é demasiado isolada caso exista alguma urgência ou não possa deslocar-se de carro. Conhecer bem a zona onde se encontra a casa que vai comprar é um passo fundamental antes de fechar um contrato de promessa de compra e venda.

Tem filhos ou pensa ter? Tenha alguns fatores em consideração

Para quem tem filhos ou está a ponderar ter, há mais fatores a ter em consideração. Em primeiro lugar, é preciso pensar que os estabelecimentos de ensino nessa área de residência são um ponto muito importante de analisar.

Embora nas creches e jardins de infância privados não existam tantos condicionamentos, há IPSS com uma lista de espera muito longa. E dependendo do regulamento de cada uma, pode existir a preferência por alunos com irmãos a estudar no estabelecimento ou que residam nessa área.

E quando existem filhos a estudar no ensino básico e secundário, a área de residência é um dos principais critérios de prioridade de seriação no ensino público. Ou seja, atualmente não é fácil conseguir vaga para o seu filho numa escola pública fora da sua zona de residência.

E por isso, para os pais, a localização de uma casa é ainda mais importante, uma vez que poderá ter impacto na educação dos seus filhos. Assim, se estiver indeciso entre duas zonas, pode procurar informações sobre os agrupamentos escolares, as condições das escolas e comparar as opções.

No entanto, lembre-se que além das escolas, pode existir a necessidade de encontrar atividades extracurriculares e até o melhor centro de estudos para as necessidades do seu filho perto da sua futura casa.

Avalie o custo de vida

Não é só em comparação com outros países que o custo de vida se altera. Dentro de Portugal, o custo de vida não é igual em todas as zonas do país. Se tivermos em conta que a média do custo de vida nas grandes cidades, como Lisboa e Porto, é mais elevada, poderá equacionar se vale a pena optar por comprar casa numa zona onde o custo de vida seja mais baixo.

Claro que Portugal, sendo um país pequeno, a diferença do custo de vida é sempre mais evidente se compararmos os grandes centros urbanos com zonas interiores ou com uma menor densidade populacional. Nas zonas interiores e com um menor número de habitantes, as rendas e custo dos imóveis são, regra geral, mais baixos. Além disso, há serviços mais acessíveis e alguns produtos que podem fazer a diferença a longo prazo.

No entanto, mais uma vez, é preciso analisar os prós e contras deste tipo de decisão. Embora o trabalho remoto seja uma prática mais comum nos dias que correm, em algumas zonas onde o custo de vida é mais baixo, pode ser complicado exercer a sua profissão. Também é importante informar-se sobre os serviços essenciais nessas zonas, pois o acesso pode ser mais limitado.

Leia ainda: Qual o prazo máximo do crédito habitação?

Antes de escolher que casa comprar perceba todos os seus custos

Perceber se consegue suportar os custos de comprar um imóvel também é essencial no processo de escolha. E por isso, comece por perceber se a prestação de um crédito habitação não irá colocar em risco as suas finanças pessoais. Para tal, faça contas à sua taxa de esforço. O cálculo é simples: deve dividir os seus encargos com créditos pelo o total dos seus rendimentos e multiplicar esse valor por 100%.

Exemplo: Imagine que o total de rendimentos do seu agregado familiar são 2.000 euros mensais. Já as suas prestações com créditos (incluindo o novo crédito habitação) são 600 euros. O apuramento da sua taxa de esforço será (600/2.000) x 100%. Esta fórmula revela que a sua taxa de esforço é de 30%. E estes 30% são o limite aconselhável para a concessão de um novo crédito habitação. No caso dos rendimento serem de 2.000 euros, o limite máximo da prestação de crédito é de 600 euros.

No entanto, não se esqueça que existem inúmeros encargos que terá que suportar com a compra da sua casa. Desde o valor de 10% a 20% da entrada, aos encargos com o crédito habitação, aos impostos como o Imposto Municipal sobre Transacções onerosas de imóveis (IMT) e Imposto do Selo, seguros e despesas processuais.

Por fim, não se esqueça de fazer contas aos encargos futuros, como o IMI, condomínio e despesas de manutenção. Lembre-se que esta decisão deve ser feita após uma análise minuciosa e um período de reflexão. Afinal, poderá ter de pagar este investimento em uma, duas ou três décadas. E por isso, pese bem todos os prós e contras, mesmo que tencione vender o seu imóvel daqui a uns anos.

Leia ainda: Comprar casa: custos, documentos e impostos com que deve contar

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