A marcação de férias traz uma dúvida: esperar pelo subsídio de férias para pagar tudo a pronto ou marcar já e recorrer a crédito pessoal para férias. A resposta depende do seu orçamento, do custo da viagem e do preço do dinheiro em cada alternativa.
O cenário ideal é a constituição de uma poupança a médio prazo que permita a aquisição das viagens atempadamente, com preços mais baixos, e sem pagar os juros e comissões associados a um crédito. Mas, se isso não for possível, o que é preferível: marcar já a viagem ou recorrer a crédito pessoal?
O primeiro ponto a considerar é a evolução dos preços das passagens de avião. As contas feitas pelo Doutor Finanças, tendo por base as percentagens de crescimento de preços das passagens agregadas pela plataforma Hopper, revelam que os preços das viagens podem crescer entre 5% a 10% por mês à medida que a data de partida se aproxima.
E o relógio corre mais rápido à medida que o tempo passa. Em média, o preço de uma passagem de avião pode subir entre 20% a 30% nos dois meses antes do voo. A tendência de aumento é mais acentuada nas últimas semanas antes do voo, especialmente se for durante uma temporada de elevada procura (como as férias ou os feriados).
O que considerar antes de marcar férias sem subsídio
Diferença entre receber o subsídio e adiantar o pagamento
Como referimos, o ideal será poupar e pagar antecipadamente a sua passagem. No entanto, caso não o tenha conseguido fazer, restam duas hipóteses:
- Contrair um crédito e marcar a viagem o mais cedo possível, amortizando o valor no momento em que receber o subsídio de férias;
- Ou esperar pelo subsídio para pagar a passagem sem pagar juros.
O ponto-chave é perceber se o benefício de garantir agora preço/condições compensa o custo de antecipar o pagamento.
Custos associados a esperar vs. pagar com crédito
Veja este exemplo: Quer viajar em casal para o Japão em agosto e, em finais de março, a passagem custa 2.500 euros. Se aplicar uma taxa média de crescimento de 7% nos primeiros meses e de 25% nos dois meses anteriores à data de partida, a fatura a pagar, caso decida só comprar a passagem após receber o subsídio, será de mais de 4 mil euros. Ou seja, esperar em vez de poupar, significa pagar quase o dobro pelo mesmo bem.
Se tiver de contratar um crédito, vai, naturalmente, gastar mais do que se pagar a viagem à cabeça. Ainda assim, as simulações realizadas pelo Doutor Finanças tendo por base os preços de mercado apontam para uma vantagem do crédito em relação à opção de esperar pelo subsídio de férias. Por outro lado, se contrair um crédito pessoal a 12 meses, o custo total, contando já com juros de 11% (Taxa Anual Nominal Bruta), será de 2.651,45 euros, distribuídos por prestações mensais de 220,95 euros.
Tem ainda a hipótese de amortizar o crédito quando receber o subsídio de férias, o que irá implicar não só o reembolso do capital em dívida, como o pagamento de uma comissão que não pode exceder:
- 0,25% do valor do capital amortizado, caso o período que resta entre a data de amortização e a data fixada do fim do contrato seja igual ou inferior a um ano;
- Ou 0,5% do montante amortizado: se este período for superior a um ano.
Para esta simulação com crédito pessoal, vamos aplicar uma taxa máxima de 0,25% – ainda que este seja apenas um teto – o que implica um custo total de 2.610,35 euros. Ou seja, se optasse por esta hipótese, pouparia cerca de 40 euros em relação a um crédito pago na totalidade em prestações. E pouparia milhares de euros face à opção de esperar pelo subsídio de férias para comprar a passagem.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.
