Os depósitos a prazo são uma ferramenta de poupança que permitem preservar o valor do dinheiro durante um período de tempo. Além disso, poderá permitir-lhe a mobilização antecipada, total ou parcial, em situações específicas de emergência. Na Dica do Doutor de hoje sugerimos quando deve fazer um depósito a prazo.

O depósito a prazo ajuda-nos a aumentar as nossas poupanças e é também uma forma ajustada de não gastar o dinheiro que temos disponível e que eventualmente iremos precisar num futuro muito próximo. 

Muitas famílias portuguesas vêm os depósitos a prazo como uma ferramenta de dupla função, poupança e de investimento. Contudo, nos últimos anos, os valores das taxas de juros para depósitos a prazos têm vindo a descer, estando quase todas as ofertas dos Bancos abaixo do 1%. Com este nível de rentabilidade deixaram de ser interessantes para o montante das nossas poupanças que temos para investir, uma vez que o retorno é reduzido.   

Assim quando fazemos um depósito a prazo, estamos a agir na ótica de preservar património e não tanto de o rentabilizar.

Se não o considerarmos como investimento, reflicta sobre o valor do dinheiro no final do período do depósito a prazo. 

A valorização do capital num depósito a prazo apenas poderá fazer sentido quando comparado com a nossa capacidade de consumo – isto é – a taxa de inflação. 

A taxa de inflação indica-nos um aumento a nível geral de preços de bens e de serviços. Quando a inflação é positiva, há um aumento dos preços e o valor do dinheiro diminui, ou seja, com um determinado montante vai comprar menos bens e/ou serviço do que antes.  

As indicações da PORDATA dizem-nos que a inflação em 2016 foi de 0,6% e em 2017 de 1,4%. Comparando com a generalidade das taxas de juro dos depósitos a prazo, verificamos que estamos a optar por um investimento com retorno menor que a taxa de inflação e consequentemente, com perda de poder de compra. 

Existem algumas ofertas de depósitos a prazo com taxas de juro próximas de 2,25% mas a maior parte da oferta situam abaixo dos 1%.  

Assim, ao investir 5000€, a uma taxa de 1% a 360 dias, irá receber 50€. Irá ainda abater no valor a retenção para IRS.

Contudo, os mesmos 5000€ sofreram uma taxa de inflação de 1.4%. Assim, caso tivesse um cabaz no valor de 5000€ necessitaria de mais 70€ para poder comprar o mesmo cabaz em 2017. Assim, o seu depósito a prazo rende 50€ mas para manter o seu poder de compra, necessitaria de mais 20€ sobre este valor. Notamos assim que podemos até estar aumentar as nossas poupanças mas como estas não estão acompanhar o valor da inflação, perdemos poder de compra. 

«Como posso garantir a máxima rentabilidade do meu depósito a prazo?» 

Quando estiver a pensar investir alguma das suas poupanças num depósito a prazo, deverá ter em conta alguns fatores, como montante, risco, taxas de juro e outros, que poderá consultar neste artigo. 

A melhor forma de rentabilizar o seu depósito a prazo é escolher prazos mais curtos (de 30 a 90 dias) e com possibilidade de mobilizar o seu dinheiro. Perceba que como tem a garantia adicional do Fundo de Garantia de Depósito, faz sentido que procure os depósitos a prazo com taxas de juro acima da inflação para não perder poder de compra.  

Assim, consegue ter alguma valorização do dinheiro enquanto não o utiliza num curto espaço de tempo. Se a taxa de juro for baixa e o período de capitalização for superior, arrisca-se a perder o fator de rentabilidade. 

Muitos portugueses cometem o erro de aplicar sucessivamente em depósitos a prazo de curta duração e renovam sucessivamente, como verificámos atrás, se não vai precisar do dinheiro, deverá optar por outros instrumentos financeiros onde poderá ter uma rentabilidade superior. 

Os depósitos a prazo são um bom instrumento financeiros, dos mais seguros, dos mais flexíveis mas use-os na proporção certa.