contador de eletricidade

Saber que se tem uma potência contratada abaixo da ideal é relativamente intuitivo. Se o quadro for abaixo frequentemente, significa que a potência usada em simultâneo excede várias vezes o limite contratado.

Mais difícil pode ser detetar que tem uma potência contratada acima daquela de que realmente precisa. Quando o quadro nunca tem interrupções, muitas pessoas ficam sem saber se estão dentro do intervalo de potência certo ou se têm uma margem grande que não está a ser utilizada (mas que está a ser cobrada pelo comercializador).

Por exemplo, se o pico de potência for de 4,8 kVA, o quadro vai aguentar quer tenha uma potência instalada de 5,75 kVA quer tenha de 6,9 kVA ou de 10,35 kVA. No entanto, estas duas últimas estão bem acima daquilo de que realmente precisa, e vai pagar por isso na fatura sem necessidade.

Escolha a potência contratada com base em dados reais

É natural que o momento de maior dúvida sobre qual a potência a contratar surja quando se muda de casa pela primeira vez. Afinal, a falta de experiência faz com que seja difícil avaliar qual a escolha que faz mais sentido.

Esta questão pode também aparecer quando se muda para uma casa com características bem diferentes da anterior, com alterações importantes nos equipamentos elétricos (como a passagem de esquentador para termoacumulador ou o contrário).

Assim, é até normal que a primeira escolha seja algo conservadora, optando por uma potência contratada de maior capacidade para evitar que o quadro dispare.

Apesar de a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) ter um simulador que pode ajudar a fazer as contas, nem sempre conseguimos antever quais são os equipamentos que vamos realmente usar ao mesmo tempo.

No entanto, ao fim de alguns meses, já é possível tomar decisões mais informadas, com base em dados reais. Pelo menos quando se tem um contador inteligente. Basta aceder ao site da E-REDES para encontrar a resposta.

Leia ainda: Fatura da eletricidade: Como ler e identificar os custos

Bastam cinco cliques para saber tudo

Sabe qual foi o pico de potência que teve no mês passado? E nos outros antes? Saber estes números é o primeiro passo para saber se tem a potência contratada certa ou se tem margem para descer e poupar alguns euros por mês.

Deve começar por aceder ao balcão digital do site da E-REDES e, se ainda não tem conta, criar uma. Deve usar o mesmo NIF que tem associado ao contrato que assinou com o fornecedor de eletricidade. O sistema fará a sincronização e terá acesso imediato à sua área pessoal.

A partir daqui, é tudo muito rápido. Em apenas cinco cliques, vai ter acesso ao histórico dos picos de potência que atingiu desde que tem eletricidade em casa (ou desde que instalou um contador inteligente, se posterior), mesmo que pelo meio tenha havido trocas de comercializador.

Só tem de clicar nas seguintes opções:

  1. Os meus locais
  2. Produção, consumos e potências;
  3. Consultar histórico;
  4. Escolher o local que quer consultar (se só tem contrato numa casa, só vai aparecer um local);
  5. Potência máxima tomada mensal.

A partir daqui, tem acesso a um gráfico que lhe mostra a potência contratada e os picos de potência que atingiu em cada mês. Atenção que não falamos de picos de consumo.

O que este gráfico mostra é qual o valor máximo que a soma dos aparelhos ligados em simultâneo atingiu naquele mês. Não quer dizer que tenha sido o mês em que consumiu mais, mas sim aquele em que, num dado momento (mesmo que poucos segundos) usou mais energia ao mesmo tempo.

Por defeito, o gráfico mostra os últimos seis meses concluídos, mas pode também ver o mês atual (com o registo até ao momento) e meses anteriores. Com estes dados, tem aquilo de que precisa para analisar e decidir.

Como decidir se devo mexer na potência contratada?

Cada pessoa terá os seus critérios de análise, mas uma boa prática será não olhar apenas para o mês anterior. Quanto mais meses analisar, mais robusta é a informação.

Vamos considerar uma casa com uma potência contratada de 5,75 kVA que num período de nove meses registou picos de potência de:

  • Mês 1: 4,15 kVA
  • Mês 2: 6,75 kVA
  • Mês 3: 4,83 kVA
  • Mês 4: 5,23 kVA
  • Mês 5: 5,14 kVA
  • Mês 6: 4,20 kVA
  • Mês 7: 3,75 kVA
  • Mês 8: 4,95 kVA
  • Mês 9: 4,78 kVA

Pela análise, vemos que apenas no mês dois o pico de potência excedeu a potência contratada. Como aconteceu apenas uma vez, podemos atribuir a uma situação de uso simultâneo de equipamentos que não costuma ser habitual.

Para analisar os outros oito meses temos de considerar que a potência contratada que vem logo abaixo da de 5,75 kVA é a de 4,6 kVA.

Neste caso, em apenas três meses o pico de potência ficou abaixo desses 4,6 kVA. Nos outros cinco ficou no intervalo entre 4,6 kVA e 5,75 kVA, pelo que parece justificar-se a manutenção da potência instalada nos 5,75 kVA.

Se, por exemplo, a potência contratada até então fosse 6,9 kVA, justificava-se reduzir para 5,75 kVA.

Esta análise é também útil para quando é preciso aumentar a potência. Se o quadro vai abaixo todos os meses, é sinal de que pode precisar de subir a potência. Ao olhar para o gráfico, pode perceber quais os valores mais habituais que costumam fazer o quadro disparar e escolher o escalão de potência imediatamente superior.

Como mudar a potência contratada?

Mudar a potência contratada é fácil e pode fazê-lo as vezes que quiser. Basta contactar o seu comercializador a informar que quer fazê-lo e indicar o escalão pretendido.

Se tiver um contador inteligente, a mudança é feita remotamente. Caso contrário, o comercializador envia um técnico da rede de distribuição, que terá de ter acesso ao quadro elétrico.

Um casal com consumos de 190 kWh por mês e potência contratada de 5,75 kVA pode poupar 100 euros por ano se baixar para 3,45 kVA, até porque a componente da tarifa de acesso às redes incluída no preço da potência tem IVA de apenas 6% (5% na Madeira e 4% nos Açores) para potências até 3,45 kVA.

Leia ainda: IVA da eletricidade: Quando é 6% e quando é 23%?

Perguntas frequentes

É o valor máximo de eletricidade que pode ser utilizada ao mesmo tempo numa habitação.

Não há limite.

O disjuntor pode disparar, causando cortes de energia sempre que vários equipamentos são usados em simultâneo.

Depende do número de equipamentos, do uso simultâneo e dos hábitos diários. Não existe um valor universal. Pode utilizar o simulador da ERSE para calcular a potência recomendada no seu caso com base nos eletrodomésticos que utiliza.

Depois de alguns meses, pode aceder ao histórico no balcão digital do site da E-REDES, analisar os picos de potência e tomar uma decisão com base em dados concretos.

Sim, pode. Mas como o desconto da tarifa social só se aplica a consumidores com potências contratadas até 6,9 kVA (para além dos restantes critérios de elegibilidade), se solicitar uma potência contratada superior perde o benefício da tarifa social.

Nem sempre. Compensa quando existe excesso, mas reduzir demasiado pode trazer mais incómodos do que poupança.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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