podcast no final de contas com Pedro Amaral Jorge e Sara Fernandes sobre crise energética, eletricidade e renováveis

No episódio “Crise energética: O que está em causa e como se explicam os preços”, gravado em maio, Pedro Amaral Jorge, presidente da OMIP e OMIE, os operadores do Mercado Ibérico da Eletricidade, ajuda-nos a perceber o que está por trás da chamada crise energética.  

Na conversa, debate-se o impacto das energias renováveis, os fatores que determinam o preço da eletricidade e porque é que, por vezes, há preços negativos sem que isso se reflita nas contas das famílias.  

Como se forma o preço da eletricidade? 

Como explica Pedro Amaral Jorge, uma crise energética surge quando existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura que leva ao aumento dos preços. No entanto, o preço da eletricidade não acompanha necessariamente a evolução dos combustíveis fósseis. Em Portugal e Espanha, o crescimento das energias renováveis tem contribuído para reduzir a dependência do gás natural na formação do preço da eletricidade. 

“Estamos a desacoplar a formação do preço eletricidade do preço do gás natural”, explica o convidado. Quando as energias renováveis conseguem assegurar uma parte significativa do consumo, o gás natural deixa de ter o mesmo peso na definição do preço. 

O convidado lembra ainda que existe uma ideia errada de que as energias renováveis são necessariamente mais caras ou menos fiáveis. “O sistema elétrico já incorporou mais de 80% de renováveis”, afirma. Pedro Amaral Jorge acrescenta ainda que já houve momentos em que foi possível atingir 100% de eletricidade proveniente destas fontes. 

Outro dos temas abordados são os preços negativos. Estes podem acontecer quando existe muita eletricidade disponível e algumas centrais têm interesse em continuar a produzir, sendo necessário incentivar o consumo. “O preço da componente de energia de eletricidade muda de agora para daqui a 15 minutos”, explica Pedro Amaral Jorge, numa referência à forma como funciona o mercado elétrico. 

Mas um preço negativo no mercado não significa que a fatura das famílias passe a ser negativa. “A componente de energia pode chegar a zero ou pode chegar a ser negativa”, mas a tarifa final inclui também custos de redes, comercialização e política energética. Ou seja, o valor que aparece na fatura não depende apenas do preço da eletricidade no mercado grossista. 

O futuro do sistema elétrico passa, segundo o responsável dos operadores do Mercado Ibérico da Eletricidade, por uma maior eletrificação, pelo crescimento das energias renováveis e por mecanismos que permitam reduzir a volatilidade dos preços. “A eletrificação dos consumos é uma forma que a Europa tem de conseguir controlar os seus custos de produção”, defende.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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