Em Portugal, pessoas do sexo feminino, com baixos rendimentos e escolaridade têm menor bem-estar financeiro e, consequentemente, pior nível de bem-estar geral, revela o estudo “Bem-estar financeiro em Portugal: Uma perspetiva comportamental”, desenvolvido pelo Doutor Finanças em parceria com a Laicos – Behavioural Change, num projeto que contou com a chancela científica da NOVA IMS e da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FPUL).
“É mais provável que pessoas nestas categorias apresentem um bem-estar financeiro subjetivo baixo, baixos níveis de conhecimento financeiro e mais ansiedade financeira”, conclui a investigação, que procurou compreender o estado atual do bem-estar financeiro dos portugueses, analisando atitudes, comportamentos e conhecimento neste domínio de uma amostra demograficamente representativa da população portuguesa.
Os resultados apontam para um cenário pouco encorajador, em que grande parte da população portuguesa enfrenta desafios consideráveis em relação às suas finanças pessoais. Senão vejamos: menos de um terço dos portugueses considera que está no caminho certo para atingir os seus objetivos financeiros, um em cada quatro tem dificuldade em pagar as contas e quase metade experiencia stress todos os dias devido à sua condição financeira.
Paralelamente, os portugueses apresentam um nível de literacia financeira muito baixo, inferior ao de congéneres europeus há mais de uma década.
Conhecimento financeiro: Portugal muito atrás da Alemanha de 2009
À semelhança de outros estudos que colocam Portugal na cauda da Europa no que respeita à literacia financeira, a pesquisa promovida pelo Doutor Finanças mostra que o país está muito atrás do nível de Alemanha de há 15 anos e com um atraso de uma década face à Finlândia.
“Mais do que posicionarmo-nos numa hierarquia de conhecimento financeiro, conseguimos ver que o conhecimento atual dos portugueses está em níveis que outros países desenvolvidos tinham há mais de uma década. Estes números contribuem, no mínimo, para um cenário ainda menos encorajador – e reiteram a necessidade de planos de ação eficazes”, referem os autores.
Para avaliar o conhecimento financeiro dos portugueses, o estudo, feito com base em inquéritos a 800 residentes em Portugal, entre os 18 e os 75 anos, colocou três questões aos participantes, sobre taxas de juro, inflação e risco/diversificação. Apenas 36% respondeu acertadamente às três perguntas, o que significa que mais de 6 em cada 10 portugueses tem um conhecimento financeiro insuficiente.
A menor taxa de acerto foi nos conceitos de risco/diversificação, em que apenas 47% dos participantes respondeu acertadamente, 15% erradamente e 38% referiu não saber a resposta.

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