Moedas de 1 e 2 euros e notas de 5, 20 e 50 euros, espalhadas em cima de uma mesa

O Governo aprovou uma nova redução das taxas de IRS, que abrange os primeiros seis escalões de rendimento e deverá beneficiar cerca de 2,9 milhões de agregados familiares.

A descida de IRS foi aprovada em Conselho de Ministros e aplica-se aos rendimentos de 2026 e será sentida em novembro e no subsídio de Natal.

O que muda nas taxas de IRS?

A alteração aprovada traduz-se numa descida das taxas normais dos seis primeiros escalões de rendimento:

  • 1.º escalão (até 8.342€/ano): redução de 0,3 pontos percentuais;
  • 2.º ao 5.º escalão (mais de 8.342€/anos até 29.397€/ano): redução de 0,5 pontos percentuais;
  • 6.º escalão (mais de 29.397€/ano até 43.090€/ano): redução de 0,3 pontos percentuais;
  • 7.º ao 9.º escalões (superior a 43.090€/ano): sem alterações nas taxas.

Embora os três últimos escalões mantenham as mesmas taxas, o facto de o IRS ser um imposto progressivo significa que os contribuintes com rendimentos mais elevados também beneficiam da diminuição das taxas aplicadas às primeiras parcelas do rendimento.

Quanto poupa um trabalhador solteiro?

Nas simulações divulgadas pelo Governo para um trabalhador dependente, solteiro e sem dependentes, a nova descida das taxas traduz-se numa poupança anual que aumenta à medida que cresce o rendimento, uma vez que a tributação também aumenta.

Os exemplos apresentados mostram que:

  • Um salário bruto de 1.000 euros mensais gera uma poupança de 12,10 euros por ano;
  • Um rendimento de 1.500 euros permite poupar 65,32 euros;
  • Quem ganha 2.000 euros brutos mensais poupa 100,44 euros;
  • Com um salário de 2.500 euros, a poupança sobe para 133,28 euros;
  • Com 3.500 euros mensais, o ganho é de 171,50 euros anuais.

O Governo destaca, por exemplo, o caso de um trabalhador solteiro sem dependentes com um rendimento bruto mensal de 1.500 euros: com esta redução poupa mais 65,32 euros em 2026.

E os pensionistas?

As simulações para pensionistas apresentam resultados semelhantes. Um pensionista solteiro, sem dependentes, com uma pensão bruta mensal de 1.000 euros beneficia de uma poupança de 12,10 euros em 2026.

Paralelamente à redução do IRS, o Governo anunciou ainda um suplemento extraordinário para pensionistas. Neste caso, os reformados que receberem uma pensão até 1.611,39 euros vão receber um apoio extraordinário em dezembro no valor entre 100 euros (para rendimentos a partir de 1.074,26 euros) e 200 euros (para reformas até 537,13 euros).  

O impacto nas famílias com filhos

O Governo divulgou igualmente simulações para agregados familiares com dois titulares e dois dependentes.

Num dos exemplos apresentados, um casal em que um dos membros ganha 2.500 euros brutos por mês e o outro 1.500 euros beneficia de uma poupança de 200,88 euros em 2026.

Precisa de folga para pagar o acerto de IRS
Consolide os seus créditos e poupe dezenas ou mesmo centenas de euros.

Quando se vai sentir esta descida de IRS?

Apesar de a medida produzir efeitos sobre os rendimentos de todo o ano de 2026, as famílias só sentirão o seu impacto quando entrarem em vigor as novas tabelas de retenção na fonte, previsivelmente em novembro. À semelhança do que aconteceu em 2025, o acerto terá efeitos retroativos a janeiro, permitindo compensar o imposto retido a mais ao longo do ano. Isto poderá traduzir-se num aumento temporariamente mais significativo do rendimento líquido no final do ano, antes de a retenção regressar aos valores normais.

A aprovação da redução das taxas é apenas uma parte do processo. Para perceber qual será o impacto mensal no salário líquido ou na pensão, será necessário aguardar pela publicação das novas tabelas de retenção na fonte.

Só depois de conhecidas essas tabelas será possível calcular com rigor o impacto mensal para cada contribuinte, uma vez que o efeito varia consoante fatores como o rendimento, o estado civil, o número de dependentes e a local de residência (Continente ou Regiões Autónomas).

Por isso, apesar de já ser conhecido o desenho geral da medida e as simulações apresentadas pelo Governo, os portugueses terão de aguardar mais alguns dias pela publicação das novas tabelas para perceberem qual será o verdadeiro impacto na sua carteira.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

Carreira e RendimentosImpostosIRSRendimentos