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Construir uma carteira de investimentos implica perceber a função que cada classe de ativos pode cumprir. Ações, obrigações e ativos alternativos apresentam diferentes perfis de risco, potencial de retorno e liquidez. Por isso, a sua combinação deve depender dos objetivos, do horizonte temporal e do perfil de risco de cada investidor.

Importa salientar que não existe uma alocação adequada a todos, nem o desempenho passado de uma classe de ativos garante resultados futuros, podendo cada uma apresentar comportamentos distintos ao longo do tempo.

Perceba que papel podem assumir ações, obrigações e ativos alternativos numa carteira, que riscos apresentam e o que deve ser considerado na definição do peso de cada um.

Que papel desempenha cada classe de ativos numa carteira?

A distribuição dos investimentos por diferentes classes de ativos é conhecida como alocação de ativos. Na prática, significa definir que percentagem da carteira fica exposta a ações, obrigações, ativos alternativos ou outras classes de investimento.

Cada classe tende a expor o investidor a fontes de risco e a um nível de retorno potencial diferentes. As ações, por exemplo, permitem beneficiar do crescimento das empresas, mas estão sujeitas a oscilações significativas de preço. As obrigações, por seu lado, podem gerar rendimento através de juros e, em determinados contextos, apresentar menor volatilidade do que as ações, sem deixarem de ter risco. Já os ativos alternativos abrangem investimentos muito distintos, que podem acrescentar outras fontes de retorno, mas também maior complexidade ou menor liquidez.

É precisamente esta combinação de características que pode contribuir para a diversificação da carteira de investimentos, influenciando o seu comportamento global.

Ações: Crescimento com maior exposição à volatilidade

Comprar uma ação significa adquirir uma participação no capital de uma empresa. O investidor passa, assim, a estar exposto à evolução do negócio e à forma como o mercado avalia essa empresa.

As ações são frequentemente utilizadas em estratégias que visam a valorização do capital ao longo do tempo. Esse potencial vem acompanhado de maior incerteza: o preço pode variar de forma significativa e não existe garantia de recuperação do montante investido.

De onde pode vir o retorno das ações?

O retorno pode resultar de duas componentes principais. A primeira é a valorização da ação: se o preço de venda for superior ao preço de compra, o investidor obtém uma mais-valia. A segunda são os dividendos, quando a empresa decide distribuir parte dos lucros pelos acionistas.

Nenhuma destas componentes é garantida. A cotação pode cair e os dividendos podem ser reduzidos, suspensos ou não existir.

Numa carteira, a exposição a ações pode também ser diversificada entre empresas, setores, geografias e moedas. Esta distribuição ajuda a reduzir a dependência de uma única empresa ou área da economia, embora não elimine o risco de perdas generalizadas nos mercados.

Que riscos devem ser considerados?

O risco mais visível é a volatilidade. As ações podem sofrer quedas significativas de valor em períodos de maior incerteza económica ou financeira.

Há ainda riscos próprios da empresa, como uma deterioração dos resultados ou problemas de gestão, e riscos setoriais, quando um choque afeta várias empresas da mesma atividade. Investir em mercados estrangeiros pode acrescentar exposição a fatores políticos, económicos e cambiais.

Por isso, o horizonte temporal e a capacidade para tolerar oscilações assumem particular importância quando as ações têm um peso relevante na carteira.

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Obrigações: Rendimento e gestão do risco

As obrigações são instrumentos de dívida. Ao comprá-las, o investidor empresta dinheiro a um Estado, empresa ou outra entidade emitente, que assume o compromisso de pagar a remuneração prevista e reembolsar o capital nas condições definidas.

Podem contribuir para gerar rendimento e, dependendo do tipo de obrigação e do contexto de mercado, apresentar oscilações inferiores às ações. Mas associar obrigações a estabilidade ou segurança de forma automática é um erro: também podem perder valor e o reembolso depende da capacidade de pagamento do emitente.

Como funcionam as obrigações numa carteira?

Nas obrigações de taxa fixa, o investidor conhece à partida o cupão previsto e a data de maturidade. Se vender o título antes dessa data, o preço dependerá das condições de mercado nesse momento e pode ser superior ou inferior ao valor investido.

Mesmo quando a obrigação é mantida até à maturidade, permanece o risco de incumprimento. Se o emitente deixar de conseguir pagar juros ou reembolsar o capital, o investidor pode sofrer perdas.

Esta diferença é essencial para perceber por que razão duas obrigações podem ter perfis muito distintos. Um emitente com menor qualidade de crédito tende a ter de oferecer uma remuneração mais elevada para compensar o investidor pelo risco adicional.

Taxas de juro, duração e risco de crédito

As taxas de juro têm um efeito direto no preço das obrigações de taxa fixa. Quando as taxas de mercado sobem, as obrigações já existentes, com cupões mais baixos, tendem a perder valor. Quando descem, pode acontecer o movimento contrário.

A duração ajuda a perceber a sensibilidade de uma obrigação ou carteira de obrigações às variações das taxas. Quanto maior for essa sensibilidade, maior pode ser o impacto de uma alteração das taxas no preço.

Há ainda o risco de crédito, associado à capacidade do emitente para cumprir os pagamentos, e o risco de liquidez. Uma obrigação com pouca negociação pode ser difícil de vender rapidamente sem aceitar um preço mais baixo.

Por isso, analisar uma obrigação implica olhar para mais do que a taxa de juro anunciada: prazo, emitente, qualidade de crédito, liquidez e condições de reembolso também contam.

Ativos alternativos: Diversificar para além dos mercados tradicionais

A designação “ativos alternativos” reúne investimentos muito diferentes entre si. Imobiliário, matérias-primas, criptoativos ou determinadas estratégias de investimento podem caber nesta categoria ampla, mas não apresentam o mesmo nível de risco, liquidez ou complexidade.

É precisamente essa diferença que deve ser considerada antes de lhes atribuir um papel numa carteira.

Que ativos podem integrar esta categoria?

Entre os investimentos que podem ser incluídos nesta categoria estão:

  • Imobiliário: pode proporcionar exposição a ativos reais e gerar rendimento através de rendas. No entanto, está sujeito a riscos relacionados com preços, ocupação, custos e liquidez. O investimento pode ser direto ou através de veículos financeiros, com características distintas.
  • Matérias-primas: incluem, por exemplo, energia, metais ou produtos agrícolas. A sua evolução depende de fatores como oferta e procura, condições geopolíticas, clima e crescimento económico, podendo apresentar elevada volatilidade.
  • Criptoativos: podem registar oscilações muito acentuadas e envolver, além do risco de mercado, riscos operacionais, tecnológicos, de custódia e de liquidez.
  • Outras estratégias alternativas: podem recorrer a ativos privados, derivados ou técnicas de investimento mais complexas. Nestes casos, é particularmente importante compreender de onde pode vir o retorno e quais os riscos assumidos.

Que vantagens e riscos podem apresentar?

Uma das razões para considerar ativos alternativos numa carteira é a possibilidade de acrescentar fontes de risco e de retorno diferentes das ações e obrigações tradicionais.

Contudo, isso não significa que ofereçam proteção automática quando os mercados caem. As correlações podem mudar e ativos que normalmente evoluem de forma diferente podem passar a mover-se na mesma direção em períodos de maior instabilidade.

A liquidez é outro fator decisivo. Alguns investimentos alternativos não podem ser vendidos rapidamente ou podem obrigar o investidor a aceitar descontos relevantes para sair da posição. Outros apresentam estruturas de custos, mecanismos de valorização ou formas de funcionamento mais difíceis de analisar.

Como definir o peso dos ativos numa carteira?

Não existe uma fórmula universal para distribuir uma carteira. Um investidor com um horizonte temporal de décadas, rendimentos estáveis e elevada capacidade para absorver perdas está numa situação muito diferente de quem prevê precisar do dinheiro num prazo curto.

Assim, a alocação deve partir da situação concreta do investidor e não de uma percentagem considerada adequada para o mercado em geral.

Perfil de risco, objetivos e horizonte temporal

O perfil de risco do investidor é um fator decisivo. Mas não o único. Também é necessário perceber o objetivo do dinheiro investido, quando poderá ser necessário e que impacto teria uma perda relevante na situação financeira do investidor.

As necessidades de liquidez são igualmente relevantes. Ter uma grande parte do património em ativos difíceis de vender pode tornar-se um problema mesmo que a estratégia faça sentido a longo prazo.

A capacidade financeira para absorver perdas também não deve ser confundida com a disposição emocional para as aceitar. Um investidor pode afirmar que tolera volatilidade, mas não ter margem financeira para suportar uma quebra significativa quando precisa de mobilizar o dinheiro.

O contexto económico pode alterar o papel de cada ativo

Crescimento económico, inflação, taxas de juro e alterações na perceção de risco influenciam as várias classes de ativos. Mas estas relações não são fixas.

Por exemplo, ações e obrigações podem, em determinados períodos, evoluir em sentidos diferentes e ajudar a diversificar a carteira. Noutros contextos, podem cair em simultâneo. O mesmo acontece com ativos alternativos: uma correlação historicamente baixa não garante que continue baixa no futuro.

Por isso, usar relações passadas para prever de forma automática o comportamento futuro de uma carteira pode levar a conclusões equivocadas.

Rebalancear para manter a estratégia

À medida que os mercados sobem e descem, o peso de cada ativo altera-se. Uma classe que valorizou mais pode passar a representar uma parcela da carteira superior à inicialmente definida, aumentando também a exposição aos riscos associados.

O rebalanceamento consiste em rever essas ponderações e, quando necessário, aproximá-las novamente da estratégia definida. Não significa reagir a cada movimento do mercado nem tentar antecipar qual será o próximo ativo a valorizar.

Uma carteira de investimento deve ser acompanhada ao longo do tempo porque os mercados mudam, mas também porque a vida, os objetivos e a situação financeira do investidor se alteram. Diversificar, acompanhar e ajustar quando necessário permite manter a estratégia alinhada com essas condições, sem eliminar o risco inerente a qualquer investimento.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui uma recomendação de investimento.

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A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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