Vista aérea de uma rua no Centro de Lisboa. Ao centro prédios remodelados, numa altura em que os preços das casas estão a subir e as pessoas procuram crédito habitação com taxa mista.

Em junho, 85% dos novos empréstimos para compra de casa foram contratados com taxa mista, um novo máximo, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal. Depois de uma queda a partir do final de 2024, e em resposta à subida da Euribor, a taxa mista voltou a ganhar terreno a partir de abril deste ano, mês em que passou a barreira dos 80%.

Os dados revelam ainda que a taxa de juro média das novas operações de crédito habitação subiu, em junho, para 2,93% – mais 0,04 pontos percentuais do que em maio. Embora nas operações com taxa mista – cujo valor médio se fixou em 2,80% – essa subida tenha sido ligeiramente menor (0,03 pontos percentuais), nos contratos com taxa variável atingiu os 0,07 pontos, para 3,14%. Já a taxa fixa – que representa somente 2% do total de novos contratos – foi a única a registar uma ligeira descida de 3,76%, em maio, para 3,73%, em junho.

Nota também para a diferença entre a taxa média dos novos contratos e a dos créditos renegociados, que voltou a estreitar-se. Em junho, ambas se situaram em torno dos 2,90%, refletindo um contexto de maior aproximação entre as condições oferecidas a novos clientes e a quem renegocia o crédito.

Novos empréstimos para compra de casa recuam

Já em termos de volume de crédito concedido, o montante de novos empréstimos para habitação permanente diminuiu em junho. No total, as novas operações de crédito habitação (incluindo novos contratos e renegociações) ascenderam a 2.715 milhões de euros, menos 177 milhões do que no mês anterior.

Destes, 2.166 milhões de euros correspondem a novos contratos, que, ainda assim, recuaram 26 milhões face a maio. Já as renegociações caíram para 589 milhões de euros, uma redução de 147 milhões de euros, refletindo sobretudo uma menor atividade na renegociação de empréstimos para compra de casa.

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Prestação média da casa volta a subir

Os dados do Banco de Portugal mostram ainda que a prestação média mensal dos empréstimos à habitação aumentou pelo décimo mês consecutivo. Em junho, a prestação média fixou-se em 436 euros, mais quatro euros do que em maio e mais 18 euros do que no final de 2025.

Segundo o Banco de Portugal, este aumento resulta da subida da prestação média tanto dos contratos já existentes como dos novos empréstimos.

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Crédito ao consumo com ligeiro aumento

No conjunto dos empréstimos aos particulares, as novas operações totalizaram 3.701 milhões de euros em junho, menos 162 milhões de euros do que no mês anterior. A redução ficou a dever-se, sobretudo, à diminuição das novas operações de crédito habitação.

Em sentido contrário, o crédito ao consumo e para outros fins registou um ligeiro aumento. As novas operações de crédito ao consumo ascenderam a 652 milhões de euros, mais cinco milhões do que em maio, enquanto os empréstimos para outros fins aumentaram nove milhões de euros, para 333 milhões de euros.

Juros dos depósitos aumentam pelo quinto mês consecutivo

A subida dos juros também se reflete na rentabilidade dos depósitos. A taxa de juro média dos depósitos a prazo subiu 0,06% em junho, para 1,55%. Desde o início do ano, a remuneração dos depósitos aumentou 0,21 pontos percentuais. Apesar de tudo, estes valores mantêm Portugal abaixo da média da Zona Euro (2,09%). Entre os congéneres europeus, é o quinto país com as taxas de juro dos depósitos mais baixas.

No que toca aos novos depósitos, abril tinha registado um máximo de 13.398 milhões de euros, o valor mais elevado desde janeiro de 2003. Em maio e junho, porém, o montante aplicado pelas famílias nos bancos voltou a diminuir, com quedas de 1.174 milhões de euros e 206 milhões de euros, respetivamente.

Estes dados referem-se aos depósitos com prazo até 1 ano, que representam 96% dos novos depósitos efetuados em junho.

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