Existem diferentes abordagens para investir nos mercados acionistas. Os que preferem o investimento indireto têm ao dispor um conjunto alargado de produtos financeiros. Destaque para os fundos de investimento mobiliários e ETF (Exchange Traded Fund), que possibilitam ter a carteira exposta às ações através de uma gestão ativa (ações selecionadas por gestores) ou passiva (fundos que replicam índices). Estes veículos permitem uma adequação muito precisa ao nível de risco do investidor, pelo que são uma opção muito popular.
O investimento direto exige mais tempo e conhecimento, mas também é a escolha de muitos investidores. Nesta abordagem, que implica a seleção das ações a adquirir, existem diversas estratégias, que depois ainda podem ser divididas em diferentes modalidades.
- Análise fundamental. Selecionar as ações com base nos indicadores fundamentais das empresas cotadas, escolhendo as que apresentam os múltiplos de avaliação mais atrativos. Nesta vertente, existem diferentes abordagens, destacando-se os que preferem empresas com fundamentais mais sólidos (“value stocks”) e os que privilegiam cotadas com perspetivas de crescimento mais promissoras (“growth stocks”).
- Análise técnica. Nesta abordagem, os investidores selecionam as ações em função do desempenho histórico, analisando os gráficos de cotações para encontrar padrões de comportamento. Uma estratégia que exige conhecimento específico e está dependente de um conjunto de indicadores, como suportes e resistências.
- Seguir recomendações. Seguir as recomendações dos profissionais do setor é outra estratégia popular. As firmas de research produzem relatórios sobre as empresas cotadas e setores de atividade, onde os analistas definem recomendações e avaliações dos ativos, que depois podem ser analisadas pelos investidores para suportar as suas decisões.
Todas estas abordagens são válidas e têm o seu mérito. Mas acarretam problemas, sobretudo para os pequenos investidores. As análises através de indicadores fundamentais (resultados) e técnicos (gráficos) exigem um nível de conhecimento mais profundo. Requerem também tempo disponível e um acompanhamento próximo da carteira de investimento.
Seguir as recomendações de analistas de forma indiscriminada tem o risco de estas poderem ser enviesadas, pois os bancos que as produzem são muitas vezes clientes das empresas que analisam e têm interesse específico na evolução das cotações. Além disso, a informação da recomendação, muitas vezes, chega aos clientes institucionais dos bancos antes de ser do conhecimento do mercado em geral, o que representa uma clara desvantagem para os pequenos investidores.
Seguir as escolhas dos melhores
Estas são três das principais alternativas para investir diretamente em ações, mas existem mais. Há até opções que acabam por combinar as várias estratégias, como seguir os investimentos efetuados pelos gestores de ativos. Esta abordagem permite seguir as orientações dos profissionais do setor, que selecionam as ações para as carteiras dos fundos com recurso à análise fundamental, técnica e outras.
Os analistas que fazem research de ações estão sujeitos a regras que limitam a negociação dos títulos que acompanham. Já os gestores de fundos têm o desempenho dos produtos que gerem diretamente dependente das ações que selecionam. É o que na gíria dos mercados é conhecido por “skin in the game”. Estes profissionais também falham e podem escolher as ações erradas, mas saber que têm a “pele em jogo” representa uma vantagem para o pequeno investidor.
Foi neste contexto que fomos analisar as carteiras dos fundos de investimento, para perceber quais as ações que estão entre as preferidas. Foram selecionadas cinco categorias de fundos domiciliados em Portugal com maior exposição a ações. Em cada categoria, escolhemos o fundo com maior rendibilidade no primeiro semestre e identificámos as três ações com maior peso na carteira desse fundo.
A análise incidiu sobre o retorno no primeiro semestre de 2026. Embora o desempenho dos fundos de investimento deva ser avaliado em espaços temporais bem mais alargados e o fator risco também seja muito relevante, neste exercício o objetivo passa por saber quais as ações que estão a fazer a diferença no desempenho atual dos fundos.
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As ações preferidas dos fundos com retornos mais altos
O BPI Portugal apresenta um desempenho muito favorável, com rendibilidades de dois dígitos em todos os prazos. Este Fundo de Ações Nacionais tem mais de um quarto da carteira concentrada em apenas três ações, com um nível de liquidez acima da média que sugere uma abordagem prudente.
O IMGA European Equities também consegue rendibilidades acima de 10% em todos os prazos, sendo que o desempenho de 2026 reflete a aposta na maior cotada europeia, que valoriza mais de 60% desde o início do ano. Além da ASML, o HSBC também está em destaque na carteira do fundo, que beneficia com o bom desempenho da banca.
O Caixa Ações dos EUA tirou partido da aposta substancial em várias das tecnológicas norte-americanas que registam as valorizações mais acentuadas em 2026. Com o retorno próximo de 20% em 2026, este fundo supera largamente a evolução dos índices acionistas dos EUA.
O desempenho do Caixa Ações Emergentes é um bom exemplo de que até os profissionais do setor recorrem a outros fundos para as suas carteiras. Este fundo da gestora do banco público tem mais de metade da carteira em apenas três fundos de investimento, beneficiando sobretudo com a valorização acentuada das ações das empresas cotadas na Bolsa da Coreia do Sul. Entre todos os fundos domiciliados em Portugal, é o que apresenta o retorno mais elevado no primeiro semestre.
O Optimize PPR/OICVM Agressivo lidera as rendibilidades na categoria dos fundos PPR, que agrega o maior número de produtos disponíveis. O desempenho reflete a aposta nas tecnológicas norte-americanas.
Combinando as principais apostas destes fundos em destaque no mercado português, ficamos com uma carteira diversificada de cotadas em termos de setores e geografias. Ainda assim, dominam as grandes tecnológicas norte-americanas, que marcam presença significativa nos portefólios dos investidores devido ao impacto do boom da procura na indústria da Inteligência Artificial. A Alphabet é a única repetente, refletindo o excecional desempenho das ações da empresa que controla a Google (valorizam perto de 70% nos últimos 12 meses).
A Alphabet recebeu também um importante voto de confiança da Berkshire Hathaway, que em junho reforçou a posição nesta tecnológica com um investimento de 10 mil milhões de dólares. A evolução da carteira da holding fundada pelo lendário investidor Warren Buffett é seguida atentamente pelo mercado, devido a esta estratégia de seguir os passos dos melhores gestores de ativos.
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Ações Nacionais lideram ganhos
O primeiro semestre de 2026 voltou a ser muito favorável para a indústria dos fundos de investimento portugueses, com a generalidade dos produtos a marcar rendibilidades expressivas, dando continuidade ao desempenho favorável dos últimos anos.
Os Fundos de Ações Nacionais continuam a merecer destaque pela positiva, liderando os retornos entre todas as categorias nos prazos de dois anos e acima. Nos primeiros seis meses do ano surgem no terceiro lugar do ranking, com um retorno superior a 10%.
As rendibilidades apresentadas pelos fundos das diversas categorias mostram que estes produtos continuam a oferecer alternativas interessantes para quem pretende investir nos mercados acionistas através de uma gestão profissional. Para quem prefere investir de forma direta, uma alternativa passa por acompanhar as apostas efetuadas pelos profissionais que gerem estes fundos, divulgadas com regularidade mensal.
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