O início de um novo ano letivo é, para muitas famílias, sinónimo de uma longa lista de compras: manuais, cadernos, mochilas, lápis, canetas, equipamentos tecnológicos e desportivos. Somadas, estas despesas fazem do regresso às aulas um dos períodos do ano mais exigentes para o orçamento familiar.
Mas, ao mesmo tempo, esta pode também ser uma boa oportunidade para falar com os filhos sobre dinheiro. Aproveitar a compra de material escolar para ensinar crianças e jovens a gerir o seu dinheiro, a fazer escolhas e a perceber que os recursos são limitados contribuirá para o desenvolvimento de competências de literacia financeira que lhes serão úteis ao longo da vida.
De seguida, sugerimos sete temas que pode abordar com os seus filhos na próxima ida às compras.
Lição 1: Distinguir necessidades de desejos
Por maior que seja o esforço para poupar, a compra de uma mochila nova, de um estojo ou de outra calculadora pode ser uma necessidade inadiável. Já escolher uma mochila de uma marca concreta porque “todos os amigos têm”, ou um caderno com uma personagem popular entra, na maioria das vezes, no campo dos desejos. Ensinar às crianças esta diferença é uma das bases da literacia financeira.
Uma boa forma de iniciar esta conversa é fazer perguntas simples:
- “Precisas mesmo deste artigo?”
- “O que é que este produto tem que outro semelhante não tenha?”
- “Se não tivesse esta marca, continuavas a escolhê-lo?”
Estas questões ajudam a criança a refletir antes de decidir, evitando um comportamento muito comum também entre adultos – as compras por impulso.
Ao mesmo tempo, é importante explicar que os nossos desejos são frequentemente influenciados por fatores externos. A publicidade, os influenciadores nas redes sociais e a pressão para ter o mesmo que os colegas podem fazer parecer indispensável aquilo que, na realidade, é apenas uma preferência. Mesmo que acabe por ceder ao desejo de lhe comprar a tal mochila da moda, a intenção é ajudar a criança a perceber que nem sempre aquilo que queremos corresponde ao que realmente precisamos.
Lição 2: Planear as compras antes de sair de casa
É comum as escolas enviarem a lista de material necessário para o novo ano letivo. Mas isso não significa que tenha de comprar tudo de imediato. Antes de ir às compras, vale a pena fazer um levantamento do que já existe em casa. Acabará por descobrir que ainda há cadernos por utilizar, lápis em bom estado, réguas, calculadoras ou estojos que podem durar mais um ano.
Envolva os seus filhos nesta tarefa, convidando-os a verificar o material que pode ser reutilizado e a elaborar uma lista apenas com aquilo que faz falta. Este exercício transmite uma mensagem importante: planear também é uma forma de poupar.
Além da vertente da educação financeira, esta abordagem incentiva hábitos de consumo mais responsáveis, mostrando a importância de reutilizar para evitar desperdícios.
Lição 3: A importância de definir um orçamento para as compras
Uma das formas mais eficazes de ensinar o valor do dinheiro é mostrar que existe um limite para gastar. Defina antecipadamente quanto pretende investir na compra de material escolar e, adaptando o discurso à idade, partilhe essa informação com os seus filhos.
Pode dizer-lhe, por exemplo:
“Temos 100 euros para comprar o material escolar. Como achas que devemos distribuí-los?”
Este tipo de conversa ajuda as crianças a perceber que o dinheiro é um recurso limitado e que todas as despesas obrigam a fazer escolhas.
Em vez de decidir tudo sozinho, dê-lhes oportunidade de participar. Se optarem por uma mochila mais cara, poderão ter de escolher um estojo mais simples ou reutilizar o do ano passado. Mesmo que a decisão final continue a ser dos pais, o simples facto de envolver a criança no processo contribui para desenvolver competências como o planeamento, a definição de prioridades e a responsabilidade financeira.
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Lição 4: Comparar preços e procurar o melhor valor
Comparar preços é uma competência que será útil aos seus filhos muito para além da idade escolar. Durante as compras, aproveite para mostrar que dois produtos semelhantes podem ter preços muito diferentes e que uma boa compra deve ter em conta fatores como:
- O preço;
- A qualidade;
- A durabilidade;
- A existência de promoções;
- A relação entre custo e benefício.
Com crianças mais velhas, pode ainda introduzir conceitos simples como o preço por unidade, comparando, por exemplo, embalagens de lápis, canetas ou folhas de papel.
Estas pequenas experiências ajudam a desenvolver o pensamento crítico e a reduzir as compras impulsivas no futuro.
Lição 5: Todas as escolhas têm consequências
Uma das lições mais importantes da educação financeira é perceber que escolher uma coisa implica renunciar a outra. Quando o orçamento é limitado, escolher um produto mais caro significa, muitas vezes, ter menos dinheiro disponível para outra necessidade.
Imagine que o seu filho pretende comprar uma mochila de 70 euros, quando existe uma alternativa semelhante por metade do preço. Em vez de dizer simplesmente “não”, experimente explicar o impacto dessa decisão.
Pode perguntar:
- “Se escolhermos esta mochila, ainda conseguiremos comprar a lancheira nova?”
- “Preferes gastar mais agora ou guardar algum dinheiro para outra necessidade?”
Desta forma, a criança começa a compreender que gerir dinheiro não passa apenas por poupar, mas também por estabelecer prioridades e aceitar as consequências das escolhas que faz. É uma aprendizagem que será útil não apenas no regresso às aulas, mas em todas as decisões financeiras que vier a tomar ao longo da vida.
