Durante muitos anos, a diferença entre um agente imobiliário mediano e um excelente profissional era visível em quase tudo: na forma como escrevia um anúncio, preparava uma apresentação, respondia a um cliente ou construía um plano de marketing.
Hoje, essa diferença começa a desaparecer. Não porque todos se tenham tornado melhores, mas porque a Inteligência Artificial tornou muito mais fácil produzir trabalho competente.
Qualquer pessoa consegue criar uma descrição de um imóvel, um plano de comunicação, uma campanha para redes sociais, ou até uma análise de mercado em poucos segundos. O problema é que, quando todos conseguem produzir conteúdo “bom”, o bom deixa de ser diferenciador e pode ser até enganador do que ou quem está por detrás.
A tecnologia elevou a média. Mas não elevou aquilo que realmente faz a diferença.
A IA não substitui a sensibilidade e capacidade de fazer as perguntas certas, no momento certo, de saber como abordar da forma certa e de como deve agir à frente de cada pessoa e reagir a cada situação. Ou seja, a IA não substitui o profissional que depois tem de entregar no terreno, o seu pensamento estratégico e o espírito crítico que tem de ter face a qualquer situação.
A IA, apesar de ajudar no processo (ainda), não cria confiança e principalmente (ainda) não constrói relações já que, por exemplo, não consegue ler emoções durante uma negociação, e duvido que tenha grande sucesso na conquista de uma recomendação.
É por isso que, nesta área, as pessoas continuam a escolher pessoas.
Na mediação imobiliária, o valor está cada vez menos na capacidade de entregar informação (já é assumido) e cada vez mais na capacidade de interpretação desta informação para a transformar em confiança e, por conseguinte, em decisões que entregam resultados.
Ou seja, está menos na execução e mais no critério.
É por isso que a criatividade e espírito crítico continuam a ser importantes skills de base para um profissional nesta área. A experiência, esta, vale cada vez mais.
É precisamente por isso que acredito que a Inteligência Artificial não vai substituir os melhores profissionais. Vai, sim, substituir os fracos e, sim, vai potenciar os que realmente querem fazer da sua atividade um verdadeiro negócio, sustentável, escalável.
Sobreviver sendo apenas “bom” já não será possível no futuro (espero).
Perante esta realidade, existem apenas dois caminhos:
– O primeiro é competir com a Inteligência Artificial;
– O segundo é fazer aquilo que ela não consegue fazer.
Apostar em criatividade e capacidade de desenvolver espírito crítico:
– Conhecer melhor;
– Pensar melhor;
– Aconselhar melhor;
– Criar relações mais fortes;
– Gerar mais confiança;
– Liderar decisões que se tornam cada vez mais importantes.
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