Crédito

4 fatores que revelam se é o momento de transferir o seu crédito habitação

A transferência do crédito habitação tem-se revelado uma solução eficaz para quem procura poupar dinheiro no final do contrato. Fique a saber o que deve analisar para saber se é este o momento.

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 20 Abril 2020

Em tempos economicamente mais difíceis e em clima de incertezas, uma das medidas a adotar é rever os seus ganhos e os seus gastos e perceber no que pode cortar e poupar.

É possível cortar ou reduzir em vários serviços, como é o caso das telecomunicações ou das apólices de seguro que não utilizamos, contudo, isto torna-se mais complicado quando falamos de cortar no crédito habitação.

A prestação do crédito habitação, que ocupa a fatia maior e mais pesada de um orçamento familiar, não pode ser cortada, mas pode ser reduzida (e muito)! Por isso, e como não pode deixar de pagar esta prestação, é importante procurar ter as melhores condições de crédito para conseguir ter uma folga extra no seu orçamento familiar. E como? Ponderando transferir o seu crédito habitação

No entanto, é importante que analise alguns elementos para perceber o que deve considerar e se este é o momento de o fazer.   

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1. O spread não é tudo 

Para quem tem um spread baixo, por norma, não faz sentido mudar. No entanto, não é só de spread que é constituído um crédito habitação. Como uma proposta de crédito com o spread mais baixo não vai ser a necessariamente a mais barata, deve ponderar outros elementos do custo do crédito.  

É necessário (e importante) comparar as várias propostas de crédito a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor). 

A TAEG e o MTIC são indicadores que ponderam todos os custos do crédito, ou seja, consideram não só os juros, mas também os restantes custos. 

A TAEG é a taxa que considera os custos que terá no seu empréstimo com juros, despesas de processo, comissões e seguros associados. O MTIC é a soma do montante do crédito com todos os encargos que o cliente irá pagar durante a vigência do empréstimo. Estes cálculos utilizam a informação disponível no momento da contratação. 

Em propostas de crédito com o mesmo montante e o mesmo prazo, a proposta com TAEG e MTIC mais baixos é aquela em que o cliente suporta menos custos com o empréstimo. 

Leia ainda: FINE: saiba as informações que os produtos financeiros deve disponibilizar

2.Os produtos associados ao crédito bancário  

É muito comum que na contratação de um crédito habitação sejam-lhe propostos, por parte da entidade bancária, a aquisição de outros produtos bancários em “troca” de um spread mais baixo ou de outros custos de créditos mais reduzidos. 

Claro que, à primeira vista, estas condições podem parecer aliciantes e acabar por lhe dar a falsa sensação de poupança. No entanto, e parecendo que não, estes produtos podem estar a encarecer muito o seu crédito habitação. Falamos, por exemplo, de cartões de créditocontas-poupança, seguros, entre outros.  

Se, durante a vigência do contrato de crédito, quiser desistir dos produtos que adquiriu, a instituição pode aumentar, ou não, o spread do crédito, de acordo com o que estiver previsto no respetivo contrato. No entanto, os custos associados com os seguros e outros produtos podem compensar essa transferência

Pode também manter o seu crédito habitação na mesma entidade bancária e mudar apenas os seguros para outra entidade. Por exemplo, imagine que tem um spread de 1,2% e que, com a transferência dos seus seguros, passa a ter um spread de 1,3%, contudo, atualmente está a pagar 100€ de seguros e, ao mudar, passa a pagar 40€, isto vai gerar-lhe poupança. 

Antes de tudo, é importante que se informe junto da sua instituição de crédito sobre: 

  • Os benefícios e os custos da aquisição conjunta de outros produtos financeiros em conjunto com o contrato de crédito; 
  • O impacto, no custo do crédito, da desistência de parte ou da totalidade destes produtos durante o prazo do empréstimo.  

Com a transferência do crédito, acredite que existem poupanças muito significativas nos seguros, até porque, hoje em dia, todos os bancos são obrigados a atualizar o capital do crédito junto da seguradora com quem trabalham, coisa que não acontecia no passado. 

3.O prazo do empréstimo 

Prestações mais baixas ou créditos mais baratos? Parece-lhe contraditório? Na verdade, não o é. Pois se por um lado um crédito com prazo mais longo terá prestações mais baixas do que um crédito com prazo mais curto, por outro, quando o prazo de reembolso é mais longo a amortização de capital é mais lenta e paga mais juros por esse crédito. Isto num crédito onde o montante, a taxa de juro e as demais características do crédito são iguais.  

Qual o prazo mais conveniente para pagar o empréstimo? Depende da sua preferência e das suas possibilidades. Acima de tudo é importante nunca comprometer o seu orçamento familiar e garantir que não entra em incumprimento. Para algumas famílias mais endividadas, aumentar o prazo para poder pagar as suas dívidas pode ser uma solução para cumprir os restantes encargos. Esta opção pode ainda ajudá-lo a começar a ter uma poupança para ter uma vida financeira mais confortável. 

E não se esqueça.... Pode (e deve) pedir ao seu banco que lhe apresente o impacto de diferentes prazos no valor da prestação mensal e no montante total de juros e outros custos que terá de pagar pelo empréstimo. Analise e faça as várias simulações antes de tomar a sua decisão. 

Pode recorrer ao nosso simulador de crédito para calcular as prestações do seu crédito e os respetivos prazos.

Leia ainda: O crédito consolidado não é só para sobreendividados

4.Os ciclos económicos 

Os ciclos económicos são oscilações na economia, onde existem altos e baixos que circulam em torno de um equilíbrio de estabilidade. Neste momento, com a pandemia do novo coronavírus que assolou, Portugal e o mundo, ainda é uma incógnita os reais impactos na economia portuguesa.  

No entanto, e principalmente para quem comprou casa nos últimos anos (sensivelmente nos últimos 10 anos), a transferência do crédito habitação pode continuar a ser uma ótima opção. Isto porque, relativamente há uns anos, os bancos estão hoje com maior liquidez, têm carteiras com menos incumprimento e praticam spreads mais baixos (sensivelmente na casa dos 1%). O crédito está mais barato!

Neste momento, a taxa Euribor continua a registar valores negativos, o que permite que a prestação mensal do crédito habitação seja mais baixa. Quando a Euribor começar a subir, a sua prestação mensal será revista no prazo estipulado (quer seja a 3, 6 ou 12 meses), caso opte por uma taxa variável. Poderá assim ver o valor que paga pela sua casa aumentar gradualmente e, consequentemente, pagar mais juros sem fazer mais por isso. Por este motivo, e dado os inevitáveis ciclos económicos, pense em qual a taxa que pretende manter: fixa, variável ou mista.   

Nos empréstimos a taxa variável, a taxa de juro varia ao longo do prazo do empréstimo, dependendo das alterações da taxa de spread ou da Euribor, que pode subir ou descer ao longo do empréstimo. Quando a taxa Euribor começar a subir e ficar positiva, irá pagar mais pelo mesmo empréstimo, pelo que deve acautelar os pagamentos com uma boa gestão orçamental e uma poupança mensal para fazer frente a imprevistos. 

Nos empréstimos a taxa fixa, a taxa de juro é definida quando o contrato é celebrado e, como tal, o valor da prestação é sempre igual durante todo o período do empréstimo. Como o cliente não está exposto ao risco de variação de taxa de juro, no início do empréstimo, a taxa de juro fixa é normalmente superior à praticada num empréstimo idêntico a taxa de juro variável. 

As taxas mistas são taxas com um período de taxa fixa e depois o empréstimo passa a ter taxa variável até ao final do contrato, sendo que no início do contrato fica estabelecido qual a Euribor e spread que irá vigorar após o final do período de taxa fixa. Esta taxa poderá ajudar na previsibilidade do pagamento e na gestão do orçamento familiar nos primeiros anos do contrato, ajudando no curto prazo e sabendo quanto irá pagar no período de taxa fixa. Assim, poderá criar uma folga orçamental e pagar sempre o mesmo valor todos os meses. 

Existindo o risco de a economia entrar num ciclo de depressão, é altura de aproveitar este momento económico, para rever as suas despesas e tirar partido das vantagens que o crédito barato oferece, aproveitando para fazer a sua transferência.  

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