Finanças pessoais

Comprei uma casa, e agora? O que muda na gestão do orçamento

Comprar uma casa traz consigo um aumento das responsabilidades. Face a novas despesas, saiba o que muda na gestão do orçamento.

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Comprei uma casa, e agora? O que muda na gestão do orçamento

Comprar uma casa traz consigo um aumento das responsabilidades. Face a novas despesas, saiba o que muda na gestão do orçamento.

A compra da primeira casa é um ponto de viragem na vida de qualquer jovem adulto. Comprar casa e sair de casa dos pais significa maior independência, mas também um aumento das responsabilidades. Perante novos encargos, este é o momento de rever o orçamento familiar e traçar novas prioridades.  

Se até aqui não fazia um orçamento mensal, comprar casa representa um momento para começar. É simples: de um lado anota todas as suas receitas e do outro as despesas. Pode começar pelos encargos fixos - que a partir de agora são mais -, como a prestação do crédito habitação (caso tenha recorrido a financiamento para a compra da casa), a água, a eletricidade e gás, as telecomunicações, os gastos de supermercado, entre outros.  

Nesta fase também não se deve esquecer de um “gasto” muito importante: pagar-se a si próprio, isto é, alocar uma percentagem do seu rendimento à poupança. Num momento inicial, e face a tantas novas despesas, pode parecer difícil reservar uma parcela para poupar. Contudo, constituir um fundo de emergência é um passo fundamental para acautelar possíveis imprevistos. Mas, vamos por partes.  

Comprar casa com recurso a crédito habitação 

A prestação do crédito habitação é, por norma, a despesa que representa a maior fatia dos encargos mensais. Este é um valor com que tem de contar todos os meses e, regra geral, não costuma variar muito. Mas, tudo irá depender das condições do seu financiamento. 

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Crédito
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Os créditos habitação em regime de taxa de juro variável estão sujeitos à flutuação da Euribor. A oscilação desta taxa faz com que a prestação suba ou desça, em linha com aquela flutuação. Assim, é importante estar atento para perceber o impacto desta taxa nos seus encargos e evitar surpresas.  

Saiba, contudo, que atualmente, como as taxas de juros praticadas nos empréstimos entre bancos têm estado excecionalmente baixas (negativas mesmo), a Euribor tem estado também com valores negativos. Este comportamento faz com que o valor da prestação do crédito seja atualmente baixo.  

No caso de o empréstimo tiver sido contratado com uma taxa de juro fixa, o valor da prestação irá ser sempre o mesmo até ao final do prazo.  

Leia ainda: Taxa fixa, variável ou mista. O que escolher no crédito habitação? 

Não se esqueça dos seguros

Quando pede um empréstimo para comprar casa, o banco ou instituição de crédito exige a contratação de dois seguros: o seguro de vida e o seguro multirriscos. Estes servem como garantia de risco associado ao crédito habitação, uma vez que os valores solicitados pelos clientes neste tipo de crédito são elevados.

Apesar de muitas vezes estar associada à prestação do crédito, esta é mais uma despesa que deve ter em conta no seu orçamento mensal.

Saiba, contudo, que não é obrigatório subscrever estes seguros no banco onde está a solicitar o seu crédito habitação. Ambos os seguros podem ser feitos junto de outras entidades que apresentem melhores condições.

Leia ainda: Poupança nos seguros: Há quanto tempo não revê as apólices?

Fornecimento de água 

O fornecimento de água é um serviço fundamental em qualquer habitação. Esta fatura vai depender sempre do número de pessoas que habita em casa e das suas rotinas. É normal que duas pessoas consumam mais água do que uma, o que se reflete na fatura mensal.  

O pagamento da água pode ser feito de várias formas, sendo as mais comuns o pagamento por multibanco e o débito direto. 

Tenha em mente que, mesmo que realize o pagamento desta fatura através de débito direto, não a pode deixar passar despercebida. Deve confirmar o valor todos os meses e adicioná-lo à coluna das despesas.  O débito direto é vantajoso no que diz respeito a não deixar passar prazos de pagamento, mas facilmente pode fazer-nos esquecer que esse dinheiro saiu da conta.  

Leia ainda: 5 gadgets que ajudam a poupar a curto, médio e longo prazo 

Contratação de energia e/ou gás

Outra despesa com que deve contar todos os meses é a da eletricidade e, se for o caso, do gás. Tal como acontece com a fatura da água, esta é uma despesa que também vai variar consoante o número de pessoas que habita em casa, mas também com o tipo de eletrodomésticos e aparelhos.  

diferentes modalidades no que toca a esta despesa. Pode, por exemplo, acordar juntamente com a empresa que fornece o serviço um valor fixo mensal. Nesta situação, é feita uma estimativa dos gastos e no final do ano há lugar a acertos. Ou, se não quiser estar sujeito a valores baseados em estimativas, pode enviar regularmente a leitura do seu contador.  

Quanto ao método de pagamento, são também as formas mais comuns o débito direto e o pagamento por multibanco.  

Leia ainda: Saiba como escolher o melhor fornecedor de eletricidade 

Serviço de telecomunicações 

O pacote de telecomunicações - telemóvel, televisão e internet - é outra despesa a adicionar ao seu orçamento. Atualmente existem inúmeras opções no mercado e, por isso, o peso desta mensalidade pode variar de caso para caso.  

É normal ouvir um familiar ou amigo dizer que paga 50 euros de internet, por exemplo. Contudo, isso não quer dizer que o seu encargo mensal com este serviço não possa ser menor. A escolha entre um pacote mais básico face a um pacote mais completo deve ser bem ponderada e adequada às suas necessidades. O mercado das telecomunicações é bastante competitivo, pelo que é importante analisar as ofertas antes de tomar uma decisão.  

Mais uma vez, também aqui as formas mais comuns de pagamento são o débito direto e o pagamento por multibanco.  

Gastos em supermercado 

Serviços tratados, é hora de encher a despensa. Os gastos em supermercado são outra rubrica essencial no orçamento mensal.  

O valor a gastar em supermercado por mês varia consoante o agregado familiar. Tenha em conta também que há produtos que compra com mais frequência do que outros. Por exemplo, os detergentes e produtos de limpeza têm uma durabilidade maior, pelo que não entram na lista de compras tão frequentemente.  

Esta é uma despesa que pode ir ajustando ao longo do tempo. À medida que vai fazendo compras, vai começar a estar mais atento aos preços e às promoções, consoante os supermercados. Esta é uma rubrica que vai sendo otimizada com a experiência do consumidor.  

Leia ainda: Um guia para poupar no supermercado: melhores compras, mais poupança 

Comprar casa implica também pagar IMI 

Comprar casa implica assumir alguns custos. Todos os anos é cobrado o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) por parte das Câmaras Municipais, cujo valor depende essencialmente de dois fatores: onde está localizado o imóvel e qual o seu valor.  

O cálculo deste imposto é simples. Sabendo o valor patrimonial tributário (VPT) e a taxa que é aplicada pela autarquia onde está localizado o imóvel, basta multiplicar o valor da taxa pelo VPT. O resultado desta conta é o valor do IMI que terá de pagar. Pode recorrer ao Simulador de IMI do Doutor Finanças para o fazer. 

Este imposto é pago anualmente. Contudo, pode ser pago apenas de uma vez só, ou em até três prestações se o valor a pagar for alto o suficiente.  

Saiba, no entanto, que pode ficar isento do pagamento deste imposto durante três anos após a compra da casa. Se os seus rendimentos anuais forem inferiores a 153.3000 euros e o imóvel tiver um VPT de até 125.000 euros, não tem de pagar IMI nos primeiros três anos.  

Leia ainda: Comprou casa? Já sabe quanto vai pagar de IMI? 

Comprou casa num condomínio? Há quotas a pagar

Se a casa que comprou estiver inserida num condomínio, esta é outra despesa que deve considerar no seu orçamento. As quotas de condomínio servem para alimentar uma conta destinada ao pagamento das despesas necessárias a todos os moradores do condomínio. Por exemplo: manutenção de elevadores, limpeza dos espaços comuns, custos de segurança, entre outros.  

O valor é definido em assembleia de condóminos e depois é calculado em função do valor das frações de cada morador. O pagamento das quotas de condomínio pode ser feito mensalmente ou não. Tudo dependo do que for acordado.  

Criar um fundo de emergência é essencial quando se compra casa

Por fim, mas não menos importante, deve reservar algum dinheiro para um fundo de emergência. Face a tantas novas despesas, é natural que pense que é difícil reservar uma parcela para poupar. Contudo, constituir um fundo de emergência é um passo fundamental para acautelar possíveis imprevistos.  

Imprevistos acontecem, especialmente quando se tem uma casa. Imagine que a máquina de lavar avaria ou tem um problema na canalização. São cenários que podem acontecer. Pode começar devagar, a colocar 10, 20 ou 30 euros por mês no seu fundo de emergência e ir aumentando à medida que o tempo passa.  

Como o nome indica, este dinheiro só deve tocar neste dinheiro em caso de emergência. O objetivo de um fundo de emergência não deve ser fazer férias ou comprar aquele gadget com que sonha há tanto tempo. Para isso deve fazer outros mealheiros.  

Como foi referido inicialmente, comprar uma casa e sair de casa dos pais traz consigo uma série de responsabilidades. Traçar um orçamento mensal é essencial para saber exatamente quais são os encargos fixos com que tem de contar e, assim, ter uma vida financeira mais equilibrada.  

Leia ainda: Quanto tem no seu Fundo de Emergência? 

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