O Banco Central Europeu (BCE) decidiu voltar a cortar os juros pela sexta vez consecutiva, com uma redução de 25 pontos base. A taxa aplicada aos depósitos paga pelos bancos cede assim para 2,5%, de acordo com o comunicado publicado esta quinta-feira pela autoridade monetária.
Atualmente, o BCE tem nas mãos três taxas com as quais combate a inflação, subindo-as quando os preços aceleram e diminuindo quando a economia ou/e a inflação enfraquecem, no entanto, a taxa aplicada aos depósitos é considerada a taxa de juro primaz, ou como se diz no jargão de política monetária, o juro diretor.
Mas qual o impacto na sua carteira? Quando o BCE corta ou sobe os juros o efeito dá-se em cadeia começando na relação do banco central com a banca comercial, que impacta os empréstimos e depósitos entre instituições financeiras, um custo ou benefício que acaba repercutido no juro recebido ou pago pelo cliente na relação que tem com o banco, seja através de empréstimos (custo para o cliente) ou depósitos (onde lhe é paga uma remuneração, caso seja a prazo).
Os bancos centrais relacionam-se com as instituições financeiras através do mercado aberto e aqui realizam empréstimos a curto prazo – chegando mesmo a ser apenas de um dia – e médio prazo e recebem depósitos destas mesmas instituições.
Os bancos também emprestam e depositam dinheiro entre si, no mercado monetário onde, naturalmente, refletem o custo que pagam ao banco central. E nesta relação há instituições com uma palavra a dizer sobre a sua carteira.
Isto, porque é pela média das taxas de juros praticadas em empréstimos interbancários em euros por um painel constituído por 52 grandes instituições bancárias europeias, uma elite onde o único nome português incluído é a Caixa Geral de Depósitos (CGD), que atualiza diariamente o valor da Euribor, o indexante mais utilizado nos empréstimos a taxa variável e mista.
Atualmente, 61,4% dos empréstimos à habitação em Portugal estão indexados à taxa variável. A Euribor é praticada em várias maturidades até 12 meses, sendo o prazo mais utilizado no crédito a habitação o de seis meses. Ou seja, a cada seis meses o juro que paga pode mudar e subir ou descer, mediante os juros diretores sejam aumentados ou reduzidos pelo banco central.
A Euribor tem estado em queda, em várias maturidades, não só desde que o BCE começou a cortar os juros em setembro, como antes, devido à expectativa do mercado (incluindo bancos) que começaram a incorporar nos custos dos empréstimos e depósitos uma elevada probabilidade (que se veio a confirmar) de inversão da política monetária levada a cabo pela instituição liderada por Christine Lagarde.
Atualmente, as taxas Euribor estão, em vários prazos, em torno dos 2,5%. Em janeiro, a taxa de juro média paga pelos empréstimos (incluindo os valores praticados com taxa fixa e mista) cifrou-se nos 3,22%.
Depósitos pagam menos do que o juro diretor
Por sua vez, os juros dos depósitos caem há 13 meses consecutivos e, portanto, também há mais tempo do que o BCE corta os juros, devido às expectativas do mercado.
Em janeiro, a taxa de juro média paga pelos depósitos a prazo foi de 1,99%, bastante abaixo da taxa do BCE aplicada aos depósitos, que no final desse mês estava fixada em 3%.
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