Para a generalidade das famílias portuguesas, a compra de casa é um dos maiores investimentos que fazem ao longo da vida. Se, em 2026, se prepara para dar esse passo, tenha em conta um conjunto de fatores que deve considerar.
Desde logo, o custo da habitação, em Portugal. Os preços das casas mantêm-se elevados, sobretudo nalgumas zonas do país, pelo que a compra de um imóvel terá, provavelmente, um importante impacto no seu orçamento familiar.
Além disso, pode ter de fazer um empréstimo para comprar casa. Nesse caso, tenha em atenção a sua taxa de esforço, ou seja, a percentagem do seu rendimento líquido que será canalizada para o pagamento de todos os créditos. De acordo com as recomendações do Banco de Portugal, este valor não pode exceder os 50% – no entanto, de acordo com as boas práticas das finanças pessoais, uma taxa de esforço saudável deverá até ser inferior a 30 ou 35%.
Considere ainda outros encargos que terá na aquisição, como o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e o Imposto do Selo, por exemplo. Isto sem esquecer as despesas fixas após a compra, como os prémios dos seguros, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) ou o condomínio.
Uma vez ciente do peso financeiro que a compra da casa e um eventual crédito possam ter, defina bem as suas necessidades para fazer a melhor escolha. Da localização à área do imóvel, estes fatores vão influenciar não só o seu bem-estar, como o preço da casa que comprar.
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Condições do crédito habitação
Obter um empréstimo com condições vantajosas e ao menor custo possível deve ser o seu objetivo. Para tal, não se fixe somente no valor do spread ou na taxa anual nominal (TAN). É a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) que reflete o custo total do crédito, incluindo os juros, comissões, seguros e impostos. Quanto mais baixa for a TAEG, menos pagará pelo crédito.
Além disso, deverá ter em conta que os bancos financiam, normalmente, até 90% do valor do imóvel. Deverá, por isso, dispor de capitais próprios para a entrada inicial.
Caso tenha até 35 anos, poderá, contudo, beneficiar da garantia pública para o crédito habitação. Através deste mecanismo, jovens que cumpram um conjunto de requisitos podem obter 100% de financiamento junto do banco, ficando o Estado como fiador de até 15%.
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Taxa fixa ou variável?
Quando decidir avançar com o crédito habitação, terá de decidir se prefere contratar um empréstimo com taxa variável, taxa fixa ou taxa mista. Veja em que consistem:
- Taxa variável – A taxa de juro resulta da soma do spread (margem de lucro do banco) e da Euribor a 3, 6 ou 12 meses. Ao longo do contrato, a prestação é atualizada consoante a variação da Euribor.
- Taxa fixa – A taxa de juro mantém-se inalterada ao longo de todo o contrato, independentemente da conjuntura económica.
- Taxa mista – Combina um período de taxa fixa (normalmente, entre 1 e 10 anos) com taxa variável pelo tempo restante do crédito.
Optar entre um ou outro tipo de taxa vai depender do que valoriza: com a taxa fixa garante maior previsibilidade, já que a prestação não sofrerá alterações, independentemente das subidas e descidas da Euribor. No entanto, em condições normais, a taxa de juro será mais elevada do que a de um contrato com taxa variável.
Já optando pela taxa variável, estará mais exposto às flutuações do mercado: se a Euribor subir, a prestação da casa sobe, se descer, pagará menos por mês ao banco.
Até há poucos anos, a esmagadora maioria dos contratos tinha taxa variável. No entanto, com a subida das taxas de juro, iniciada em 2022, as prestações da casa subiram exponencialmente, num curto espaço de tempo. Muitas famílias viram-se a braços com uma situação financeira difícil e inúmeras delas renegociaram ou transferiram os seus créditos para outros bancos com condições mais vantajosas. Foi neste contexto que a taxa mista ganhou terreno.
Atualmente, a maioria dos bancos mantém a oferta de taxa mista. Segundo dados do Banco de Portugal, em 2025, os créditos com taxa mista representaram 72% do total de novos contratos, ligeiramente abaixo dos 73% registados em 2024.
O que esperar dos juros em 2026?
Após um período marcado por subidas rápidas das taxas de juro, o momento atual parece ser de maior estabilização. Segundo o Banco de Portugal, em 2025, as taxas de juro médias dos novos contratos de crédito habitação desceram, fixando-se em 2,84%.
No início de fevereiro, o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro diretoras inalteradas, pela quinta vez consecutiva, nos 2%. A Euribor, indexante dos contratos de crédito habitação com taxa variável, tende a acompanhar a tendência das taxas diretoras. Como tal, espera-se que ronde os 2% ao longo de 2026.
Ainda assim, ao preparar a compra de casa, é importante acautelar eventuais subidas dos juros e garantir que tem condições para cumprir o pagamento do crédito.
Despesa com a compra de casa
Ao comprar casa, terá também de garantir que tem capitais próprios que cubram outros encargos além da entrada. Desde logo, o pagamento do IMT e do Imposto do Selo, feito imediatamente antes ou no ato da escritura.
Além disso, terá de pagar os encargos com a própria escritura, sendo que, se recorrer ao serviço Casa Pronta, o custo é de 375 euros.
Se contratar crédito habitação, terá ainda de liquidar o Imposto do Selo de 0,6% sobre o valor financiado, as comissões iniciais do crédito (cujo valor varia de banco para banco e pode ser de centenas de euros), entre outras despesas.
Assim, se comprar um imóvel em Portugal Continental, no valor de 250 mil euros com um financiamento bancário de 200 mil euros, por exemplo, deverá prever para estas rubricas os seguintes valores:
- IMT e Imposto do Selo: 9.042,04 euros
- Escritura: 375 euros
- Imposto do Selo sobre o crédito: 1.200 euros
Se tiver até 35 anos, pode ficar isento de alguns destes encargos. No âmbito das medidas de apoio à habitação, os jovens que cumpram os requisitos pré-definidos têm direito à isenção de IMT, Imposto do Selo e emolumentos da escritura na compra da primeira casa.
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Encargos após a compra: dos seguros ao condomínio
A casa é sua e, se tiver contratado um empréstimo, todos os meses terá de pagar a prestação ao banco. Mas esta não será a única despesa a considerar.
Anualmente, deverá liquidar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) que, dependendo do valor, pode ser pago numa, duas ou três prestações. Além disso, contabilize também os prémios do seguro de vida associado ao crédito habitação e do seguro multirriscos habitação.
Se viver num imóvel em propriedade horizontal, como um prédio, terá ainda de pagar as despesas de condomínio.
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O que avaliar antes de escolher um imóvel
Quando não têm a possibilidade de comprar a pronto pagamento, muitas pessoas iniciam o processo da compra de casa pela pré-aprovação do crédito habitação, antes mesmo de terem um imóvel concreto em vista. Este passo permite conhecer, antecipadamente, o montante máximo que o banco está disponível para emprestar, bem como a prestação mensal expectável.
A escolha do imóvel não tem, como tal, de ser a primeira etapa da preparação da compra de casa. Ainda assim, quando esse momento chegar, há critérios a que deve dar especial atenção.
Localização
Não basta gostar da zona. É importante que confirme se é um local com bons acessos, com rede de transportes públicos, seguro, próximo de serviços e equipamentos que lhe possam ser úteis (como creches ou escolas, se tiver filhos).
A localização terá, certamente, muito peso no preço do imóvel e também no seu potencial de valorização. Se comprar uma casa bem localizada e pensar vendê-la no futuro, à partida, estará mais valorizada. Pelo contrário, se optar por um imóvel com um preço mais baixo, numa localização menos privilegiada, poderá não conseguir fazer um negócio tão interessante. Ainda assim, longe dos centros urbanos, é, em muitos casos, mais fácil comprar casas com áreas mais generosas a preços mais competitivos.
Ao escolher a localização da casa, faça também as contas aos encargos com deslocações diárias para o emprego, se for o caso. Se, por outro lado, trabalhar remotamente, uma maior distância entre a residência e o local de trabalho poderá não ser um problema.
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Tipologia e área do imóvel
Faça ainda uma boa reflexão sobre as suas reais necessidades. Ao preparar a compra de casa, defina com a maior exatidão possível as características e requisitos que, para si, são imprescindíveis e aquelas de que pode prescindir.
Tenha em conta não apenas a sua situação atual, mas também as necessidades futuras. Por um lado, é desejável estar consciente do custo acrescido que uma divisão a mais, e eventualmente dispensável, pode representar no preço de um imóvel. Por outro, se tenciona aumentar a família num futuro próximo, pode ser mais razoável optar por uma habitação maior e mais cara, mas que garanta que não terá de mudar de casa nos próximos anos.
