Devido às expetativas sobre a evolução dos preços da habitação, os bancos adotaram critérios “ligeiramente mais restritivos” para a concessão de crédito a particulares, nos últimos três meses de 2025. Ainda assim, e segundo os dados recolhidos pelo Banco de Portugal junto da banca, tal não terá tido impacto na oferta deste produto. Além disso, não se antecipam alterações para o primeiro trimestre deste ano.
O certo é que o preço das casas parece não dar sinais de abrandar. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no 3.º trimestre de 2025, registou-se o maior aumento desde que há registos. A subida face ao mesmo período do ano anterior foi de 17,7%.
Esta tendência é corroborada pelos dados do Eurostat. Segundo o House Price Index, o aumento médio dos preços da habitação em Portugal mais do que duplicou entre 2015 e 2023.
A escassez da oferta e de mão-de-obra, bem como o aumento dos preços de construção levaram a Comissão Europeia a admitir ser pouco provável que o preço das casas em Portugal baixe no curto prazo.
Sem surpresas, o aumento dos preços dos imóveis tem tido impacto na taxa de esforço das famílias que recorrem a financiamento para comprar casa. De acordo com o primeiro relatório do Observatório Imobiliário em Portugal do Doutor Finanças, em média, a percentagem do rendimento líquido de um casal destinado à prestação da casa é de 53%. Nalgumas regiões do país, esta fatia é ainda maior.
Garantia pública com impacto na maior procura de crédito habitação
O inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito revela também que, do lado da procura, ocorreu um ligeiro aumento tanto no crédito habitação como no crédito ao consumo, em comparação com o trimestre anterior. De acordo com o Banco de Portugal, o pacote de medidas para o mercado da habitação – em que se inclui, por exemplo, a isenção de Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e de imposto do selo ou a garantia pública no crédito habitação para jovens até aos 35 anos – poderá ajudar a explicar este pequeno aumento no segmento da habitação.
Os dados mais recentes sobre o uso da garantia pública foram conhecidos no início do ano. Segundo o regulador, entre janeiro e novembro de 2025, os destinatários da medida já tinham esgotado 626 milhões de euros, ou seja, 52,8% do montante global. No mesmo período, 42% dos contratos celebrados por jovens até 35 anos beneficiaram da garantia do Estado.
Este mecanismo de apoio à habitação jovem permite aos compradores obterem um empréstimo no valor total do imóvel, ficando o Estado como fiador de até 15% do montante contratado.
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