Para quem compra casa, a eficiência energética do imóvel é, hoje em dia, um critério tão valorizado como a área ou o seu estado de conservação. Seja pelo peso da fatura da energia no orçamento familiar ou pela importância do conforto térmico, perceber se uma habitação é energeticamente eficiente tornou-se uma preocupação para muitos compradores. Afinal, se o imóvel não reunir as condições desejadas, poderá ser necessário investir em obras ou instalar novos equipamentos, aumentando o custo total da compra.
Assim, antes de avançar com a compra, saiba o que deve verificar durante as visitas, como interpretar o certificado energético e de que forma pode antecipar eventuais custos de melhoria no seu orçamento.
Avalie o isolamento térmico, as portas e as janelas
Para perceber se a casa que está a pensar comprar é eficiente, comece por observar alguns aspetos, desde a primeira visita. Portas e janelas, bem como o pavimentos e as paredes influenciam a capacidade de manter uma temperatura agradável no interior, tanto no inverno como no verão.
Por isso, são bons pontos de partida para perceber se o imóvel oferece boas condições de conforto ou se poderá exigir melhorias após a compra.
O que observar nas paredes, na cobertura e nos pavimentos
O isolamento térmico de um imóvel pode não ser observável, a olho nu, pelo que o ideal é perguntar ao proprietário ou à imobiliária que soluções foram utilizadas e se existem informações sobre obras anteriores. Entre os materiais utilizados podem estar a lã mineral (lã de rocha ou lã de vidro), o poliestireno e a cortiça. Se a casa vier a precisar de melhorarias no isolamento térmico, estas são soluções a considerar.
Ainda assim, durante a visita, procure sinais de condensação, humidade ou bolor nas paredes, nos cantos das divisões e junto aos tetos e às janelas. Estes indícios podem estar relacionados com problemas de:
- Isolamento;
- Infiltrações;
- Pontes térmicas;
- Ventilação insuficiente.
Se vir sinais relevantes, procure perceber a sua origem antes de avançar com a compra.
Além destes detalhes, a localização do imóvel no edifício também merece atenção. Casas no último piso, no rés do chão ou com várias paredes em contacto com o exterior podem estar mais expostas às variações de temperatura, dependendo da construção e do isolamento existente.
Como avaliar as janelas e a caixilharia
As janelas e as portas exteriores são outro ponto importante a avaliar, porque podem permitir a entrada de ar e contribuir para perdas de calor ou para o sobreaquecimento da habitação. Durante a visita, confirme se os vidros são simples ou duplos e observe o estado da caixilharia e das borrachas de vedação. Verifique também se as janelas abrem e fecham sem dificuldade e se existem folgas, correntes de ar ou sinais de desgaste.
O ruído exterior pode ajudar a avaliar o isolamento acústico dos vãos, e também dar algumas pistas sobre o desempenho térmico de portas e janelas. Se notar problemas, procure saber se é possível melhorar a vedação ou se poderá ser mesmo necessário substituir estes elementos.
Optar por janelas eficientes pode reduzir em cerca de 30% a energia consumida numa habitação, por isso pode ser uma solução a ponderar por quem pretende melhorar a eficiência energética do imóvel. No entanto, há que considerar estes custos no valor a pagar pela casa nova.
Ventilação
As janelas e portas para o exterior são a forma mais eficaz de renovar o ar. No entanto, há casos em que pode ser preciso recorrer a sistemas de ventilação mecânica. Procure saber como funcionam e que manutenção exigem. Uma ventilação adequada ajuda a controlar a humidade e a reduzir a acumulação de poluentes no interior.
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Orientação solar e luz natural e ventilação
A orientação solar também influencia o conforto de uma casa e as necessidades de climatização. Para muitos compradores é mesmo um fator de exclusão ao escolherem um imóvel. Em Portugal, as divisões viradas a norte recebem menos sol direto, tendendo a ser mais frias e a necessitar de mais aquecimento no inverno.
Já a exposição a sul permite, normalmente, aproveitar melhor a radiação solar durante o dia, o que pode ajudar a aquecer a casa nos meses frios. Por sua vez, as divisões viradas a poente recebem sol sobretudo durante a tarde, podendo aquecer bastante no verão.
Se possível, visite o imóvel em diferentes horários para verificar melhor as condições da exposição solar. Observe ainda se as divisões têm luminosidade suficiente durante o dia. A dimensão e a orientação das janelas, bem como o eventual sombreamento de prédios vizinhos influenciam a quantidade de luz e de calor que entra na habitação.
Sistemas de aquecimento, arrefecimento e água quente
Os equipamentos de aquecimento, arrefecimento e produção de água quente influenciam o conforto da habitação e os encargos com a fatura da energia. Antes de comprar casa, procure perceber que soluções estão instaladas, em que estado se encontram e se respondem às suas necessidades.
Esta análise também é relevante, pois a substituição destes equipamentos ou a instalação de novos sistemas pode representar um custo adicional a considerar no orçamento.
Aquecimento e arrefecimento
Comece por identificar as soluções existentes, tais como:
- Ar condicionado;
- Bomba de calor;
- Aquecimento central;
- Aquecedores elétricos.
Observe o seu estado de conservação e pergunte quando foram instalados e se têm sido sujeitos a manutenção. Se possível, peça informações sobre o funcionamento e os consumos habituais, bem como sobre eventuais reparações ou problemas recorrentes. Averigue ainda se lhe parecem capazes de climatizar as divisões de que precisa e se são adequadas às características da habitação.
Produção de águas quentes sanitárias
A forma como a água quente é produzida também influencia a fatura energética. Entre as soluções mais comuns encontram-se:
- Esquentadores;
- Termoacumuladores;
- Caldeiras;
- Bombas de calor ou termoacumuladores.
Se existirem painéis solares ou outros equipamentos de aproveitamento de energia renovável, confirme se estão operacionais e se necessitam de manutenção. De um modo geral, se tiver dúvidas sobre o estado ou o funcionamento destes equipamentos, peça documentação sobre a instalação e a manutenção ou solicite uma avaliação técnica.
Checklist: O que verificar antes de comprar casa
Consulta do certificado energético é fundamental
O isolamento térmico, as janelas, a orientação solar e os sistemas de aquecimento e arrefecimento são alguns dos fatores que influenciam o desempenho energético de uma casa. Observar estes aspetos numa visita ao imóvel é importante, mas não dispensa a consulta do certificado energético, que tem de ser obrigatoriamente disponibilizado pelo vendedor.
Este instrumento permite obter uma visão mais completa sobre o desempenho energético do imóvel, perceber que características influenciam o consumo de energia e identificar possíveis melhorias. Ou seja, tem um papel importante na antecipação de intervenções que podem representar um investimento adicional após a compra.
Como interpretar a classe energética?
A classificação energética dos imóveis varia entre A+ (mais eficiente) e F (menos eficiente). Esta resulta da análise de vários elementos – incluindo o isolamento, eficiência das janelas, climatização, mas também a idade e a localização do imóvel – que permitem perceber quanta energia será necessária para aquecer e arrefecer a habitação e ainda produzir água quente, em condições normais de utilização.
Dependendo do resultado, o imóvel obtém uma classificação, com base numa escala com oito níveis de eficiência:
Classe energética | Desempenho energético | Características do imóvel |
A e A+ | Muito eficiente | Bom isolamento térmico, janelas eficientes, sistemas modernos de climatização e menor consumo de energia para garantir conforto. |
B e B- | Eficiente | Comum em construções recentes ou em imóveis que beneficiaram de obras de melhoria energética relevantes. |
C | Moderadamente eficiente | Níveis aceitáveis de eficiência, mas com algumas limitações ao nível do isolamento ou dos equipamentos técnicos. |
D e E | Pouco eficiente | Frequente em edifícios mais antigos, sem intervenções significativas de reabilitação energética. Pode implicar consumos mais elevados. |
F | Muito pouco eficiente | Fraco isolamento térmico, sistemas menos eficientes e maior necessidade de consumo energético para assegurar condições mínimas de conforto. |
Que informações deve procurar no certificado?
Além da classe energética, consulte os elementos que ajudam a perceber como se comporta o imóvel e que melhorias podem ser necessárias. Preste especial atenção aos seguintes aspetos:
- Isolamento térmico: Características das paredes, da cobertura, dos pavimentos e das janelas, que influenciam a capacidade de manter uma temperatura interior confortável;
- Sistemas instalados: Soluções de aquecimento, arrefecimento e produção de águas quentes sanitárias, bem como a respetiva eficiência;
- Medidas de melhoria recomendadas: Intervenções que podem contribuir para melhorar o desempenho energético da habitação;
- Custos e benefícios estimados: Quando indicados, os valores associados às melhorias propostas e os resultados esperados.
Estas informações permitem identificar aspetos que merecem uma análise mais aprofundada e perceber se poderá ser necessário investir em obras ou substituir equipamentos. Se o certificado recomendar intervenções relevantes, pondere pedir orçamentos antes de avançar com a compra.
Inclua a melhoria do desempenho energético no orçamento
Na compra de casa, é importante considerar não só o preço do imóvel, mas também o investimento que poderá ser necessário para melhorar o seu desempenho energético. Para isso, tanto a informação que consta no certificado energético como os problemas que conseguir detetar nas visitas que fizer à habitação serão úteis para identificar as melhorias prioritárias e estimar o seu custo.
Entre as mais comuns, encontram-se:
- Reforço do isolamento térmico, para melhorar a capacidade de manter uma temperatura confortável no interior;
- Substituição de janelas ou caixilharias, reduzindo a entrada de ar e as perdas de calor;
- Instalação ou substituição de equipamentos de climatização, como sistemas de aquecimento ou de ar condicionado;
- Melhoria da produção de água quente, através da substituição dos equipamentos existentes por termoacumuladores, bombas de calor ou esquentadores inteligentes;
- Correção de problemas de ventilação, sobretudo quando dificultam a renovação do ar ou contribuem para a acumulação de humidade.
Embora deva verificar que intervenções podem ser, eventualmente, necessárias, é importante distinguir as obras imprescindíveis para resolver determinados problemas das melhorias que, não sendo indispensáveis, aumentam o conforto e a eficiência energética da casa. Esta análise ajuda a estabelecer prioridades e a perceber quais os investimentos que não devem ser adiados.
Peça orçamentos antes de fechar a compra
Se identificar intervenções relevantes, pedir orçamentos a profissionais qualificados antes de concluir o negócio pode ser útil para fazer uma estimativa dos custos. Sempre que possível, compare propostas que incluam trabalhos e materiais semelhantes. Para isso, considere:
- O valor das obras e dos materiais;
- A eventual necessidade de substituir equipamentos;
- A prioridade e a urgência de cada melhoria;
- As intervenções que possam depender do condomínio.
Como usar esta informação na negociação do preço?
A eficiência energética pode ser um dos elementos a considerar na negociação do preço de uma casa. Se o certificado identificar melhorias relevantes ou se a visita revelar problemas que exigem obras, essa informação pode ajudar a fundamentar uma proposta de compra. O preço pedido deve ter em conta os seguintes aspetos:
- Comparação com imóveis semelhantes: Tenha em conta a localização, a área, o estado de conservação e a eficiência energética;
- Identifique as obras necessárias: Consulte o certificado energético e procure esclarecer os problemas detetados durante a visita;
- Calcule o investimento adicional: Obtenha orçamentos para as intervenções mais relevantes e estime o custo total após a compra;
- Fundamente a proposta: Utilize as informações e os valores recolhidos para justificar uma eventual negociação.
Tenha, no entanto, em conta que, apesar de poder sempre negociar o preço de venda do imóvel, o vendedor não é obrigado a reduzi-lo pelo facto de a casa ter uma classe energética mais baixa ou necessitar de melhorias.
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A eficiência energética pode influenciar o crédito habitação?
A eficiência energética pode ser relevante na escolha do crédito habitação, uma vez que alguns bancos disponibilizam soluções bonificadas para imóveis com elevado desempenho energético. Como tal, antes de escolher uma proposta, confirme junto de cada instituição se existem produtos destinados à compra de habitações energeticamente eficientes e quais os requisitos para os obter.
Já se estiver a considerar comprar um imóvel que precisa de obras para melhorar o seu desempenho energético, informe-se igualmente sobre as soluções de financiamento disponíveis e confirme se as intervenções previstas – como a instalação de janelas mais eficientes ou o reforço do isolamento, por exemplo – são elegíveis.
Eficiência energética: 8 aspetos a confirmar antes de comprar o imóvel
Antes de avançar com a compra, use esta checklist para avaliar os principais aspetos que influenciam o desempenho energético da habitação.
Aspeto a verificar | O que deve confirmar |
Certificado energético | Classe energética, indicadores de desempenho e melhorias recomendadas. |
Isolamento térmico | Existem soluções de isolamento nas paredes, na cobertura e nos pavimentos? Há sinais de humidade ou bolor? |
Janelas e portas | Têm vidros duplos? A caixilharia está em bom estado? Existem correntes de ar? |
Orientação solar | A casa recebe luz natural suficiente? Existem edifícios ou outros obstáculos que reduzam a exposição solar? |
Ventilação | É possível renovar o ar de forma eficaz? Existem sinais de condensação ou humidade? |
Aquecimento e arrefecimento | Que equipamentos estão instalados? Funcionam corretamente e têm a manutenção em dia? |
Água quente | Qual é o sistema de produção de água quente? Qual é o seu estado de conservação? |
Obras futuras | Que melhorias poderão ser necessárias? Quanto poderão custar? |
Esta análise prévia poderá ajudá-lo a antecipar custos, avaliar as necessidades de intervenção e comparar imóveis tendo em conta não só o preço de compra, mas também o investimento necessário e os encargos futuros com a fatura energética.
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Perguntas frequentes
Durante a visita, observe o estado das janelas e da caixilharia, procure sinais de humidade ou bolor, avalie a exposição solar e identifique os sistemas de aquecimento, arrefecimento e produção de água quente. Consulte também o certificado energético para conhecer a classificação do imóvel e as melhorias recomendadas.
A classe energética indica o nível de eficiência energética do imóvel, numa escala que vai de A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente). Esta classificação resulta da avaliação de fatores como o isolamento térmico, as janelas e os sistemas de aquecimento e produção de águas quentes.
A classe energética é apenas um dos fatores que influenciam o valor de um imóvel. Contudo, uma habitação mais eficiente pode ser mais atrativa para os compradores, devido aos menores custos de utilização, ao maior conforto térmico e à menor necessidade de futuras obras de reabilitação.
Além da classe energética, consulte as informações sobre o isolamento térmico, as janelas, os sistemas de aquecimento e arrefecimento e a produção de água quente. Veja também as medidas de melhoria recomendadas e os respetivos custos e benefícios estimados, quando disponíveis.
Pode valer a pena, mas deve avaliar as características do imóvel e os custos das intervenções necessárias. Peça orçamentos para as melhorias mais relevantes e some esses valores ao preço de compra. Assim, poderá comparar o investimento total com o de outras casas e perceber se a compra se enquadra no seu orçamento.
Embora a concessão do crédito dependa sobretudo da capacidade financeira do cliente, dados recentes do Banco de Portugal indicam que os bancos têm vindo a adotar condições ligeiramente mais favoráveis para imóveis com melhor desempenho energético e critérios mais exigentes para edifícios menos eficientes.
A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.
