5 opções para aplicar o subsídio de Natal

Todas as alturas são boas para poupar e o subsídio de Natal pode ser um incentivo para escolher uma boa aplicação para este rendimento extra.

O final de novembro é aquela altura do ano em que os portugueses (trabalhadores por conta de outrem) recebem um rendimento extra. O subsídio de Natal, grande parte das vezes, já tem destino antes de chegar à conta bancária. O seguro do carro, aquela despesa extra, a compra de bens para a casa que tem sido adiada e uma variedade de outras opções para gastar o dinheiro que se recebe naquele que é conhecido por 13.º mês.

Tendo em conta o aumento substancial do custo de vida que as famílias enfrentam este ano, o salário “duplicado” este mês pode representar um alívio para fazer face ao impacto da subida dos preços dos bens e serviços.

Para as famílias que têm a capacidade financeira para pagar as despesas correntes ou extraordinárias sem recorrer ao subsídio de Natal, a melhor opção passa por aplicar o dinheiro em soluções de poupança para o futuro.

Um salário extra, por si só, não dará para efetuar uma aplicação significativa. Mas pode representar o início de uma solução de poupança, ou então o reforço de uma aplicação que já tenha sido constituída.

Apresentamos cinco opções que podem ser atrativas para aplicar o subsídio de Natal, consoante o seu perfil de risco.

Amortizar dívidas

Antes de pensar em aplicar o seu dinheiro, deve primeiro olhar para as dívidas. Para definir se é mais favorável amortizar empréstimos ou investir, deve comparar as taxas de juro das duas opções. Se não tem perspetiva de obter um rendimento superior ao que pode poupar com o fim do crédito, então deve optar por amortizar a dívida.

O atual contexto favorece esta última opção, pois as taxas de juro vão continuar a subir e deverão perdurar em níveis elevados por algum tempo. O agravamento da política monetária chega de forma mais célere aos juros dos créditos, enquanto os juros dos depósitos ainda persistem em níveis muito reduzidos.

Quando se pensa em amortizar créditos, deve sempre selecionar primeiro os que apresentam as taxas de juro mais elevadas. Tendo sempre em atenção as comissões que acarretam esta decisão, será conveniente tratar primeiro dos créditos pessoais e ao consumo, até porque habitualmente são de montantes mais reduzidos.

Reduzir o número de créditos é sempre recomendável, mas não deixe de equacionar reduzir a prestação do seu crédito à habitação. O custo mensal do empréstimo representa uma fatia considerável das despesas familiares, pelo que todo o esforço para mitigar este fardo deve ser tido em conta.

Não fará sentido usar o subsídio de Natal para amortizar parte do crédito à habitação. Mas pode utilizar este dinheiro para acumular poupança de modo a baixar o valor da dívida ao banco quando atingir um montante que se possa traduzir numa redução significativa na prestação mensal.

Quando as taxas de juro estavam em mínimos históricos, amortizar o crédito à habitação era menos apetecível, pois o pagamento das prestações era quase na totalidade para reduzir o capital em dívida. Com as taxas de juro a caminharem para níveis em linha com a média histórica, faz sentido analisar as vantagens de amortizar o crédito. Recorrendo até a poupança que tenha aplicada em produtos que podem não estar a gerar o retorno desejado.

Leia ainda: Crédito habitação: Amortização antecipada livre de comissões em 2023

Certificados de Aforro

Os certificados de Aforro são, nesta altura, a melhor alternativa entre as soluções de capital garantido, pelo que se pretende uma opção de risco muito reduzido, este produto de poupança do Estado é a escolha mais acertada.

A subida acentuada das taxas Euribor, à boleia da subida de juros do Banco Central Europeu, tem reforçado a atratividade dos Certificados de Aforro. As subscrições efetuadas em novembro já oferecem uma rendibilidade bruta de 2,492%, o que corresponde a uma remuneração líquida de 1,79% (taxa liberatória de 28%).

Tendo em conta a elevada inflação (acima de 10% em outubro), em termos reais o retorno ainda é negativo. Mas as perspetivas são positivas, pois é elevada a probabilidade de a taxa dos certificados de Aforro continuar a subir ao longo dos próximos meses.

O retorno deste produto está indexado à evolução da Euribor a 3 meses, sendo acrescentado um adicional de 1 ponto percentual. Se forem confirmadas as espectativas de o BCE subir os juros até (pelo menos) 2,5% no próximo ano, os certificados de Aforro vão atingir a taxa máxima de 3,5%. Acresce queexiste um prémio de permanência (0,5% entre o início do segundo ano e o fim do quinto ano, e 1% a partir do início do sexto ano).

Este produto tem ainda outro fator que reforça a sua atratividade numa lógica de destino de poupança de longo prazo, com destaque para o facto de os juros serem capitalizados ao fim de cada três meses. A liquidez é muito elevada (o resgate fora do período de vencimento só ameaça os juros desse curto período) e os reforços podem ser efetuados a qualquer altura.

Uma simulação de um investimento de 2.000 euros em novembro deste ano, aponta para um capital ligeiramente acima de 2.500 euros no final dos 10 anos da aplicação, o que corresponde a uma taxa de juro efetiva bruta de 3,22%.

Os certificados de Aforro têm um prazo de 10 anos, um mínimo de subscrição de 100 euros (100 unidades a 1 euro cada) e um máximo de 250 mil euros, e os juros são capitalizados a cada três meses (a taxa é alterada no fim de cada período). Podem ser subscritos nos balcões dos CTT, nos Espaços Cidadão e através do site AforroNet (tem de ser aderente). Ao subscrever certificados de Aforro, está a emprestar dinheiro ao Estado Português, sendo o risco de perda de capital muito reduzido.

Leia ainda: Como subscrever certificados de aforro?

PPR

Os planos de poupança reforma (PPR) são a escolha mais comum quando se está a guardar dinheiro para a reforma. São várias as vantagens, destacando-se a fiscalidade, adequação ao perfil de risco e investimento de longo prazo.

São também um destino apropriado para o subsídio de Natal, pois os PPR funcionam numa lógica de contribuições regulares, em que é possível efetuar reforços a qualquer altura. Se ainda não tem nenhum, o rendimento extra neste mês pode ser uma oportunidade para subscrever pela primeira vez, dando início a um importante complemento para a sua reforma.

Existem PPR com níveis de risco diferentes, que deve selecionar em função do seu perfil e idade. Pode optar por um fundo de investimento poupança reforma, ou um seguro PPR, sendo que neste caso existem soluções de capital garantido, embora com perspetivas de retornos mais reduzidas.

A popularidade dos PPR está muito relacionada com os benefícios fiscais. As vantagens já foram mais elevadas, mas ainda são atrativas e comparam de forma favorável com a tributação de outros produtos tradicionais de poupança.

Quando subscreve um PPR garante uma dedução à coleta em sede de IRS correspondente a 20% do valor investido. Perde o benefício se resgatar antes do prazo legal e estes são os limites máximos dos benefícios:

  • 400 euros por sujeito passivo, até aos 35 anos;
  • 350 euros por sujeito passivo, entre os 35 e os 50 anos;
  • 300 euros por sujeito passivo, acima dos 50 anos.

Quando resgata o seu PPR, ou recebe o reembolso da aplicação, beneficia de uma taxa de IRS mais reduzida. Se receber na  forma de prestações regulares periódicas, é tratado fiscalmente como se fosse uma pensão. Se receber tudo de uma vez, a taxa efetiva de imposto é de 8% (taxa liberatória de 20% sobre 40% do valor). Pode resgatar sem penalizações em caso de fins específicos, como amortizar o crédito à habitação.

Leia ainda: Doutor Finanças lança PPR com objetivo de rendibilidade entre 7% e 9%

Fundo de obrigações

Os fundos de investimento são sempre uma boa opção para aplicar a poupança. Existem produtos com diferentes tipos de risco e que podem combinar variadas classes de ativos e geografias, oferecendo ao investidor um leque alargado de alternativas. A liquidez é elevada e o resgate pode ser efetuado a qualquer altura, mas não existe garantia de capital.

Os fundos especializados no mercado de obrigações têm uma classificação de baixo risco, que não é nada condizente com o desempenho em 2022. A campanha mais agressiva de subida de juros das últimas décadas, para responder à inflação elevada, penalizou fortemente as cotações dos títulos de dívida soberana (emitidos pelos países) e corporativos (emitidos pelas empresas). As cotações das obrigações variam em sentido inverso às yields.

A maioria dos fundos de obrigações comercializados em Portugal regista rendibilidades negativas próximas de dois dígitos em 2022, em linha com o desempenho no mercado global. O péssimo desempenho deste ano contagia também os retornos quando são analisados prazos mais longos, como é visível na tabela em baixo.

Fundos de obrigações com rendibilidade média anual negativa

Categorias de fundos de investimento

2022*

Últimos 2 anos

Últimos 5 anos

Fundos de Obrigações Taxa Indexada Euro

-3,97%

-2,10%

-1,05%

Fundos de Obrigações Euro

-9,80%

-5,27%

-1,68%

Fundos de Obrigações  Internacional

-9,03%

-4,53%

-2,27%

Fonte: APFIPP   

Dados até 11 de novembro de 2022 

* Rendibilidade efetiva

As perspetivas são atualmente mais animadoras, pois o ciclo de agravamento de juros já está mais próximo do fim e a economia mundial está a travar fortemente, um efeito combinado que favorece a rendibilidade das obrigações.

Fundo de ações

As ações também registam em 2022 um ano para esquecer, o que penalizou fortemente os fundos de investimento mais expostos a esta classes de ativos. Só os fundos de ações nacionais escapam a rendibilidades negativas, sendo que a maioria dos fundos sofre perdas superiores a 10%. Na análise temporal mais alargada, o desempenho é bastante positivo.

Este desempenho ilustra na perfeição como as ações são uma alternativa de investimento com risco muito alto e como este pode ser mitigado se a aplicação for efetuada numa lógica de longo prazo. Quem subscreveu um fundo de ações globais no início deste ano, está a perder mais de 10%. Quem o subscreveu há cinco anos, o investimento está a gerar uma rendibilidade média anual superior a 8% apesar das fortes quedas deste ano.

Fundos de ações sofrem perdas acentuadas em 2022

Categorias de fundos de investimento

2022*

Últimos 2 anos

Últimos 5 anos

Fundos de ações nacionais

6,12%

20,90%

2,98%

Fundos de ações ibéricas

-0,33%

11,10%

1,37%

Fundos de ações europeias

-10,95%

6,16%

0,41%

Fundos de ações da América do Norte

-23,10%

-0,64%

6,71%

Fundos de ações globais

-10,42%

8,70%

8,52%

Outros fundos de ações internacionais

-18,85%

-5,58%

-1,08%

Fonte: APFIPP   

Dados até 11 de novembro de 2022 

* Rendibilidade efetiva

A subida acelerada das taxas de juro dos bancos centrais para combater a elevada inflação explica as quedas expressivas das ações em 2022 e arrisca colocar a economia global numa recessão. Contudo, está a crescer a expectativa de que os índices acionistas já atingiram o fundo, o potencial de desvalorizações adicionais é limitado e que as ações já estão num nível considerado atrativo.

Se estiver disponível para aumentar o risco da carteira onde aplica as suas poupanças, um fundo de ações pode ser uma aposta certeira nesta altura, sobretudo se investir no longo prazo. As alternativas disponíveis entre as instituições financeiras em Portugal são muito diversas, sendo que também existem fundos de risco mais reduzido que combinam ações com outros ativos. É o caso dos fundos multi-ativos, que são classificados em função do perfil de risco (defensivos, moderados, equilibrados e agressivos).

Nasceu em 1977, sendo jornalista desde 1999. Iniciou a carreira no Jornal de Negócios, onde esteve mais de 20 anos, ocupando várias funções, sempre com foco no online. Atualmente é jornalista independente, assina a newsletter diária de mercados Morning Call e colabora de forma regular com o ECO. Formado em Gestão no ISEG, tem especial interesse por tudo o que está relacionado com os mercados financeiros.

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