Crianças

5 tarefas que podem criar bons hábitos financeiros nas crianças

Sabia que as tarefas domésticas podem criar bons hábitos financeiros nas crianças? Conheça cinco tarefas que podem ajudar.

Criar bons hábitos financeiros nas crianças é essencial para que estas cresçam com uma boa capacidade de gestão. E ao contrário do que pode pensar, existem inúmeras formas de aumentar a literacia financeira dos mais novos, seja através de conversas, livros, jogos, brinquedos ou até tarefas domésticas. Sim, é verdade. As tarefas domésticas representam um papel muito importante na hora das crianças desenvolverem bons hábitos, principalmente no consumo.

Segundo o estudo "European Consumer Payment Report 2017", publicado no Diário de Notícias no final desse ano, um em cada três pais portugueses entrevistados, sentiam pressão social para comprar bens aos seus filhos, mesmo não tendo capacidade financeira para tal. Por isso, é fundamental falar sobre dinheiro com as crianças e em família, de forma a não se criarem maus hábitos financeiros.

De seguida, vamos mostrar-lhe algumas formas de criar bons hábitos financeiros as crianças através de tarefas domésticas e alguns comportamentos.

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As tarefas diárias são uma ótima oportunidade para criar bons hábitos financeiros nas crianças

Em muitos lares portugueses não é normal as crianças estarem responsáveis por algumas tarefas domésticas. Afinal, no meio da correria do dia a dia sobra pouco tempo para passar alguns ensinamentos, e nem sempre é fácil motivar as crianças a terem determinadas responsabilidades. O mais comum quando se começa a distribuir tarefas, é as crianças ficarem responsáveis por arrumar os seus brinquedos, levantarem o seu prato da mesa ou outras pequenas responsabilidades.

No entanto, existem muitas outras tarefas domésticas que podem ser extremamente úteis para criar bons hábitos financeiros nas crianças, principalmente no que diz respeito aos hábitos de consumo. Mas para a criança ter uma associação positiva a esta experiência, a forma como atribui esta responsabilidade deve ser pensada com calma. Lembre-se que é muito mais simples incutir responsabilidades às crianças de uma forma lúdica, do que forçá-las a fazer algo que não querem. Se a introdução destas tarefas for realizada através de jogos e momentos divertidos em família, com o passar do tempo vão tornar-se num hábito que pode ser muito útil ao longo da vida.

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5 tarefas que podem criar bons hábitos financeiros nas crianças

Tal como referimos, existem inúmeras tarefas que podem ajudar na hora de criar bons hábitos financeiros nas crianças. Para ficar com uma breve ideia do que pode ajudar os mais novos, de seguida, damos o exemplo de cinco tarefas que criam bons hábitos financeiros aos seus filhos.

1 - Incentive o seu filho a identificar o que acabou na dispensa e precisa ser comprado

Gerir as finanças de uma família com filhos nem sempre é uma tarefa fácil. E por isso, é essencial desenvolver bons hábitos de consumo entre todos os membros desde tenra idade, respeitando sempre o orçamento familiar definido. E para que tal seja possível, devemos mostrar às crianças o que são compras essenciais e o que não são. Uma ótima forma de passar este tipo de ensinamento é através da identificação dos produtos essenciais que costumamos adquirir.

Para o seu filho ter uma melhor perceção deste conceito, desafie a criança a ser responsável pela identificação do que está a acabar na dispensa. Numa fase inicial esta atividade deve ser feita em conjunto com os pais, para a criança perceber o que deve ter em atenção. Incentive a procurar se falta leite, arroz, cereais, entre outros produtos que se consomem com regularidade na sua casa. Se o seu filho falar de algum produto que não é essencial, explique-lhe a diferença entre os produtos que são uma necessidade e aqueles que não são. Durante esta atividade, mostre-lhe que está a apontar as suas descobertas.

Este tipo de tarefa não só cria o bom hábito de analisar o que está em falta e é essencial ser adquirido, como também fortalece a autoestima da criança. Afinal, durante aquele período a criança sente-se útil e numa posição de responsabilidade.

2 - Em conjunto, façam uma lista de compras do que vai ser comprado

Depois do levantamento dos produtos e alimentos que estão em falta na sua casa, é hora de se debruçarem sobre a lista de compras. Se durante a atividade da identificação do que está em falta na dispensa a lista ficou quase concluída, chame o seu filho para ver a lista de compras. Lembre-se que é importante explicar o porquê da lista de compras ser essencial antes de ir ao supermercado. Afinal, as crianças não têm noção da importância de cumprir um orçamento familiar, e dos perigos que existem para o orçamento se formos ao supermercado sem lista.

No caso de o seu filho aproveitar as idas ao supermercado para pedir coisas e fazer birras quando os seus desejos não são realizados, então a criação de uma lista é ainda mais importante. E isto porquê? Porque pode explicar ao seu filho que apenas vão ser comprados os produtos que constam nessa lista. Se pretender comprar-lhe algum dos seus desejos, fale abertamente e pergunte-lhe se ele quer alguma coisa que não está na lista. Aqui o processo de negociação depende da própria dinâmica de cada família. Contudo, é importante que mostre ao seu filho que a compra de produtos que não são essenciais deve ser uma exceção e não um hábito.

Depois da lista estar terminada, reforce que o objetivo do jogo é não trazer nada mais do que está na lista.

3 - Leve o seu filho ao supermercado

Para concluir este processo, tem mesmo que levar o seu filho ao supermercado. As idas ao supermercado representam um desafio para muitos pais, uma vez que as crianças estão perante um universo de produtos que despertam a sua curiosidade, e por vezes levam a birras que se tornam num verdadeiro pesadelo. Mas desta vez, o objetivo é tornar a ida ao supermercado no último nível do jogo que implementou.

Antes de entrar no supermercado relembre o seu filho do jogo que estão prestes a começar. Se as compras forem feitas em conjunto com outros membros da família, pode fazer mais do que uma lista e dividir os produtos e alimentos entre duas listas. Assim pode abrir portas para um jogo entre equipas. Tente ao máximo criar uma experiência divertida e agradável, em que a criança se sinta útil e responsável. No final, o mais importante é não cometer nenhum deslize, e apenas adquirir o que estava escrito na lista.

Para além dos ensinamentos mais óbvios no processo de consumo, as crianças aprendem com maior facilidade quando estão expostas aos processos de seleção e de compra. Por isso, se pretende que o seu filho adquira bons hábitos financeiros deve inclui-lo nas idas às compras e aos poucos aumentar a sua responsabilidade.

4 - Envolva-o na poupança dos consumos diários

Outra das atividades que ajuda muito as crianças a desenvolverem bons hábitos financeiros e de consumo é estarem atentas aos desperdícios. E aqui é importante mostrar aos seus filhos que a poupança não passa apenas por juntar dinheiro. Afinal, se pouparmos nos consumos diários da eletricidade, da água e do gás, essa atitude vai ter um impacto nas finanças pessoais da família no final do mês. Para além disso, o planeta agradeça.

Dito isto, pode incentivar os seus filhos para atividades lúdicas que envolvam o controlo destes desperdícios. Este tipo de atividades pode ser feita dando a responsabilidade de cada um ficar como "fiscal" das luzes acesas, dos aparelhos ligados ou em standby quando ninguém está a usar, e por aí fora. É importante que estas atividades sejam feitas em família e, que, de alguma forma, todos estejam envolvidos e comprometidos.

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5 - Desenvolva o espírito empreendedor do seu filho com algo que ele goste e tenha jeito

Quando as crianças chegam a uma fase em que já recebem semanada ou mesada, por norma, já estão familiarizadas com alguns conceitos básicos de literacia financeira infantil. Nesta fase, é importante que os pais tentem explicar aos filhos o porquê de ser tão importante criar bons hábitos de gestão financeira. Contudo, nas alturas em que o seu filho pretenda comprar algo com um valor mais elevado, e as suas poupanças ainda não cheguem para realizar esse objetivo, pode tentar desenvolver o seu espírito empreendedor.

Por exemplo, imagine que o seu filho gosta de trabalhos manuais e até tem algum jeito para criar pequenas peças. Hoje em dia, a internet está cheia de tutoriais que ensinam a fazer diversos objetos com materiais reciclados, que não implicam um grande investimento. Por isso, pode incentivá-lo a criar peças e a vendê-las a amigos, familiares e até desconhecidos. E isto aplica-se a inúmeras atividades que podem ser do interesse dos mais novos.

Esta é uma ótima forma de o seu filho obter um rendimento extra através do seu próprio esforço e alcançar os seus objetivos. Ao contrário do que pode pensar, cada vez existem mais crianças que gostam deste tipo de atividades que desperta o seu espírito empreendedor. Para além disso, o empreendedorismo traz inúmeros benefícios para os mais novos, pois incentiva a proatividade, treina a resiliência, facilita a solução de problemas e desenvolve o seu sentido de compromisso. No final, as crianças tendem a ficar com uma visão mais ampla do mundo.

Quando uma tarefa deve ser paga a uma criança?

Durante este processo de implementar tarefas e criar bons hábitos financeiros nas crianças, é normal que lhe surjam dúvidas sobre quando é que uma tarefa deve ser remunerada ao seu filho. Embora a resposta possa variar consoante os critérios de cada um, deve sempre ter em atenção que existem tarefas que são da responsabilidade das crianças e outras que não são.

Por exemplo, se em casa o seu filho tem a responsabilidade de arrumar o quarto, essa tarefa não deve ser remunerada. O mesmo acontece com outras tarefas que tenha atribuído ao seu filho. Já no que diz respeito a tarefas que pagaria a alguém para fazer, não existe mal nenhum em remunerar a criança para tal, para a mesma conseguir ter um rendimento extra. Claro que é preciso ter cuidado para não criar hábitos negativos, mas regra geral, a procura de um rendimento extra surge de forma esporádica. E nesse aspeto, está a demonstrar ao seu filho que se ele trabalhar, será remunerado pelo seu esforço.

Todo este tipo de ensinamentos pode ter um forte impacto na idade adulta, uma vez que os seus filhos já estão habituados a lidar com diversas situações do mundo financeiro e profissional.

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Falar de dinheiro é essencial para criar bons hábitos financeiros nas crianças

Para criar bons hábitos financeiros nas crianças é importante que comece a introduzir conceitos de literacia financeira infantil desde tenra idade. Lembre-se que falar de dinheiro de forma positiva e informada, gera interesse por parte dos mais novos e cria uma associação positiva. Além disso, lidar com dinheiro é um processo natural que nos acompanha ao longo da vida, e quanto mais informados estivermos, melhor será a nossa capacidade de gestão, poupança e investimento.

Caso sinta alguma dificuldade em introduzir este tipo de temática, no portal do Doutor Finanças pode encontrar diversos artigos sobre literacia financeira infantil que o podem ajudar.

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