Vida e família

Como pedir um aumento de ordenado ao seu chefe

Sente dores de barriga de cada vez que pensa em pedir um aumento? O Doutor Finanças partilha algumas estratégias para abordar o assunto junto do seu chefe.

Lídia Dias Lídia Dias , 8 Janeiro 2020

Sente dores de barriga de cada vez que pensa em pedir um aumento? Aproxima-se do chefe e perde a coragem para abordar o assunto? Então, este artigo é para si. O Doutor Finanças partilha consigo algumas estratégias para pedir um aumento de ordenado.

Falar de dinheiro é desconfortável para muitas pessoas, especialmente quando diz respeito ao ordenado e a possíveis aumentos salariais. No entanto, a primeira coisa que deve ter em mente é que, se o seu desempenho tem sido acima da média, receber o valor justo pelo seu trabalho é um direito e não uma regalia.

Uma correta abordagem não só poderá resultar num aumento, como numa maior visibilidade das suas funções e do seu desempenho. Vencer a incerteza e defender um aumento salarial com base em argumentos válidos irá demonstrar as suas capacidades de negociação, de resolução de problemas e de superação. Continua nervoso? Prepare com antecedência a reunião com as nossas dicas.

Faça uma revisão dos últimos meses

A preparação começa com uma reflexão: no último ano, quantos desafios novos abraçou? Que tarefas novas assumiu e onde foi melhor sucedido? Fez uma formação onde adquiriu novas competências? Qual foi o seu impacto na equipa, no departamento e na organização? Lembra-se do feedback dos seus colegas? E do que os clientes lhe disseram?

Este exercício é duplamente útil. Por um lado, os chefes (especialmente com equipas de grande dimensão) podem não ter total visibilidade do que foi acontecendo ao longo do ano e este exercício irá proporcionar uma visão geral do seu desempenho.

Por outro lado, é um ótimo exercício de memória e autovalorização. Quão frequentemente reconhece os seus sucessos? Ainda se lembra das conquistas do início do ano? Faça este exercício com calma e paciência, num momento de tranquilidade, e use-o não só para preparar a reunião com o seu chefe, mas também para fazer uma autoavaliação.

2. Entenda o mercado de trabalho

Se trabalha na mesma empresa há alguns anos, é provável que o seu conhecimento do mercado de trabalho e respetivas condições estejam um pouco desatualizado. Esta é uma excelente oportunidade para perceber quanto ganham os profissionais da sua área e perceber se está acima, abaixo ou na média salarial do mercado.

Pesquise nos principais sites e agregadores de emprego. Através destas plataformas, pode perceber quais as oportunidades existentes, o nível salarial (muitos anúncios incluem a informação sobre o salário oferecido). Use o LinkedIn para encontrar outros profissionais da área e trocar algumas ideias.  

Plataformas como a GlassDoor podem ser bastante úteis nesta etapa: não só permitem entender o intervalo salarial como outro tipo de regalias comumente dadas pelas empresas (seguro de saúde, serviço de creche, acordos com ginásios, etc.). Se ainda não está familiarizado com o conceito de salário emocional, é uma boa altura para pesquisar sobre o assunto.

Por último, uma conversa circunstancial com os colegas pode dar-lhe mais alguns insights. Embora a maioria das pessoas sinta reserva em partilhar o valor do ordenado, alguns colegas mais próximos poderão dar-lhe informações sobre as médias salariais da empresa, podendo assim comparar a média com o seu ordenado.

Mas atenção: este passo é meramente informativo e tem como objetivo dar-lhe uma ideia do valor que deve pedir. Não leve para a reunião com o seu chefe comparações com colegas ou empresas da concorrência. Isso poderá ser mal interpretado e fazer cair por terra as suas boas intenções.

Prepare a conversa

Antes de falar com o seu chefe, reveja o discurso que quer usar, os argumentos que vai apresentar e, se possível, treine com alguém de confiança. Ao treinar, irá memorizar mais facilmente os argumentos que quer apresentar. Tendo memorizado os argumentos, o discurso sairá muito mais natural e conseguirá estar atento a outros aspetos não-verbais da conversa (como, por exemplo, o tom de voz e a postura).

O momento escolhido para a conversa é crucial. Tentar marcar uma reunião num dia complicado pode ser tão infrutífero como tentar apanhar o seu chefe na copa, a meio do café. O momento não precisa de ser formal, mas deve deixar bem claro que é uma conversa privada e que demorará mais do que cinco minutos. Fale com o seu chefe previamente, diga-lhe que gostaria de discutir sobre a sua carreira e pergunte-lhe qual a melhor altura para o fazer.

O que fazer depois da conversa com o chefe?

A conversa terminou. No cenário ideal, o seu chefe concordou consigo e apresentou-lhe um valor de aumento de ordenado. No pior dos casos, a sua proposta de aumento foi negada. Se este for o caso, será que pode uma alternativa favorável a ambas as partes (como, por exemplo, dias de férias extra ou um prémio no final do ano)?

Seja qual for o motivo, tem duas opções. Ou faz uma contraproposta (transformando o aumento salarial em benefícios, como dias extra de férias) ou talvez seja uma boa altura para procurar outro emprego. Use a informação que recolheu no primeiro passo e… boa sorte!  

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