Crédito

Qual o impacto das novas regras do crédito pessoal na vida das famílias

O Banco de Portugal voltou a colocar travões nos novos contratos de crédito pessoal. Mas quais os impactos que podem ter junto dos consumidores?

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 26 Março 2020

O Banco de Portugal tomou medidas preventivas, para tentar evitar que as famílias portuguesas se endividem de uma forma que, num contexto de inversão de ciclo, não consigam cumprir com todos os pagamentos.

Conheça as novas recomendações do Banco de Portugal no crédito ao consumo, que incluem a redução do prazo máximo de 10 para 7 anos, e saiba quais os impactos que têm para os consumidores.

Leia ainda: O que é o crédito pessoal?

Quais são as novas regras do crédito pessoal?

Um ano e meio depois de ter avançado com a medida macroprudencial para o crédito, onde foram criadas novas regras no cálculo da taxa de esforço, o Banco de Portugal, instituição liderada por Carlos Costa, decidiu introduzir novos limites, desta vez para o crédito pessoal. O prazo máximo para novos empréstimos de crédito pessoal passa de 10 para 7 anos.

Adicionalmente, passou a existir também uma limitação na concessão de empréstimos com taxas de esforço mais elevadas. Isto é, o regulador passa também a limitar a 10% as exceções de novos contratos de crédito em que a taxa de esforço ultrapasse os 60%, continuando-se a permitir às instituições considerar outros aspetos relevantes para a avaliação da solvabilidade dos mutuários que constituem mitigantes de risco. Mantém-se a exceção que permite que até 5% do montante total de créditos concedidos por cada instituição abrangidos pela Recomendação ultrapassar os limites previstos ao rácio DSTI [debt service-to-income]

De fora desta medida continuam a estar as operações até 10 salários mínimos (6.350 euros), pelo que só acima deste montante é que há impacto. Não existe também qualquer alteração para o crédito habitação, nem o crédito automóvel

Os créditos com finalidades de educação, saúde e energias renováveis, cuja maturidade máxima continuará a ser 10 anos, desde que estas finalidades sejam devidamente comprovadas.

Estas alterações entram em vigor já a 1 de abril de 2020. 

O que levou o Banco de Portugal a alterar as regras do crédito pessoal? 

O que está na base de decisão por parte da administração do Banco de Portugal é reduzir o prazo de reembolso expectável dos créditos, para com isso reduzir o potencial risco de incumprimento, minimizar as perdas e proteger as carteiras de crédito dos bancos de um incumprimento e precavendo uma eventual inversão no ciclo económico

O aumento de crédito ao consumo concedido pelos bancos aos particulares, e o nível de endividamento das famílias, levaram o Banco de Portugal a tomar novas medidas para evitar problemas futuros. 

Leia ainda: Porque decidiu o Banco de Portugal pôr um travão no crédito pessoal?

Qual o impacto que esta nova medida pode vir a ter? 

A redução do prazo vai ter impacto direto na taxa de esforço. Isto porque, os prazos ao serem menores, as prestações passam a ser superiores e, por consequência, a taxa de esforço mais elevada. Com isto, muitas famílias poderão vir a ter maiores dificuldades em conseguir aceder a financiamento.

Sendo que é recomendável que a taxa de esforço, tendo em consideração todos os créditos, não seja superior a 50% do rendimento do agregado familiar

Uma taxa de esforço mais elevada torna inviável a acumulação de mais créditos, sendo que o objetivo do regulador é proteger as famílias. Esta medida terá também efeitos na consolidação de créditos, cujos prazos também ficam limitados aos 7 anos.

Consolidação de créditos a 10 anos versus a 7 anos 

Recorremos a um exemplo, de forma a perceber melhor o impacto que a redução do prazo no crédito pessoal poderá vir a ter se precisar de recorrer a um financiamento.  

Senhora a calcular o seu salário

O Miguel (nome fictício), com uma taxa de esforço na casa dos 60%, procurou o Doutor Finanças para consolidar os seus créditos (excluindo o crédito habitação), que somavam o valor de 45.000€, com prestações mensais a rondar os 1.236,74€.  

Crédito consolidado a 10 anos:

Após o Doutor Finanças juntar todos os seus créditos num só, com um prazo de 10 anos e com melhores condições, o Miguel passou a ter uma prestação fixa mensal de 662,37€. Isto resultou numa poupança anual de 6.892,44€, o que significa que reduziu a prestação mensal com os seus créditos em mais de 46%.  

Crédito consolidado a 7 anos:

Se pegarmos no mesmo exemplo, com um total de créditos a consolidar no valor de 45.000.00€, com prestações mensais na casa do 1.236,74€, e aplicarmos um prazo de 7 anos, após a consolidação o Miguel passaria a pagar por mês 807,45€, num único crédito.

Com os rendimentos do Miguel a rondar os 2.300€, e com um prazo a 7 anos, a sua taxa de esforço ficaria na casa dos 45%, tendo em consideração outras despesas identificadas. 

Em suma, mesmo com um prazo inferior, o crédito consolidado resulta em poupança para o Miguel, uma vez que passa a reduzir 429,29€ por mês nos seus encargos com créditos, o que resulta numa poupança de 5.151,48€ por ano. Esta poupança leva ainda a que consiga reduzir a sua taxa de esforço.

E se comparar o valor dos juros pagos?

Quando comparamos a poupança que se pode obter através da consolidação dos créditos a 7 e a 10 anos, conseguimos verificar que a 10 anos, como o prazo é mais alargado, a poupança é mais significativa mensalmente, uma vez que se divide o valor a consolidar por mais anos. Contudo, e tal como em todos os produtos financeiros, existe também no crédito consolidado as suas vantagens e desvantagens. Embora dependa de caso para caso, ao aumentarmos o prazo estamos também a aumentar a fatia de juros pagos, ficando assim o crédito fica mais caro.

Se continuarmos exatamente com o exemplo do Miguel, conseguimos verificar através do nosso simulador de crédito consolidado que, num crédito consolidado no valor de 45.000,00€, a 10 anos, e com as respetivas taxas de juro, o Miguel pagaria no final um total de 79.484,40€ .

Já num crédito consolidado com um prazo de 7 anos, o Miguel pagaria no final o valor total de 67.825,80€.

Portanto, só em juros, ficaria a ganhar 11.658,60€ num crédito consolidado com o prazo de 7 anos.

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Consolidar os créditos permite reduzir a taxa de esforço 

A consolidação dos créditos é uma opção para quem procura reduzir as suas prestações com créditos. Ao juntar todos os créditos num só, vai conseguir pagar uma prestação única com uma taxa de juro média mais baixa

Por exemplo, se antes pagava 1.000€ por mês na totalidade dos créditos, pode, por exemplo, passar a pagar 600€ por mês num único crédito consolidado. 

Esta folga mensal, que resulta numa poupança significativa, vai fazer com que consiga assim reduzir a sua taxa de esforço.  

A redução do prazo do crédito para os 7 anos diminuiu a poupança mensal, mas continua a permitir arrumar melhor a sua carteira, oferecendo-lhe uma folga.

Quais a vantagens desta nova medida do Banco de Portugal? 

Ver um crédito recusado pode parecer uma dor de cabeça para quem o pede, no entanto, pode vir a agradecê-lo mais à frente. Se o seu crédito pessoal for recusado por motivos de taxa de esforço, isto vai protegê-lo de situações futuras com potenciais consequências bem mais gravosas.  

Esta é a maior vantagem da redução do prazo. A diminuição das maturidades vai servir, precisamente, para evitar que famílias com menor capacidade financeira consigam obter empréstimos de valor mais elevado, evitando assim que fiquem mais vulneráveis a uma situação de crise.  

Só em 2019, a percentagem do rendimento total do agregado familiar destinado ao pagamento das prestações de créditos foi de 76%. Um número muito acima do recomendado e que revela que estas famílias estão sufocadas pelos seus próprios créditos.  

Esta nova regra pretende assim reduzir o potencial risco de incumprimento, numa altura em que se receia uma eventual inversão do ciclo económico. 

Como posso reduzir os meus encargos com créditos  

Tal como referimos acima, pode reduzir os seus encargos através de um crédito consolidado

Analise todas as vantagens e desvantagens deste produto financeiro e verifique se esta é a melhor opção para o seu caso. Deve ainda assegurar-se que escolhe uma entidade que protege os seus interesses e que procura as melhores condições para o seu caso. Muitas entidades podem pedir um valor pelo serviço, contudo tenha atenção às burlas, nunca faça nenhum pagamento antecipado pela análise do seu caso. 

Se pretender, pode contar com a ajudar do Doutor Finanças para analisar o seu caso e calcular qual a poupança mensal que conseguirá obter, e isto sem pagar qualquer custo por este serviço.

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