Finanças pessoais

Regresso às aulas: guia completo de poupança para pais e filhos

Avizinha-se mais um ano escolar e, com ele, chegam os custos associados a todo o material escolar. Descubra neste artigo o guia completo de poupança para pais e filhos.

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 30 Agosto 2019

O regresso às aulas é um evento importante, mas é também uma altura do ano que implica um maior esforço financeiro por parte das famílias portuguesas que procuram não comprometer o seu orçamento familiar. Neste período, é importante que saiba como pode poupar dinheiro sem comprometer o que o seu filho realmente necessita versus os compromissos financeiros já existentes no seu dia a dia.

Segundo um estudo da Cetelem, os portugueses com estudantes a seu cargo prevêem gastar, em média, 363€ em compras para educação com o início do novo ano escolar. No entanto, esta estimativa de gasto médio parece aumentar à medida que se avança no nível de ensino: pré-escolar (318€), 1º ciclo (312€) e 2º ciclo (355€). E aumentam significativamente a partir do 3º ciclo (406€), com as compras do ensino secundário a custar em média 450€.  

Para fazer face a estes gastos, há quem recorra às poupanças, outros optam por comprar para já o essencial e, ao longo do ano, comprar o que estiver em falta e há também quem tencione utilizar cartão de crédito ou até mesmo recorrer ao crédito pessoal.  

Mas qual será a melhor opção? Qual a melhor forma de poupar? Como deve planear financeiramente o próximo ano letivo? Estas são algumas das perguntas que vamos responder neste artigo para que consiga passar o ano com distinção.  

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O planeamento é fundamental 

Para muitos setembro é o mês dos recomeços. O mês que muitas pessoas escolhem para planear o próximo ano. Neste caso podem existir dois tipos de planeamento: o financeiro e o do tempo. Ambos muito importantes para manter uma estabilidade financeira e emocional.

Planeamento do tempo

Planeamento do tempo porque o regresso às aulas marca o fim das férias dos mais pequenos (e também da maioria dos pais) e, por consequência, o regresso dos diferentes horários para toda a família. E, como tempo é dinheiro, aconselhamos a planear o seu tempo com consciência, respeitando o seu ritmo e aceitando que não é possível encaixar todas as tarefas num só dia e que poderá encaixá-las numa noutra altura. Saber gerir o tempo poder ser, por vezes, tão ou mais complicado do que gerir as finanças pessoais, portanto o segredo pode estar em levar as coisas com calma e estabelecer prioridades.  

Planeamento financeiro

Por outro lado, e não menos importante, existe o planeamento financeiro. Com o regresso dos mais pequenos à escola, é o momento de verificar quais foram os seus gastos feitos durante estas férias e programar o orçamento que pretende adjudicar para este ano letivo. Esta é a fase que se deve perguntar: “Quanto é que posso e devo gastar?”.  

Para que possa perceber detalhadamente quanto ganhou e gastou ao longo do ano, comece por organizar os seus recibos e faturas. Se lhe for mais fácil opte por utilizar uma folha de Excel para fazer estes cálculos ou recorra a uma aplicação móvel. Por exemplo o Boonzi é uma app que permite centralizar toda a sua informação bancária, os seus gastos, a sua poupança, definir as suas metas de poupança e criar orçamentos. Com esta aplicação poderá transportar para qualquer lugar do mundo as suas finanças.

O planeamento financeiro também lhe vai permitir traçar um plano de poupança, para que este possa ser aplicado nas férias do ano seguinte, em sonhos que gostaria de concretizar ou para qualquer imprevisto que possa surgir no decorrer do ano.

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Crédito pessoal, sim ou não?

Quando começa a somar aos livros, mochilas e material escolar a todos os outros compromissos financeiros mensais, a primeira ideia que lhe vem à cabeça é que precisa de aumentar o seu capital disponível. Associado a este pensamento estão as fortes campanhas de crédito pessoal que as entidades financeiras e lojas fazem nesta altura do ano, que o podem levar mesmo a recorrer a um crédito pessoal. Esta ideia poderá transmitir-lhe uma certa tranquilidade dado que, como o dinheiro fica logo disponível, poderá fazer as compras desejadas e depois ir pagando em prestações mensais.

Por momentos, pode parecer que o crédito pessoal vai ajudá-lo a equilibrar as contas, mas, na verdade, está apenas a contrair uma dívida que irá desequilibrar o seu orçamento familiar. Todos os meses terá a mensalidade de crédito como despesa adicional que não estava no seu orçamento antes de contrair o mesmo. Além disso, o crédito pessoal ao consumo é um dos créditos com a taxa de juro mais altas, pelo que irá pagar mais e por mais tempo. 

Portanto, aconselhamos que não recorra ao crédito pessoal e, se possível, nem ao cartão de crédito. Pense nas compras escolares de forma consciente, consoante as necessidades reais e não aquilo que seria desejado. Uma opção é não fazer todo este esforço económico de uma só vez e ir comprando ao longo do ano. Assim pode verificar as necessidades que surgem em cada período escolar e, no intervalo de tempo entre um período e outro, pode aproveitar para poupar ou até mesmo para aproveitar as promoções que vão surgindo.  Faça as compras de que necessita cumprindo sempre os seus compromissos financeiros e sem hipotecar o seu futuro.

Em opção, e caso tenha acumulando algumas despesas com cartões de crédito ou outras linhas de crédito, considere ainda a consolidação de créditos. Assim vai conseguir reduzir as suas prestações mensais e ganhar uma folga extra.  

Siga também as seguintes dicas que podem ajudar, tanto miúdos como graúdos, a conseguirem fazer frente às despesas de mais um ano letivo. 

As melhores dicas de poupança para os filhos

Recorra aos manuais escolares gratuitos

Neste próximo ano letivo de 2019/2020, ao contrário de anos anteriores, com o Orçamento de Estado de 2019, a gratuidade foi alargada aos alunos do secundário. Portanto, todos os alunos do ensino público obrigatório ou privado com contrato de associação, do 1.º até ao 12.º ano, têm direito a manuais escolares gratuitos.

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Reutilize o material escolar

Faça um inventário do material escolar que o seu filho possui e aproveite o que estiver em boas condições. Consciencialize o seu filho para a importância de preservar algum do material utilizado no ano letivo anterior como a mochila ou o estojo, se estiverem em boas condições. 

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Aguarde pelas promoções

Uma vez que é prática geral das grandes superfícies fazerem campanhas promocionais uns dias antes do início do ano letivo, aproveite para conseguir o material escolar que não precisa para já por um preço muito mais baixo.

Poupe também no vestuário

Faça planos para o vestuário que ainda tem. Com o fim das férias, é usual preparar o guarda roupa para a chegada do inverno e verificar o que faz falta para o novo ano letivo, isto porque existe sempre uma ou outra peça que necessita de ser renovada.

Aguarde um pouco e aproveite a época de saldos e promoções para comprar as peças de roupa de inverno e/ou renovar a roupa de educação física do seu filho.

Pense também nas atividades extracurriculares

É perfeitamente normal que, com o regresso às aulas, arranquem também as atividades complementares. No caso do desporto, nem sempre é fácil a tarefa de escolher o melhor desporto para o seu filho, especialmente se a atividade em causa representar um elevado esforço financeiro. Assim, consulte as diversas ofertas de ginásios e associações desportivas para perceber se pode poupar no investimento numa modalidade. 

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As melhores dicas de poupança para os pais

Abastecimento do automóvel

Ter um cartão que lhe dá acesso a pontos e descontos no combustível é meio caminho para efetuar uma poupança considerável na hora de abastecer o carro. A maior parte das superfícies comerciais têm protocolos com postos de abastecimento que permitem aos clientes usufruírem de um desconto no preço dos combustíveis.

Leia ainda: Carro: como optimizar o uso de combustível (e poupar dinheiro!)

Reveja os seus seguros

Alguns seguros têm influência numa parte do orçamento familiar. Deve assim consultar as apólices da sua carteira de segurosseguro automóvel, seguro multirriscos, seguro de vida, seguro de saúde

Analise todas as condições das apólices em seu poder e reveja as coberturas que estão asseguradas como forma de confirmar a não existência de possíveis duplas coberturas para um mesmo seguro. Depois deste levantamento, contacte um mediador para renegociar os prazos e garantias. O Doutor Finanças pode ajudá-lo a encontrar os melhores seguros para o seu caso. 

Leia ainda: Glossário de seguros: os termos mais importantes a saber

Poupe no consumo

Sabemos bem que poupar é a melhor prevenção para os imprevistos. Por mais pequeno que o valor poupado pareça, vai ter um tremendo impacto nas contas do seu agregado familiar, se o fizer com regularidade. 

Assim, se reduzir as refeições fora ou nos cafés diários, por exemplo, conseguirá uma poupança que poderá aplicar numa despesa planeada como: o regresso às aulas, as prendas de natal, o pagamento de um seguro ou até para as próximas férias. 

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Leve comida para o trabalho

Para além de ter garantida uma refeição mais saudável, pode gerar poupanças mensais significativas. Confecione o almoço na véspera, ao jantar, já a pensar no dia seguinte. Pode inclusive levar alguns snacks para comer a meio da manhã e ao final da tarde. 

Assim, evita almoçar fora e poupa todos os meses no valor da alimentação.

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Reveja outras despesas

Faça contas a quantas vezes utiliza serviços como o ginásio ou a Netflix, por exemplo, e veja se compensa mantê-los. Pode juntar um ou mais membros para fazer um pack familiar ou partilhar a conta, caso o serviço em questão o permita. Caso não utilize de todo este tipo de serviços, o melhor é desistir e eliminar assim essa despesa, poupando algum dinheiro todos os meses.

Tal como já mencionámos, se foi acumulando algumas despesas com cartões de crédito ou outras linhas de crédito, considere ainda a consolidação de créditos. Junte todos em apenas um e veja as suas despesas serem reduzidas até 60%.   

Utilize o nosso desmotivador de compras

O nome pode não ser o mais motivador, mas acreditamos que esta é uma ferramenta que o vai levar a pensar duas vezes antes de comprar o que quer que seja.

As compras por impulso são um dos principais fatores pelas quais muitas famílias não conseguem poupar. E este regresso às aulas não é exceção. É muito comum comprar mais do que o seu filhos precisam ou até mesmo conceder-lhes o desejo de comprar algo de uma marca mais cara. 

Ao utilizar o Desmotivador de Compras do Doutor Finanças vai conseguir saber quantas horas tem de trabalhar para pagar o material escolar que está a pensar comprar. Assim, consegue comparar de uma forma prática se o esforço é compensado. Utilizar o desmotivador de compras não significa que vai deixar de fazer compras essenciais, mas sim que passa a fazer compras mais racionais e inteligentes.  

Leia ainda: Quer começar a poupar? Com estes simuladores é possível!

A dedução das despesas escolares no IRS 

O regresso às aulas é um desafio orçamental para muitas famílias. Entre livros escolares e material de papelaria, a fatura pode ascender a várias centenas de euros. No entanto, a boa noticia é que uma parte destas despesas podem ser abatidas no IRS do próximo ano

No entanto, convém estar informado primeiro do que é considerado despesas de educação. Para efeitos de IRS, são aceites como despesas de educação as prestações de serviços e as aquisições de bens que constem de faturas isentas de IVA ou tributadas à taxa reduzida de IVA de 6% e que sejam comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). 

Consideram-se despesas de educação e formação os encargos com o pagamento de creches, jardins-de-infância, lactários, escolas, estabelecimentos de ensino e outros serviços de educação, bem como as despesas com manuais e livros escolares. São ainda dedutíveis à coleta do IRS em sede de educação os encargos com refeições escolares em qualquer grau de ensino, independentemente da taxa de IVA aplicada. É necessário, no entanto, que as respetivas faturas se refiram a refeições escolares e que o NIF do emitente seja de um prestador de serviço de fornecimento deste tipo de alimentação. Apenas as refeições escolares fornecidas nas cantinas e nos refeitórios das escolas são consideradas despesas de educação. Nos demais sítios poderá colocar nas despesas de restauração.  

Os limites de despesas de educação no IRS  correspondem a uma dedução de 30% das importâncias pagas com o limite global de 800€.

As restantes despesas com material escolar – ainda que relacionadas com educação – estão excluídas da dedução de educação, uma vez que são taxadas com IVA a 23%. Estas serão consideradas como despesas gerais familiares. Contudo, as despesas gerais familiares não têm tanto peso, dado que englobam todo o tipo de gastos (contas da água, da luz e do gás, telecomunicações, roupa, entre outros) e que têm um limite de 250€ por sujeito passivo e 500€ por casal, pelo que, na prática, a possibilidade de deduzir despesas com material escolar neste âmbito é muito reduzida. 

Relembramos ainda que as estas faturas podem ser emitidas com o NIF de um dos pais ou do filho a que dizem respeito. 

Leia ainda: 5 conselhos Doutor Finanças para submeter o seu IRS

A importância da literacia financeira no regresso às aulas

A educação é um dos pilares mais importantes para o seu filho conseguir alcançar o sucesso pessoal e profissional. E a educação financeira não é exceção. Esta é uma área ainda pouco desenvolvida nas escolas, mas fulcral para que o seu filho no futuro saiba tomar as decisões certas em prol de uma carteira saudável e livre de dívidas. E como “de pequeno é que se torce o pepino”, esta é uma ótima altura para introduzir ao seu filho o conceito de literacia financeira, mostrando-lhe o que são bens essenciais e o que são bens acessórios. Assim vai estar a contribuir para que a sociedade do futuro seja uma sociedade informada, uma vez que, muitas vezes, as crianças são o motor de muitas alterações de comportamentos na sociedade

Dar a conhecer e transmitir conceitos financeiros como poupar e gastar às crianças pode ser uma chave de mudança de paradigma.  

Mas, não se esqueça que as crianças têm tendência a imitar os pais, portanto não ensine uma coisa e pratique outra. Para os mais pequenos é importante que haja coerência entre o que se diz e o que se faz.  

Se já introduziu este tema na vida do seu filho, nunca é demais reforçar e acrescentar novos conhecimentos.  

Passe o bichinho da poupança ao seu filho! 

Leia ainda: A Literacia Financeira Infantil: porque dar mesada aos meus filhos?

Ter em mente o meio ambiente

Por último, mas não menos importante, o nosso planeta.

O regresso às aulas não só tem impacto na carteira como também no meio ambiente. Antes de fazer as compras deste ano letivo, reveja e organize o material escolar do ano anterior para ver ficar o que pode reutilizar. Envolve os seus filhos nesta atividade e promova a sua consciência para a reciclagem e para a poupança. Pode também verificar se consegue reutilizar coisas que familiares ou amigos já não necessitem.  

Para além da reciclagem existem outros gestos que podem contribuir, e muito, para construir um futuro mais sustentável. Tenha sempre em mente a o impacto dos produtos no ambiente. Por exemplo, no caso das colas, já existem muitas soluções alternativas bem mais ecológicas.  

Explique ao seu filho a importância destes pequenos gestos e do seu impacto no mundo. O planeta terra agradece! 

Leia ainda: 4 coisas menos óbvias para poupar dinheiro e meio ambiente  

Bom regresso às aulas! 🙂

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