A chegada de um filho tem um peso considerável no orçamento familiar. Deixamos aqui alguns pontos, relacionados com as finanças pessoais, que deverá ter em conta quando decidir ter filhos.

Portugal nunca viu uma taxa de natalidade tão baixa como a que apresenta na atualidade. O número atual de nascimentos por ano, no país, ronda os 90 mil, representado uma queda superior a 50% face aos anos sessenta. Também o número médio de filhos por mulher tem vindo a cair, a par de um aumento da idade média em que nasce o primeiro filho. Segundo a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2016 cada mulher tinha, em média, 1,36 filhos e a idade média para o nascimento do primeiro filho rondava os 30 anos.

Todas estas alterações são fruto de várias décadas de mudanças sociais e económicas.

Por um lado, a instabilidade social, os níveis de desemprego, a emigração e a redução do poder de compra. Por outro, as alterações culturais que justificam o facto de o declínio da taxa de natalidade se manter durante os períodos de crescimento económico: a alteração do papel da mulher na família, o movimento de populações para os centros urbanos (deixando a família na terra natal e, consequentemente, perdendo a rede de apoio) e a democratização do acesso à escolaridade superior, que atrasa a entrada no mercado de trabalho.

A decisão de ter um filho envolve grande responsabilidade e a noção de que a vida nunca mais vai voltar a ser a mesma. A par do amor desmedido e da importante tarefa de educar um ser humano, nascem responsabilidades acrescidas e a necessidade de fazer escolhas.

Se está a pensar aumentar a família, estas são as decisões que deverá tomar:

Como controlar o orçamento familiar com a chegada de um novo membro

Ter um filho é também sinónimo de maiores gastos. Para manter o orçamento controlado, faça uma estimativa do custo mensal nos primeiros meses. O material de puericultura representa uma grande fatia do orçamento, principalmente para quem vai ter o primeiro filho e não tem oportunidade de pedir emprestado os objetos mais usuais, tais como: berço, carrinho de passeio, cadeira auto, cadeira da papa. Faça uma visita às lojas de produtos em segunda mão ou procure nos websites de compra e venda: poderá fazer bons negócios com equipamentos quase novos, ou até mesmo a estrear.

Deverá incluir na estimativa de gastos mensais custos com produtos como fraldas, leite adaptado, cremes e consultas. Sabendo que, em média, um bebé gasta cerca de 180 fraldas nos primeiros meses de vida, tente aproveitar as promoções das grandes superfícies para constituir um stock inicial.

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Como fazer um orçamento familiar com a chegada de um filho

Creche, avós ou ficar em casa com o pai/mãe nos primeiros anos de vida?

Após a licença de maternidade, está na hora de tomar a decisão: onde ficará a criança enquanto os pais trabalham? Se os avós estiverem disponíveis, esta pode ser uma boa solução de poupança. Para além disso, a criança estará mais protegida das doenças comuns dos primeiros anos e que, usualmente, se contraem por contágio.

Há também quem opte por ficar em casa a cuidar das crianças nos seus primeiros anos de vida. Esta é uma opção tomada principalmente por mulheres e implica por em pausa, durante um determinado período, a carreira, a evolução profissional e o rendimento. Antes de tomar esta decisão, ambos os pais devem ponderar as vantagens e desvantagens e fazer uma escolha com base no mútuo acordo. Há que ter em mente que esta decisão não implica desistir por completo das ambições profissionais, mas sim priorizar outros aspetos, enquanto ganha experiência de vida e maturidade para, mais tarde, voltar a entrar no mercado de trabalho. Muitas pessoas, quando optam por ficar em casa a tempo inteiro a tomar conta dos filhos, desenvolvem também projetos próprios, que conjugam com a parentalidade a tempo inteiro.

Por último, se escolher inscrever o seu filho numa creche, faça uma pesquisa prévia, pedindo informação sobre preços, condições e visitando as instalações das mesmas. Pode optar por uma instituição privada ou pública, sendo que o acesso às creches públicas é condicionado pelo rendimento familiar, dando prioridade a famílias com menores rendimentos. Confirme se o preço da mensalidade engloba alimentação, fraldas, cremes e atividades lúdicas. Procure informar-se, junto da própria entidade e de amigos e conhecidos, sobre as condições do local e as abordagens pedagógicas. Não se esqueça de ter em conta a localização. De acordo com os horários da família, verifique o que é mais vantajoso: escolher uma creche perto de casa ou perto do local de trabalho.

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Como poupar na creche

Como conseguir o equilíbrio entre vida profissional e familiar?

Esta é talvez uma das questões que maior peso tem na decisão de adiar a chegada do primeiro filho. Embora cada vez mais empresas reconheçam a importância do equilíbrio entre as esferas profissional e familiar para a felicidade e produtividade dos trabalhadores, ainda existem empresas (ou elementos dentro das empresas) que penalizam os funcionários pela falta de disponibilidade total após o nascimento de um filho.

Profissionais que trabalhem em empresas cujos líderes reconhecem a importância deste equilíbrio, veem a sua decisão de ter um filho suportada por políticas como o trabalho remoto quando necessário, dispensa para ir a reuniões escolares e até mesmo apoio monetário na forma de bolsas escolares e abonos.

No entanto, existem casos em que a empresa (e o patrão) acaba por colocar entraves ao desenvolvimento profissional do funcionário por este ter de se ausentar ocasionalmente ou até mesmo cumprir o horário de trabalho de forma mais escrupulosa.

Se não está seguro de como será o seu futuro profissional depois de nascer o seu filho, a melhor abordagem será ter uma conversa sincera com o seu patrão sobre o assunto. Fale com transparência: do outro lado estará, provavelmente, um pai ou uma mãe. Se, após esta conversa, continuar a ter dúvidas sobre o seu futuro profissional, talvez seja altura de atualizar o currículo e procurar novas oportunidades.

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Como conseguir o equilíbrio entre vida profissional e familiar?

Ter um filho não é impedimento para o sucesso profissional. A maioria dos profissionais reconhece que, após o nascimento do primeiro filho, alcançou um maior foco durante o horário de trabalho pois sabe que, ao chegar a casa, todas as atenções se prendem nesse pequeno ser que mudou a sua vida por completo.