Está a planear vender a sua casa? Com a ajuda deste guia fique a conhecer todos os passos que precisa dar para vender o seu imóvel sozinho e garantir que tudo corre bem.
Um pouco de dedicação e de paciência é tudo o que precisa para vender casa sozinho e poupar algum dinheiro.
Pelos seus contactos privilegiados e pelo seu conhecimento sobre o mercado, bem como do procedimento por detrás da venda de um imóvel, a mais-valia do agente imobiliário é inegável. Contudo, vender uma casa sem ajuda externa é possível.
Neste artigo, apresentamos-lhe o guia que construímos para que saiba todos os passos que deverá dar, desde a avaliação real do imóvel ao momento em que fecha o negócio.
- “O que preciso de saber para vender casa sozinho?”
- “Tenho um interessado e agora?”
- Documentação necessária para efetuar a oficilização do negócio
- Como formalizar o negócio?
- Ajude o seu comprador a tratar do Crédito Habitação
- Vender casa sem imobiliária: sim ou não?
- 3 passos essenciais para valorizar o seu imóvel
- Conclusão
O que preciso de saber para vender casa sozinho?

Quando decidir realmente vender a sua casa saiba que vão haver momentos em que se pode sentir particularmente desorientado, nomeadamente no momento de definir um preço ou como gerir as visitas. A pensar nesses momentos, explicamos-lhe como lidar com alguns momentos fundamentais durante o processo de vender casa sozinho.
Avaliação do imóvel
Vender uma casa é um negócio e como em qualquer negócio ninguém gosta de perder. Contudo, não perder dinheiro também não pode significar dar um valor exorbitante e irrealista ao imóvel que pretende vender. Assim, faça um estudo de mercado. Procure comparar outras casas com as mesmas características que a sua e preferencialmente na mesma localização.
Depois de analisados os preços de outros imóveis, bem como as condições dos mesmos, deverá posicionar o seu preço. A decisão de atribuir um valor maior ou menor que o do mercado à sua casa vai depender de alguns factores, como melhorias que efectuou à casa, a conservação da mesma, a exposição solar e outras características como espaço, arrumação, ter despensa ou não, condições do wc, entre outros.
Aconselhamos a que seja razoável, pois vender uma casa é também uma venda emocional e atribuir um preço ao seu lar não é tarefa fácil. Procure colocar-se na pele de um comprador ao fazer o preço do seu imóvel.
Colocar à venda
Com as ferramentas que as tecnologias hoje colocam à disposição de todos, divulgar o seu imóvel também não tem de ser um problema. Das vias mais tradicionais às redes sociais, existem várias opções. Atente nas sugestões que lhe damos abaixo.
Meios tradicionais
Quando comprou o imóvel que agora está a vender certamente que fez algumas incursões à sua zona para avaliar os acessos, o ambiente, a segurança do local. Provavelmente os possíveis compradores da sua casa farão o mesmo. Por isso, colocar a tradicional placa indicando “vende-se + contato” não será má ideia. Da mesma forma poderá colocar um anúncio no jornal local.
Sites dedicados à publicitação de imóveis
Nos dias que correm, enquanto clientes, antes de fazermos qualquer compra que envolve avultadas quantias de dinheiro, procuramos ter o máximo de informações possíveis sobre a mesma. Por isso, antes de irem a uma imobiliária, os interessados em comprar casa certamente vão procurar sites da especialidade como Casa Sapo, Idealista, Imovirtual ou Domozo. Assim, estes serão certamente uma boa aposta, verifique as condições de adesão e decida sobre qual será o mais vantajoso para si.
Rede de contactos
A sua rede de contactos é mais poderosa do que pensa. O chamado “boca-a-boca” é uma ferramenta eficaz na divulgação de um negócio. Assim, procure divulgar a seu imóvel junto de família, amigos, colegas e até vizinhos. Procure também no comércio local fazer essa divulgação. Donos de mini-mercados ou cafés falam com uma grande quantidade de pessoas por dia, logo serão uma boa fonte de informação para quem procura casa na sua zona.
DICA: Seja qual for a plataforma que vai utilizar para fazer a divulgação, tirar boas fotos é fundamental na conquista de compradores. Não tire fotografias com o telemóvel. Se não perceber de fotografia, procure um profissional, dado que o resultado final compensa largamente. A título de exemplo poderá consultar algumas fotografias de interiores do fotógrafo Mickael Fjaere. Se tem alguns conhecimentos de fotografia e decidir aventurar-se, sugerimos que recorra a uma objetiva grande angular.

Gerir contactos
Gerir os contactos e as visitas não é apenas marcar na agenda. Da mesma forma que está a deixar entrar em sua casa um potencial comprador, também está a deixar entrar um completo estranho. Assim, quando marcar a visita procure saber porque é que a pessoa está à procura de casa ou o que é que valoriza mais, por exemplo. Se a resposta o deixar na dúvida, então não mostre, de todo.
Da mesma forma, há outros pormenores que deve ter em conta no momento do primeiro contacto. Por exemplo, procure a hora certa para mostrar a casa. Se souber que existe trânsito nos acessos ao imóvel, procure marcar a visita para depois da hora de ponta, por exemplo.
A visita
A visita é o momento determinante. É necessário preparar o imóvel não só em termos físicos como emocionais. O que quer isto dizer? É necessário que saiba melhor que ninguém as vantagens de viver naquela zona e naquela casa, a história que vai contar é determinante na decisão que o potencial comprador vai tomar. Esteja preparado para responder a questões como “quem são os vizinhos?”, “há quanto tempo tem a casa à venda?”, “a casa precisa de obras?”, “como é a zona?” ou “existe possibilidade de negociar o valor do imóvel?”.
“Tenho um interessado e agora?”

1º Discussão do valor do imóvel
Prepare-se esta pergunta vai mesmo surgir. Assim sugerimos que pense nela no momento em que decide o preço a dar à sua casa. Defina um objetivo mínimo que considere razoável e não desça. Ao atribuir um valor deverá considerar o seu objetivo e ter consciência que em função do mesmo, a venda poderá ser mais ou menos demorada.
2º Contrato de promessa de compra e venda
Este é o primeiro passo no processo de venda da sua casa, quando já tem um comprador. Trata-se de um instrumento que formaliza a intenção de comprar e que serve como garantia até à celebração do contrato definitivo. Poderá descarregar a minuta/ modelo de contrato de promessa de compra e venda aqui.
3º Oficialização do Negócio
Neste ponto, vão aparecer mais questões e opções a que deve estar atento. Continue connosco. Abaixo vamos explicar-lhe qual a documentação que poderá preparar antecipadamente para a oficialização do negócio, bem como lhe vamos apresentar duas soluções simples para tratar da burocracia.
Documentação necessária para efetuar a oficialização do negócio
Certidão predial permanente atualizada
Este é um documento obtido na Conservatória de Registo Predial, onde pode consultar o historial do imóvel, desde o terreno, à construção, sucessões hereditárias ou penhoras.
A certidão predial pode ser solicitada presencialmente ou através da Internet, sendo a segunda opção mais barata, com um custo de 15 euros. Consulte este link, inserindo o número de registo da conservatória, distrito, concelho, freguesia e letra correspondente à fração.
Caderneta predial urbana
Todas as informações relevantes do ponto de vista fiscal, incluindo características do imóvel, a sua localização, o proprietário e o valor patrimonial tributário se encontram neste documento. A caderneta predial é fundamental no processo de transação de um imóvel, nomeadamente contrato-promessa de compra e venda.
A informação disposta neste documento serve ainda para calcular o Imposto Municipal sobre o Imóvel (IMI) e o Imposto sobre as transmissões onerosas de imóveis, pelo que é conveniente que esteja sempre atualizado.
A caderneta predial está disponível no portal das finanças, seguindo as seguintes indicações: login portal das finanças > “serviços tributários” > “cidadãos” > “consultar” > “imóveis” > ”património predial”
Licença de utilização
Este documento destina-se a comprovar que o imóvel foi previamente inspecionado e que se encontra tudo em conformidade com a obra realizada e com os projetos aprovados pelas autoridades competentes, bem como com as normas legais e complementares em vigor e a idoneidade do edifício ou fração autónoma para o fim pretendido.
Esta licença não é exigida quando se trata de um prédio construído antes da entrada em vigor do regulamento geral das edificações Urbanas, (decreto de lei nº 38.382, de 7 de Agosto de 1951) e quando se trata de espaços não habitáveis (ex: comércio, industria ou serviços)
Ficha técnica do imóvel
Neste documento encontrará a descrição das características técnicas e funcionais de um prédio urbano para fim habitacional, reportadas ao momento de conclusão da obra de construção/ reconstrução ou ampliação. Esta ficha pode ser pedida na Direcção Geral do Consumidor e no Laboratório Nacional de Engenharia Civil e é necessário que os prédios tenha sido edificados ou submetidos a obras de reconstrução ou ampliação após 30 de Março de 2004.
Certificado energético
Este é um documento obrigatório para a elaboração do contrato de compra e venda. Aqui poderá encontrar a avaliação da eficácia energética de um imóvel de A+ (muito eficiente) a F (pouco eficiente). O certificado é emitido por técnicos autorizados pela Agência para a Energia (ADENE) e é válido por 10 anos para edifícios de habitação ou pequenos edifícios de comércio.
No site da ADENE poderá pesquisar quais os peritos qualificados na sua zona de residência. Sugerimos que peça vários orçamentos, pois o preço varia de prestador para prestador.
Distrate (no caso de existir um Crédito Habitação associado ao imóvel)
Este documento é apresentado no momento da escritura pública na transmissão de imóveis, pois comprova a extinção de hipoteca associada ao imóvel. Este documento é emitido pelo banco, onde o mesmo renúncia a hipoteca constituída em seu favor. Apesar de ser um documento gratuito em alguns bancos, existem outras instituições que cobram uma comissão que pode ir de 100 a 200 euros.

