Imagem de um automóvel num stand de vendas

Ter um crédito automóvel não impede, por si só, que consiga um crédito habitação. No entanto, a prestação do carro entra nas contas do banco quando este avalia se o orçamento familiar consegue suportar mais um empréstimo. Quanto maior for esse encargo, menor pode ser a margem disponível para financiar a compra da casa.

Desde agosto de 2026, esta questão ganhou ainda mais peso. O Banco de Portugal passou a recomendar que as prestações dos créditos não ultrapassem, em regra, 45% do rendimento líquido. Ainda assim, ficar abaixo deste valor não significa que o financiamento esteja garantido.

Como é que o crédito automóvel pode limitar o crédito habitação?

Quando pede um crédito habitação, o banco não considera apenas a prestação do novo empréstimo. Também tem em conta os créditos que já está a pagar, como o crédito automóvel, o crédito pessoal, cartões de crédito ou outros financiamentos. Isto significa que uma parte do rendimento já está comprometida antes de assumir a prestação da casa. Quanto mais elevada for a mensalidade do carro, menor será a margem disponível para o crédito habitação.

Ter um crédito automóvel significa que o crédito habitação será recusado?

Não, mas dependerá do peso dessa prestação no orçamento familiar. Uma mensalidade de 150 euros pode ter pouco impacto num agregado com rendimentos elevados. Já uma prestação de 400 ou 500 euros pode fazer uma diferença significativa, sobretudo se existirem outros créditos ou despesas fixas elevadas.

Antes de conceder o empréstimo, o banco tem de avaliar se o cliente reúne condições para pagar a nova prestação sem comprometer o orçamento familiar.

Nota: Esta obrigação está prevista no Decreto-Lei n.º 74-A/2017, na redação atual.

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Quanto pode o crédito automóvel reduzir a margem para a casa?

Imagine um casal com 2.500 euros de rendimento líquido por mês. Se usarmos como referência os 45% recomendados pelo Banco de Portugal, o conjunto das prestações dos créditos não deveria ultrapassar, em regra, 1.125 euros mensais.

Se este casal não tiver outros empréstimos, dispõe de maior margem para assumir a prestação da casa. Mas, se já pagar 300 euros por mês pelo carro, restam 825 euros até ao referencial dos 45%. Com uma prestação automóvel de 400 euros, essa margem baixa para 725 euros.

Estes valores servem apenas para mostrar o efeito do crédito automóvel. Não significam que o banco vá aprovar uma prestação da casa de 825 ou 725 euros. A instituição analisa também as despesas familiares, os restantes créditos e a capacidade do agregado para continuar a pagar caso as condições do empréstimo se tornem menos favoráveis.

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Porque é que ficar abaixo dos 45% não garante a aprovação?

Porque os 45% são apenas um dos critérios considerados pelo banco. Uma família pode ficar abaixo deste valor e, mesmo assim, ter pouca margem no orçamento depois de pagar as prestações e as restantes despesas do mês.

A instituição avalia também os rendimentos, as despesas habituais, a situação profissional e os empréstimos existentes. Por isso, duas famílias com rendimentos semelhantes e a mesma prestação automóvel podem receber respostas diferentes.

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O banco pode fazer contas com uma prestação superior à simulação?

Sim, sobretudo nos créditos habitação com taxa variável. O banco tem de avaliar se o cliente conseguiria continuar a pagar o empréstimo caso os juros subissem.

Num crédito com prazo superior a dez anos, a instituição deve considerar uma subida de, pelo menos, 1,5 pontos percentuais no indexante, como a Euribor. Nos créditos com taxa mista, deve ter também em conta os encargos após o fim do período de taxa fixa.

Assim, a prestação apresentada numa primeira simulação pode não coincidir com o valor usado pelo banco para testar a capacidade financeira do cliente. Se já existir um crédito automóvel, a respetiva prestação continua a pesar nessas contas.

O banco consegue saber que tenho um crédito automóvel?

Sim. Os créditos existentes constam da Central de Responsabilidades de Crédito (CRC), uma base de dados gerida pelo Banco de Portugal. Através desta informação, os bancos conseguem conhecer os empréstimos que uma pessoa tem em seu nome, os montantes em dívida e outras responsabilidades antes de decidir se concedem um novo financiamento.

Ter um crédito registado na CRC não significa estar numa lista de incumpridores. Os empréstimos pagos sem atrasos também constam desta base de dados. Esta informação permite ao banco perceber que compromissos financeiros o cliente já assumiu antes de contratar um novo crédito.

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E se estiver quase a terminar de pagar o carro?

Mesmo que faltem apenas alguns meses para terminar o crédito automóvel, a prestação continua a contar enquanto o empréstimo estiver ativo. Este detalhe pode ser importante para quem está perto de liquidar o carro.

Imagine que faltam quatro ou cinco meses para terminar uma prestação de 350 euros. Avançar com o pedido de crédito habitação antes ou depois do fim desse empréstimo pode deixar o orçamento mensal numa situação diferente.

Se o crédito automóvel ficar liquidado antes de avançar o novo financiamento, essa prestação pode deixar de ser considerada, desde que o banco confirme que o empréstimo anterior foi efetivamente pago.

Vale a pena pagar o carro antes de comprar casa?

Pode fazer sentido se a prestação automóvel estiver a reduzir demasiado a margem disponível para a casa. Eliminar um encargo de 300 ou 400 euros por mês, por exemplo, liberta uma parte relevante do rendimento para outras despesas e para a nova prestação.

Contudo, é preciso olhar também para as poupanças. Se utilizar uma parte significativa desse dinheiro para liquidar o carro, fica com menos capital disponível para a entrada da casa, impostos e outras despesas associadas à compra.

Antes de decidir, compare o valor mensal que deixaria de pagar com o montante das poupanças necessário para liquidar o empréstimo.

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O que deve verificar antes de pedir crédito habitação?

Se já tem um crédito automóvel, comece por perceber quanto falta pagar e qual é o peso dessa prestação no orçamento mensal. Também pode consultar gratuitamente o seu mapa de responsabilidades de crédito no Banco de Portugal para confirmar os empréstimos registados em seu nome.

Depois, veja quanto rendimento sobra todos os meses depois de pagar as prestações e as despesas habituais. Se algum empréstimo estiver próximo do fim, tenha também esse prazo em consideração antes de decidir quando avançar com o pedido de crédito habitação.

Quanto maior for a folga financeira do orçamento, mais preparado estará o agregado para acomodar uma nova prestação. A decisão sobre a concessão e o montante do crédito cabe, contudo, ao banco depois de analisar a situação financeira do cliente.

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Perguntas frequentes

Sim. Se duas pessoas pedirem um crédito habitação em conjunto, o banco analisa a situação financeira de ambos. Assim, um crédito automóvel contratado apenas por um dos titulares faz parte dos encargos considerados na avaliação do agregado.

Sim. As operações de locação financeira, como o leasing, constam da Central de Responsabilidades de Crédito. Por isso, os encargos associados ao contrato podem ser considerados quando o banco avalia a capacidade financeira para assumir um crédito habitação.

Pode. Mesmo que não esteja a pagar essa dívida, a fiança representa uma responsabilidade potencial. O Banco de Portugal determina que as instituições considerem o risco de o cliente vir a ter de suportar uma dívida da qual é fiador ou avalista quando avaliam a sua capacidade financeira.

Não, por si só. Ter um crédito automóvel não faz parte dos critérios que excluem o acesso à garantia pública para a primeira habitação. Contudo, a garantia não dispensa o banco de avaliar a capacidade financeira do jovem. Cumprir os requisitos do regime também não garante a aprovação do empréstimo.

Sim. Um crédito aos consumidores pode ser reembolsado antecipadamente de forma parcial. Deve avisar a instituição com, pelo menos, 30 dias de antecedência. Dependendo da taxa e das condições do contrato, pode existir uma comissão. Antes de amortizar, confirme como essa redução do capital afeta a prestação mensal.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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