As famílias com filhos conhecem bem o impacto que a chegada das novas vidas têm no agregado familiar. Para além da enorme felicidade e inúmeras manifestações de ternura, a chegada de um bebé obriga a novos cálculos no orçamento familiar. Para apoiar nestas novas despesas, o Estado atribui mensalmente uma prestação social, que tem por objetivo compensar os encargos das famílias com o sustento e educação de crianças e jovens.  

Note que, em 2019, esta foi uma das prestações sociais que registou um ligeiro aumento por conta da atualização de +1,6% do IAS (Indexante de Apoios Sociais), que avançou para o 453,76 euros. O valor desta prestação varia consoante a idade da criança, a composição do agregado familiar e o valor do rendimento de referência do mesmo.  

Pode consultar todas as informações relativas do abono de família diretamente no site da Segurança Social.  

Esta prestação é uma receita que pode ser usada para as despesas regulares da família. É necessário, no entanto, ter em atenção as regras de atribuição, porque, por alguma razão,  pode mudar de escalão, alterando assim o montante. Ou o abono de família pode ser suspenso ou mesmo cessado. Por estes motivos e porque não se trata de uma prestação vitalícia, há que gerir bem todo o orçamento familiar, para que não haja uma dependência associada ao valor do abono.  

Se for possível encarar esta receita como um valor “extra”, que fica à parte dos cálculos das despesas, no Doutor Finanças indicamos-lhe três formas de o aplicar em benefício das crianças/ jovens da sua família: 

Poupança   

Poupar dinheiro para o futuro dos filhos é uma preocupação comum entre pais. No entanto, com os gastos que há nos primeiros anos de vida das crianças, este pode revelar-se um objetivo muito difícil de alcançar. Por essa razão sugerimos a prestação do abono de família como um valor a poupar. Deve ter em atenção as atualizações da prestação, especialmente se forem para redução do montante a receber, caso esteja a fazer transferências programadas para uma conta poupança. Se for esta a opção que mais lhe agrada para dar uso ao abono de família, não deixe de ler o artigo “Qual a melhor poupança para o meu filho” , em que lhe apresentamos as várias soluções de poupança para crianças.

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Investimento em atividades extra-curriculares  

Quando os miúdos começam a ganhar autonomia e a revelar algum interesse cultural ou desportiva, surge sempre a oportunidade de os inscrever numa atividade extra-curricular. Atividade essa que se traduz, na maioria das vezes, num encargo extra. Para além da formação em si, há sempre a necessidade de investir em material (equipamento desportivos, instrumentos musicais, manuais de estudo de determinada língua, etc.). Nestas situações o abono de família pode ser uma importante ajuda. Desta forma, os mais novos podem conhecer outras áreas, experimentar e até desenvolver mais conhecimentos, sem que isso sobrecarregue os pais.

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Gestão livre  

Uma gestão livre, mas supervisionada, claro. Esta sugestão é a que dá mais liberdade à criança para escolher em que gostaria que esse montante, que os pais recebem para auxiliar na sua educação, fosse investido. No Doutor Finanças sugerimos a regra dos 50-40-10, mas, em família, podem decidir outra forma de dividir o valor. Claro que nos primeiros anos de vida, a criança não tem essa noção, mas a verdade é que quando mais cedo entender o conceito do dinheiro, da poupança e do valor das coisas, melhor. Até ao momento em que o seu filho puder fazer este uso “livre” do abono de família, pode utilizado das duas formas sugeridas em cima, direcioná-lo para as despesas extras nos primeiros anos de vida ou simplesmente acumulá-lo numa conta à ordem.

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Tenha ainda em atenção o facto de que a partir dos 16 anos é obrigatório fazer uma prova escolar todos os anos, no mês de Julho, para manter o direito ao abono de família. Esta obrigatoriedade prolonga-se até aos 24 anos (com a exceção de jovens portadores de deficiência).    

Para poder gerir melhor o contributo que o abono de família tem para o orçamento familiar, lembre-se de gerir o valor do mesmo atualmente e perceber como o poderá aplicar para os objetivos familiares e da criança. Definir o orçamento familiar e as despesas fixas é o primeiro passo para perceber como o valor do abono de família pode contribuir para a saúde financeira.  

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