Comprar casa não é apenas escolher um imóvel e pedir crédito. É encaixar uma das decisões financeiras mais importantes da vida num orçamento realista. Um orçamento que inclua entrada, impostos, custos de formalização e uma prestação que continue a caber quando a vida muda – e a Euribor também.
O problema é que muitas famílias fazem contas à pressa. Olham para o preço do anúncio e só descobrem o custo total quando já estão emocionalmente ligadas à casa. Nessa fase, qualquer surpresa pesa mais. No tempo e no dinheiro.
Neste artigo, reunimos sete dicas essenciais para comprar casa com mais segurança. São pontos críticos que ajudam a evitar erros comuns, a controlar custos e a perceber, desde cedo, até onde pode ir. O objetivo é simples: chegar ao fim do processo informado e com as finanças protegidas.
1. Defina um orçamento total para comprar casa
Antes de visitar imóveis, é essencial ter uma visão completa do custo da compra. Este passo evita um erro frequente: ter dinheiro para o sinal, mas não ter margem para a escritura.
O orçamento deve incluir quatro blocos: entrada, impostos, custos de formalização e uma reserva para imprevistos.
A entrada é o maior teste ao seu plano
A entrada corresponde à parte do valor que o banco não financia. Para habitação própria e permanente, o financiamento máximo, de acordo com as regras do Banco de Portugal, é de 90% do valor mais baixo entre o preço de compra e a avaliação. Para segunda habitação, o limite desce para 80%.
Na prática, isto significa que uma casa de 250.000 euros exige, no mínimo, 25.000 euros de capitais próprios. Se for segunda habitação, a entrada sobe para 50.000 euros. Estes valores não incluem impostos nem outros custos.
Há ainda um risco adicional: se a avaliação ficar abaixo do preço, a diferença tem de ser paga pelo comprador. Por isso, é prudente planear uma margem extra para este cenário.
IMT: Varia e pode pesar mais do que imagina
O Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) varia consoante o valor, a finalidade e a localização do imóvel. Para habitação própria e permanente, aplica-se uma tabela progressiva. Para segunda habitação, o imposto é mais elevado.
O essencial não é decorar escalões, mas perceber o impacto. Em muitos casos, o IMT representa vários milhares de euros pagos logo no início. Utilize o simulador de IMT antes de assinar qualquer compromisso.
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Imposto do Selo: Há dois momentos e duas contas
Na compra de casa há dois Impostos do Selo. Um de 0,8% sobre o valor da escritura e outro sobre o financiamento. Para créditos com prazo igual ou superior a cinco anos, a taxa é, regra geral, de 0,6% sobre o montante financiado.
Num empréstimo de 200.000 euros, este imposto representa 1.200 euros pagos de imediato.
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Escritura, registos e comissões: O bloco que muita gente esquece
A formalização da compra tem custos adicionais. Em serviços agregados, como o Casa Pronta, a escritura com financiamento ronda os 700 euros. A este valor somam-se comissões bancárias, como avaliação, estudo e formalização, que podem situar-se entre 600 e 1.000 euros.
Assim, mais importante do que saber “quanto custa a casa” é perceber “quanto custa fechar a compra”.
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A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.
