Literacia financeira

Ansiedade financeira: O que é e como lidar?

Sente-se constantemente preocupado com o estado das suas finanças pessoais? Saiba o que é a ansiedade financeira e como combatê-la.

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Ansiedade financeira: O que é e como lidar?

Sente-se constantemente preocupado com o estado das suas finanças pessoais? Saiba o que é a ansiedade financeira e como combatê-la.

A ansiedade é uma emoção natural que surge em momentos de maior tensão, preocupação e insegurança. Embora a ansiedade seja uma emoção comum, quando se torna constante em situações especificas ou num transtorno de ansiedade generalizada (nervosismo e preocupação excessiva em diversas atividades/acontecimentos), podemos estar perante um problema de saúde mental.

Nos últimos anos, a ansiedade tem sido estudada a fundo. E cada vez surgem mais opções de tratamento para melhorar a saúde mental dos milhões de pacientes com este tipo de transtorno. No entanto, pouco se fala sobre ansiedade financeira. E este é um problema que afeta inúmeras pessoas e os seus sintomas podem trazer graves problemas a longo prazo para a saúde mental e física.

A ansiedade financeira é um termo médico, mas também utilizado nos mercados financeiros. Neste último caso, a ansiedade financeira é vista como um indicador de desempenho, que leva as pessoas a tomarem certas decisões perante as condições do mercado.

Mas na vida pessoal, a ansiedade financeira tem um conceito mais abrangente e pode trazer graves consequências para a sua saúde. Por exemplo, em situações específicas onde a falta de dinheiro começa a causar-lhe diversos problemas, como ataques de pânico, crises de ansiedade, insónias, entre outros sintomas, é preciso tomar medidas para travar estes sintomas.

Embora deva procurar ajuda médica perante qualquer um dos sintomas referidos, a boa notícia é que existem inúmeras estratégias que podem ajudá-lo a diminuir a sua ansiedade financeira. De seguida, conheça algumas dicas e estratégias que pode implementar na sua vida.

Como sei que sofro de ansiedade financeira?

Em termos clínicos, o diagnóstico de ansiedade deve ser realizado por um médico, principalmente se a sua ansiedade estiver a incapacitá-lo em certas situações ou a causar-lhe um desconforto maior do que aquele que é normal. Afinal, pode necessitar de um acompanhamento psicológico e até de medicação.

No entanto, de uma forma genérica, pode começar a detetar que sofre de ansiedade financeira quando tem um sentimento de preocupação, medo ou desconforto recorrente com as suas finanças pessoais. E este tipo de preocupações não desaparecem da sua mente e acabam por despoletar outros problemas.

Por exemplo, muitas pessoas sofrem de ansiedade financeira perante crises económicas, perda de rendimentos/de trabalho ou quando entram numa situação de incumprimento. A incapacidade de poupar ou a má gestão financeira, por vezes, também geram ansiedade financeira.

E tendo em conta estes cenários, é normal sentir-se preocupado. Afinal, se tem dificuldades em pagar as suas contas, está em risco de entrar em incumprimento ou tem dívidas, é natural sentir-se sobrecarregado com estes problemas que trazem consequências graves para a sua vida pessoal e financeira.

Contudo, para diminuir a sua ansiedade, saiba que a maioria destes problemas podem ser resolvidos com algumas estratégias, mudança de mentalidade e aumento da sua literacia financeira.

Dicas para lidar com a sua ansiedade financeira

Identifique porque é que as suas finanças não estão saudáveis

Se as suas finanças pessoais afetam o seu sono, o mais provável é que esteja num aperto financeiro complicado. Embora existam períodos financeiros mais estáveis que outros, para diminuir a sua ansiedade financeira precisa de identificar a sua origem.

Ou seja, precisa de saber o que está a causar os seus problemas financeiros ou o medo em relação ao seu futuro financeiro.

Motivos que costumam causar ansiedade financeira

  • Aumento da inflação e dos juros: O seu dinheiro não chega para pagar as suas despesas ou perdeu poder de compra e está a viver no seu limite financeiro;
  • Perda de rendimentos: Se ficou desempregado ou perdeu uma parte dos seus rendimentos, pode estar a ter dificuldades em pagar as suas despesas essenciais, principalmente se não tem um fundo de emergência.
  • Má gestão financeira: Se não controla os seus rendimentos e despesas, é normal que as suas finanças estejam constantemente desequilibradas. Não tendo um método de gestão financeira e não definindo um orçamento para cada tipo de despesas, pode acabar a gastar mais do que deve. E assim, os seus rendimentos acabam por não ser suficientes até ao final do mês. Por isso, é sempre aconselhável gerir as suas finanças através de um orçamento familiar.
  • Não tem uma poupança ou fundo de emergência: Criar uma poupança e/ou um fundo de emergência permite-lhe obter uma maior tranquilidade financeira perante imprevistos e perda de rendimentos. Se não tem uma poupança que assegure certos imprevistos, é normal que sempre que estes surjam fique numa situação financeira complicada.
  • Tem vários créditos e está em risco de entrar em incumprimento: Caso tenha vários créditos, com a subida dos juros é normal que a sua taxa de esforço tenha aumentado significativamente. E juntando os encargos com os seus créditos ao aumento de várias despesas, pode estar em risco de entrar em incumprimento. Nestes casos, é essencial rever os seus créditos e tentar renegociá-los. Se estiver a pensar contratar um novo empréstimo, tenha em conta o peso que este terá no seu orçamento familiar e a sua taxa de esforço.
  • Não consegue saldar as suas dívidas: Por fim, no caso de ter dívidas e não ter meios para saldá-las é normal que esteja bastante preocupado. Mas lembre-se que na maioria das situações pode negociar a sua dívida, pagando em prestações ou até estendendo o prazo de pagamento.

Perceba a sua relação com o dinheiro

Durante este processo de análise, perceba qual é a sua relação com o dinheiro e com o processo de consumo. Através de uma análise simples, é possível entender se tem um perfil mais consumista, se gosta de tomar decisões por impulso ou se tem um perfil de consumidor que gosta de jogar pelo seguro.

A relação que cria com o dinheiro desde a infância leva muitas vezes a maus hábitos de consumo. Por isso, aprender sobre literacia financeira infantil é importante desde tenra idade.

De qualquer forma, se identificar que a sua relação com o dinheiro é despreocupada e gerida por impulsos consumistas, deve colocar em prática estratégias de gestão que alterem esse comportamento. Caso contrário, por mais voltas que dê às suas finanças pessoais, o mais provável é regressar à prática de velhos hábitos prejudiciais. 

Ler mais: 6 dicas sobre ensinar os jovens a lidar com o consumismo

Trace metas tangíveis para resolver os seus problemas financeiros

Após identificar o que está a despoletar a sua ansiedade financeira, é hora de se focar menos nos problemas e mais nas soluções que tem ao seu alcance. Afinal, existem várias estratégias que podem diminuir ou até eliminar os seus problemas financeiros. No entanto, nesta fase, é fundamental traçar metas tangíveis, para alcançar um resultado positivo.

Por exemplo, se está empregado, mas os seus rendimentos são insuficientes perante a subida dos juros e da taxa de inflação, está na altura de rever as suas despesas, renegociar contratos, e cortar no que não é essencial.

Como primeiro passo, deve fazer ou ajustar o seu orçamento familiar com o valor atual das suas despesas e os seus rendimentos. Se os seus encargos são superiores aos seus rendimentos, terá obrigatoriamente de fazer cortes no que não é essencial. 

Se tem um crédito habitação, deve tentar renegociar o seu contrato junto do banco, de forma a baixar o valor que paga atualmente. Esta redução de valor pode estar associada a uma redução de spread, do seguro de vida e seguro multirriscos ou até num aumento do prazo do contrato. Ao estender a maturidade do contrato, o seu crédito ficará mais caro, pois irá pagar mais juros no final. Contudo, numa situação de aperto financeiro, pode ganhar uma folga extra para aumentar a sua liquidez mensal.

Já no caso de ter vários créditos, pondere recorrer ao crédito consolidado. Quando consolida os seus créditos, está a optar por uma solução financeira que lhe permite juntar vários créditos num só, ficando assim com uma única prestação. Na maioria dos casos, esta prestação mensal é mais baixa do que a soma de todas as prestações de crédito que paga. Isto porque no crédito consolidado a taxa de juro é, normalmente, mais baixa do que a maioria das taxas de juro aplicadas aos créditos pessoais, como os cartões de crédito. 
Se é o seu caso, pondere esta solução para conquistar alguma folga financeira.

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Caso tenha uma carteira de seguros com várias apólices, este é o momento perfeito para analisar cada uma e pedir simulações junto de outras seguradoras. Veja com atenção se não tem coberturas repetidas ou que não são úteis atualmente.

Nestes quatro passos, tem a possibilidade de poupar centenas de euros. Contudo, para não se sentir sobrecarregado, divida este processo de análise e negociação em fases.

Aumente a sua literacia financeira

Investir no aumento da sua literacia financeira permite-lhe dominar vários temas que envolvem as suas finanças pessoais. Quanto mais souber sobre finanças, maior será a sua capacidade de tomar decisões acertadas sobre o seu futuro financeiro. Este tipo de informação pode ser extremamente útil para reduzir a sua ansiedade financeira e o stress do dia a dia com as suas contas. Em Portugal, a aposta na literacia financeira tem sido reforçada nos últimos tempos, e muitos portugueses já demonstram maiores conhecimentos, nomeadamente sobre temas complexos.

Por exemplo, quando começa a olhar para o dinheiro de forma saudável e a comunicar corretamente sobre este tema no seio familiar, acaba por otimizar a gestão do seu dinheiro e alcançar bons resultados.

Se todos os membros da sua família tiverem consciência do valor do dinheiro e do impacto das suas decisões, a gestão financeira tem tendência a melhorar. Afinal, quando todos os elementos participam ativamente na gestão financeira, é possível implementar hábitos saudáveis e criar metas individuais e de grupo.

Outro ponto importante é que o aumento da literacia financeira permite-lhe avaliar melhor todas as propostas que recebe. Em termos da contratação ou negociação de créditos ou seguros, se estiver bem informado consegue avaliar a solução mais vantajosa para si, pois percebe o significado de certas taxas, comissões, impostos, entre outros encargos.

Leia ainda: Como melhorar a literacia financeira da sua família

Construa uma poupança para reduzir a sua ansiedade financeira

Já ao nível das poupanças, ao implementar algumas estratégias, como por exemplo a criação de uma poupança automática para constituir o seu fundo de emergência, vai sentir-se mais seguro em relação ao futuro. O fundo de emergência tem o objetivo de cobrir as suas despesas essenciais por um período mínimo de seis meses. Quando consegue cumprir este objetivo, a sua ansiedade financeira tem tendência a diminuir drasticamente.

Se a sua preocupação estiver associada à reforma, deve aprender sobre investimentos que permitem complementar a sua pensão de velhice. Neste caso específico, deve aprender o máximo de informações sobre PPR, pois é um produto financeiro que permite rentabilizar os seus rendimentos a longo prazo.

Contudo, não se esqueça que deve atualizar com alguma frequência os seus conhecimentos de literacia financeira, para estar devidamente informado e atualizado.

Leia ainda: 5 investimentos seguros para aplicar o seu dinheiro

Procure a ajuda de profissionais para diminuir a sua ansiedade financeira

Quando está numa situação financeira complicada, é normal não conseguir encontrar soluções para o seu caso concreto. Caso sinta dificuldades em tomar as rédeas das suas finanças, renegociar contratos de crédito e seguros, ou até as suas dívidas, deve procurar ajuda de profissionais especializados para este efeito.

Por exemplo, no caso dos contratos de créditos e seguros, existem intermediários de crédito, como o Doutor Finanças, que o podem ajudar a encontrar as melhores soluções para si. Por vezes, também é possível encontrar workshops gratuitos ou acessíveis que ensinam a gerir melhor as suas finanças. Já se estiver numa situação de sobre-endividamento, também pode contar com o apoio gratuito do Gabinete de apoio ao sobre-endividado da Deco.

Não se esqueça que, nestas alturas, é fundamental cuidar da sua saúde física e mental. Embora deva reunir o máximo de informação e pôr mãos à obra para resolver a sua situação financeira, tente ocupar a sua mente com outras distrações e objetivos. Lembre-se que esta é uma fase menos positiva, mas poderá colocar as suas finanças de boa saúde cumprindo certas estratégias e metas financeiras.

Por último, esteja atento às medidas implementadas pelo Governo, pois poderá ter direito a certos benefícios para resolver a sua situação atual.

Leia ainda: Como saber se as suas finanças pessoais estão de boa saúde

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