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A subida do custo de vida voltou a apertar o orçamento das famílias. Em agosto de 2026, a inflação atingiu 3,3%, com os produtos energéticos a registarem uma subida de 12,2% face ao ano anterior. O aumento do preço do gasóleo explicou quase toda a aceleração da inflação nesse mês, enquanto os alimentos não transformados ficaram 3,4% mais caros.

A habitação também continua a absorver uma fatia elevada do rendimento. Nos créditos habitação contratados nos três meses anteriores a agosto, a prestação média já atingia os 744 euros por mês.

Perante esta pressão, aliviar o orçamento não passa apenas por cortar pequenas despesas do dia a dia. Rever créditos, seguros, contratos de energia e telecomunicações e outros encargos recorrentes pode criar uma folga mensal mais relevante. Só depois faz sentido olhar para alimentação, combustíveis ou subscrições e perceber onde ainda é possível gastar menos.

Por onde começar para aliviar o orçamento?

Comece pelos encargos que mais pesam todos os meses e que podem ser renegociados ou substituídos. Depois, reveja seguros, contratos de energia e telecomunicações, confirme se tem direito a apoios e avance para despesas variáveis, como alimentação e combustíveis. Os pequenos gastos também contam, mas devem surgir depois dos grandes encargos.

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Antes de cortar, perceba para onde está a ir o dinheiro

Um orçamento apertado nem sempre resulta de excesso de consumo. Uma família pode gastar demasiado em despesas não essenciais, enquanto outra consome pouco, mas mantém créditos ou contratos antigos e pouco competitivos.

Reúna os movimentos bancários dos últimos dois ou três meses e separe despesas fixas essenciais, créditos, despesas variáveis essenciais e gastos não essenciais. Acrescente encargos que não surgem todos os meses, como seguros, IMI, manutenção do automóvel, despesas escolares ou consultas.

Depois, identifique onde existe maior margem para reduzir custos.

Prioridade

Onde procurar margem

O que analisar

1

Crédito habitação e outros créditos

Taxa, spread, prazo, prestação e custo total

2

Seguros, energia e telecomunicações

Preço, coberturas, serviços e fidelização

3

Apoios e tarifas sociais

Condições de acesso e aplicação correta

4

Alimentação e combustíveis

Planeamento, desperdício, preços e consumo

5

Comissões e subscrições

Serviços pouco utilizados ou duplicados

6

Poupança

Preservar alguma margem para imprevistos

Nota: A ordem varia de família para família. Quem não tem créditos pode começar pela energia ou telecomunicações. Se a habitação absorve uma parcela elevada do rendimento, a análise deve começar aí.

Habitação pode ser o ponto com maior margem de manobra

Nos créditos habitação contratados nos três meses anteriores a agosto de 2026, a prestação média chegou aos 744 euros, mais 14,3% do que um ano antes. Ao mesmo tempo, a Euribor voltou a subir e, em agosto, os prazos a seis e a 12 meses atingiram os níveis mais elevados desde 2024. Além disso, a 10 de setembro, o Banco Central Europeu aumentou novamente as taxas diretoras em 25 pontos base.

Perante este cenário, se tem um crédito habitação, este é um bom momento para rever as condições do empréstimo e perceber se existe margem para baixar a prestação ou reduzir outros encargos.

Renegociar o crédito pode baixar a prestação

Pode renegociar condições como o spread, o prazo do indexante, a modalidade da taxa ou o prazo de amortização. A alteração depende de acordo com o banco, mas a instituição não pode cobrar comissões pela renegociação.

Imagine um crédito com 200.000 euros em dívida e 30 anos por pagar, indexado à Euribor a seis meses, com um spread de 1%. Numa revisão em setembro, usando a média da Euribor a seis meses de agosto, de 2,713%, a TAN seria de 3,713% e a prestação rondaria os 922 euros.

Se o spread baixasse para 0,7%, mantendo as restantes condições, a TAN desceria para 3,413% e a prestação para cerca de 888 euros, menos 34 euros por mês até à revisão seguinte.

Leia ainda: Renegociar o Crédito Habitação: Como reduzir a prestação da casa

Passar de taxa variável para mista pode dar previsibilidade e ajudar a poupar

Outra possibilidade é mudar a modalidade da taxa. Num crédito a taxa mista, existe um período inicial em que a taxa e a prestação ficam fixas, seguindo-se uma fase variável. Em julho de 2026, 86% das novas operações de crédito habitação foram contratadas nesta modalidade.

No exemplo anterior, a taxa variável colocaria a prestação em cerca de 922 euros. Se o banco propusesse uma TAN fixa de 2,83% durante dois anos, mantendo os 200.000 euros e os 30 anos por pagar, a prestação ficaria próxima dos 825 euros, menos 97 euros por mês durante a fase fixa.

Leia ainda: Taxa mista já é a mais usada no crédito habitação

Nota: Esta diferença não representa uma poupança garantida para os dois anos. Se permanecesse na taxa variável, a prestação seria novamente revista e poderia subir ou descer com a Euribor. Antes de mudar, confirme também o spread e o indexante previstos para a fase variável.

Alargar o prazo baixa a prestação, mas pode aumentar o custo

Outra opção é aumentar o prazo do empréstimo. Ao distribuir o capital em dívida por mais prestações, o encargo mensal baixa e pode criar uma folga imediata no orçamento. Contudo, isso não significa que o crédito fique mais barato.

Retomando os 200.000 euros em dívida, com uma TAN de 3,713%, uma maturidade de 25 anos corresponderia a uma prestação próxima de 1.024 euros. Ao alargar o prazo para 30 anos, a mensalidade baixaria para cerca de 922 euros, menos 102 euros.

Mantendo a taxa constante apenas para este exemplo, os juros passariam de cerca de 107.300 euros para 131.900 euros. São aproximadamente mais 24.600 euros. Alargar o prazo pode aliviar o orçamento, mas não deve ser confundido com poupar no crédito.

Transferir o crédito pode permitir rever várias condições de uma vez

Se o banco atual não apresentar condições competitivas, pode comparar uma transferência do crédito habitação.

Num empréstimo de 250.000 euros, com 30 anos por pagar, indexado à Euribor a seis meses de 2,713%, baixar o spread de 1% para 0,7% faria a prestação passar de cerca de 1.153 para 1.111 euros, menos 42 euros por mês.

Se os seguros associados baixassem ainda 25 euros mensais, a redução conjunta dos encargos poderia chegar aos 67 euros por mês, ou cerca de 804 euros por ano.

Antes de avançar, compare TAEG, seguros, comissões, produtos associados e eventuais custos da transferência. Só depois consegue perceber se a mudança é vantajosa para o seu caso.

Leia ainda: Transferir crédito habitação: Perguntas e respostas

Se antecipa dificuldades, não espere pelo incumprimento

Se prevê dificuldades em pagar a prestação, contacte o banco antes de falhar um pagamento. Quando existe risco de incumprimento, deve ser avaliada a situação no âmbito do Plano de Ação para o Risco de Incumprimento, conhecido como PARI.

Consoante a capacidade financeira do cliente, podem ser analisadas soluções como alargamento do prazo, carência, diferimento de capital, redução temporária da taxa ou consolidação de créditos. A Rede de Apoio ao Cliente Bancário presta ainda informação e acompanhamento gratuitos.

Leia ainda: Entrei em incumprimento. Como posso resolver?

Quem paga renda deve preparar o orçamento para 2027

Quem paga renda deve contar com uma nova subida em 2027. Em agosto, a variação média dos últimos 12 meses do IPC sem habitação, usada como referência para a atualização anual das rendas, fixou-se em 2,6%, correspondendo a 2,56% antes do arredondamento.

Assim, os dados do INE apontam para um coeficiente de 1,0256, embora o valor oficial ainda tenha de ser publicado em Diário da República no mês de outubro.

Se este coeficiente se confirmar, uma renda de 800 euros pode subir para 820,48 euros, mais 20,48 euros por mês. Numa renda de 1.000 euros, o aumento seria de 25,60 euros, elevando a mensalidade para 1.025,60 euros. Já uma renda de 1.200 euros subiria 30,72 euros, para 1.230,72 euros.

Salvo quando o contrato estabelece outro regime por escrito, a renda pode ser atualizada anualmente. A primeira atualização só pode ser exigida um ano após o início do contrato e o senhorio deve comunicar por escrito o coeficiente e o novo valor com pelo menos 30 dias de antecedência.

Se este aumento tornar a renda mais difícil de suportar, confirme ainda se reúne as condições para apoios à habitação, como o Apoio Extraordinário à Renda ou o Porta 65 Jovem.

Leia ainda: Arrendamento acessível: Como funciona o novo regime?

Vários créditos exigem olhar para o custo total

Crédito automóvel, crédito pessoal, cartões de crédito e outros financiamentos podem retirar uma parcela significativa do rendimento mensal. Renegociar os contratos ou consolidar dívidas pode reduzir as prestações, mas uma mensalidade mais baixa não significa necessariamente pagar menos.

Compare a TAEG, que inclui juros e outros encargos, e o MTIC, que indica quanto será pago no total.

Crédito consolidado pode reduzir a prestação mensal

O crédito consolidado permite juntar vários financiamentos, como crédito pessoal, automóvel ou cartões, num único empréstimo. Os contratos anteriores são liquidados e o cliente passa a ter uma só prestação, com uma nova taxa e prazo.

A mensalidade pode baixar se o novo financiamento tiver uma taxa inferior, se o prazo for alargado ou pela combinação das duas situações. Mas uma prestação mais baixa não significa necessariamente que o crédito fique mais barato.

Imagine várias dívidas que somam 12.000 euros e exigem 387 euros por mês, com três anos por pagar. Se forem consolidadas num financiamento a cinco anos, com uma taxa nominal de 8%, a prestação fica próxima dos 243 euros, menos 144 euros por mês.

Neste exemplo simplificado, porém, o total pago passaria de aproximadamente 13.939 para 14.599 euros. Ou seja, a consolidação cria uma folga mensal relevante, mas aumenta o custo total porque a dívida fica a ser paga durante mais tempo.

Antes de avançar, compare a TAEG, o MTIC, o prazo e os restantes custos do novo contrato.

Leia ainda: Consolidar ou renegociar créditos: Qual a melhor solução para o seu caso?

Rever seguros pode baixar custos sem reduzir a proteção

Seguros renovados durante anos podem deixar de estar ajustados às necessidades da família ou ao mercado. A revisão deve considerar preço, coberturas, exclusões, capitais seguros e franquias.

Confirme se as coberturas ainda fazem sentido

Alterações na casa, no automóvel ou no agregado podem tornar algumas coberturas desnecessárias e outras insuficientes. Procure também duplicações, como assistência em viagem, responsabilidade civil ou outras proteções incluídas em mais do que uma apólice ou serviço.

Compare propostas com proteção equivalente

Uma apólice mais barata pode ter menos coberturas, franquias superiores ou capitais seguros mais baixos. Por isso, compare propostas com níveis de proteção semelhantes.

Se um seguro automóvel com condições equivalentes passar de 510 para 395 euros por ano, a poupança será de 115 euros anuais, desde que a redução do prémio não implique perder proteção relevante.

Nos seguros do crédito habitação, faça as contas ao spread

Mudar os seguros associados ao crédito habitação pode reduzir os prémios, mas também alterar as condições do empréstimo. O cliente pode escolher outra seguradora, embora o banco possa associar uma bonificação do spread à manutenção de determinados produtos.

Imagine um crédito de 250.000 euros, com 30 anos por pagar, em que retirar os seguros do banco faz o spread subir de 0,7% para 0,9%. Mantendo uma Euribor a seis meses de 2,713%, a prestação passaria de cerca de 1.111 para 1.138 euros, mais 28 euros por mês.

Se os seguros noutra companhia permitissem poupar 50 euros mensais, a redução efetiva dos encargos seria de cerca de 22 euros por mês, ou 264 euros por ano. É esta diferença que deve pesar na decisão.

Leia ainda: Revisão anual da carteira de seguros: Porque deve fazê-la e o que pode poupar

Subida do custo de vida torna a energia uma prioridade de poupança

No contexto atual de subida dos preços, a energia merece especial atenção. A poupança pode começar no contrato, na potência e na tarifa, antes de chegar à redução do consumo.

Leia ainda: Da energia às telecomunicações: Exerça os seus direitos para poupar

Compare o contrato e veja se está a pagar demasiado

O simulador da ERSE permite comparar ofertas de eletricidade e gás natural para consumidores domésticos em Portugal Continental.

Não olhe apenas para o preço por kWh. Compare também a parcela fixa, descontos, serviços adicionais, condições de pagamento e eventual fidelização. Uma família que consuma 250 kWh por mês e encontre uma oferta quatro cêntimos por kWh mais barata reduziria a componente de energia em cerca de 10 euros mensais, ou 120 euros por ano, mantendo o mesmo consumo.

Mudar de comercializador é gratuito, mas confirme se o contrato atual prevê alguma penalização associada a uma fidelização.

Potência e tarifa podem estar a encarecer a fatura

Uma potência superior à necessária aumenta o custo fixo da eletricidade, mesmo quando o consumo é baixo.

Num exemplo calculado pelo Doutor Finanças em 2026, um casal com consumo de 190 kWh por mês reduziu a potência de 5,75 para 3,45 kVA e baixou a fatura anual de 588 para 478 euros. Foram 110 euros de poupança num ano, sem consumir menos. A ERSE disponibiliza um simulador de potência contratada e a alteração de escalão é gratuita.

Também deve perceber se a tarifa simples ou bi-horária se adapta melhor à rotina da casa. O bi-horário pode compensar quando consegue deslocar uma parte relevante do consumo, como máquinas de lavar ou carregamentos, para as horas de vazio. Caso contrário, a tarifa simples pode ser mais adequada.

Reduza desperdícios sem transformar a poupança num sacrifício

Depois de rever o contrato, há consumos que podem baixar sem comprometer o conforto:

  • Utilize máquinas de lavar com carga completa e, sempre que possível, programas Eco ou temperaturas mais baixas;
  • Desligue equipamentos que passam longos períodos em standby;
  • Substitua gradualmente lâmpadas antigas por LED e aproveite a iluminação natural;
  • Reduza a utilização da máquina de secar quando existir alternativa;
  • Mantenha filtros e equipamentos limpos para evitar consumos desnecessários.

Comece pelos equipamentos mais utilizados e acompanhe a evolução do consumo nas faturas seguintes.

Confirme se tem direito à tarifa social de energia

Em 2026, a tarifa social de energia corresponde a um desconto de 33,8% na eletricidade, face à tarifa de venda a clientes finais do mercado regulado, e de 31,2% no gás natural.

A atribuição é automática para os consumidores elegíveis. Na eletricidade, existem ainda benefícios fiscais associados. Se considera cumprir os critérios e o desconto não aparece na fatura, confirme a situação junto da Direção-Geral de Energia e Geologia.a Direção-Geral de Energia e Geologia.

A tarifa social não impede que compare contratos, ajuste a potência ou reduza consumos, pelo que estas medidas podem ser combinadas para aliviar a despesa mensal.

Telecomunicações: Está a pagar por serviços que já não usa?

Internet, televisão e telemóveis são despesas fixas que devem ser revistas. Com o tempo, é fácil continuar a pagar por canais, cartões, dados móveis ou velocidades que já não correspondem às necessidades da família. Renegociar o pacote ou comparar alternativas low cost pode reduzir a mensalidade.

Ajuste o pacote às necessidades da família

Verifique quantos cartões móveis precisa, quantos dados utiliza, se vê televisão e qual a velocidade de internet necessária. Nem todas as famílias precisam dos pacotes mais completos.

Quando a fidelização estiver perto do fim, peça também à operadora uma revisão das condições. Reduzir uma mensalidade de 68 para 49 euros, mantendo os serviços necessários, liberta 19 euros por mês, ou 228 euros num ano.

As ofertas low cost podem reduzir bastante a mensalidade

A maior concorrência trouxe soluções mais económicas. Em março de 2026, a ANACOM registava mensalidades mínimas de 21 euros para pacotes com três serviços e 24 euros para quatro serviços.

Antes de mudar, confirme cobertura na sua morada, velocidade de internet, canais, dados móveis, equipamentos e fidelização. Se a nova oferta excluir serviços que utiliza, veja também quanto custaria contratá-los separadamente.

Compare o custo total e não apenas o preço promocional

O COM.escolha, da ANACOM, permite comparar preços, períodos de fidelização e outras características dos tarifários.

Uma oferta de 39 euros durante seis meses, seguida de 55 euros nos restantes 18 meses de uma fidelização de dois anos, custa 1.224 euros. Um pacote de 48 euros durante os mesmos 24 meses custaria 1.152 euros. Apesar de começar nove euros mais barato, o primeiro acaba por custar mais 72 euros.

Confirme também quando termina a fidelização atual e o eventual custo de saída antes de decidir se compensa renegociar, mudar de pacote ou trocar de operadora.

Leia ainda: Como escolher o melhor pacote de telecomunicações?

No supermercado, poupar começa antes de chegar à caixa

Reduzir esta despesa passa sobretudo por planear refeições, comparar preços, aproveitar descontos em compras já previstas e evitar desperdício.

Planeie refeições antes de fazer a lista de compras

Veja primeiro o que existe no frigorífico, congelador e despensa. Planeie as refeições a partir desses alimentos e faça depois a lista do que falta. Assim, reduz compras duplicadas e decisões de última hora.

Pode preparar algumas refeições em maior quantidade e congelar porções. Produtos perecíveis devem ser comprados nas quantidades necessárias, enquanto bens de longa duração podem ser adquiridos em maior volume quando o preço realmente compensa. Produtos da época, ovos e leguminosas também podem ajudar a variar as refeições e baixar o custo médio.

Compare o preço real e não apenas a embalagem

Para comparar produtos com quantidades diferentes, olhe para o preço por quilograma ou litro. Uma embalagem maior não é automaticamente mais barata, sobretudo se parte do produto acabar desperdiçada.

Compare também marcas próprias e outras alternativas nos artigos em que não encontra uma diferença relevante de qualidade. Nos frescos, privilegie os da época e aproveite descontos nos produtos próximos do fim da validade apenas quando sabe que os vai consumir ou congelar.

Use promoções, aplicações e vales sem aumentar o cabaz

Cartões de fidelização, aplicações, cupões e vales podem reduzir a fatura quando o desconto incide sobre compras que já estavam previstas.

Comprar mais apenas porque existe uma promoção pode ter o efeito contrário. O mesmo acontece quando um vale exige atingir um determinado valor de compras. Gastar mais 15 euros apenas para obter um vale de cinco euros não representa uma poupança se os produtos adicionais não eram necessários.

Nos bens que compra regularmente e têm longa duração, antecipar uma compra pode compensar. Nos restantes, a promoção deve adaptar-se à lista e não a lista à promoção.

Quanto pode representar esta combinação?

Imagine uma família que gasta cerca de 500 euros por mês no supermercado. Se o planeamento evitar oito euros por semana em compras duplicadas ou desnecessárias, são 32 euros num mês. Escolher alternativas mais económicas pode retirar outros 24 euros, enquanto dois vales de cinco euros aplicados em compras já previstas representam mais 10 euros.

Neste exemplo, a despesa passaria de 500 para cerca de 434 euros, menos 66 euros num mês. O valor varia consoante os hábitos e preços encontrados, mas mostra o efeito de combinar várias medidas.

Leia ainda: 10 dicas para poupar na alimentação com a subida de preços

Combustíveis mais caros obrigam a procurar poupança em várias frentes

O aumento do preço dos combustíveis explicou quase toda a aceleração da inflação em agosto. Para quem não pode deixar o automóvel, a poupança passa por pagar menos por litro, reduzir o consumo e, quando possível, fazer menos quilómetros.

Leia ainda: Porque é que os preços dos combustíveis sobem quando há conflitos?

Compare preços, mas não faça quilómetros para poupar cêntimos

O Portal dos Preços dos Combustíveis da DGEG permite consultar os valores comunicados pelos postos e encontrar alternativas no percurso habitual.

Se abastecer 100 litros por mês e encontrar regularmente um posto onde o combustível custa menos oito cêntimos por litro, poupa oito euros por mês ou 96 euros por ano.

Mas um desvio pode eliminar parte da vantagem. Num automóvel que consuma seis litros aos 100 quilómetros, considerando um preço de referência de 2,10 euros por litro, fazer mais 10 quilómetros custa cerca de 1,26 euros só em combustível.

A forma como conduz também aparece na fatura

Acelerações bruscas, travagens frequentes e velocidades elevadas aumentam o consumo. Uma condução progressiva e com maior antecipação ajuda a gastar menos combustível.

Um automóvel que percorra 15.000 quilómetros por ano e consuma seis litros aos 100 quilómetros utiliza 900 litros. A 2,10 euros por litro, representa uma despesa de 1.890 euros por ano. Reduzir o consumo em 10% significaria aproximadamente 189 euros poupados.

Pressão correta dos pneus, manutenção em dia e menos peso ou acessórios desnecessários também ajudam a conter o consumo.

Reduzir quilómetros pode ter mais impacto do que procurar o posto mais barato

Agrupar deslocações, partilhar o automóvel ou substituir alguns trajetos pode produzir uma poupança superior à simples comparação de postos.

Uma deslocação diária para o trabalho de 20 quilómetros, ida e volta, durante 22 dias por mês corresponde a 440 quilómetros. Num carro que consome seis litros aos 100 quilómetros, a 2,10 euros por litro, representa cerca de 55 euros mensais em combustível.

Se duas pessoas com um percurso semelhante alternarem o automóvel, este custo individual pode baixar para cerca de 28 euros. Ao longo de 12 meses, a diferença ultrapassa 330 euros por pessoa, sem contar com a redução do desgaste do veículo.

Agrupar recados, partilhar o automóvel ou substituir alguns trajetos por transporte público, caminhada ou bicicleta permite reduzir ainda mais os quilómetros.

Leia ainda: Guia: Como reduzir a fatura dos combustíveis no dia a dia com escolhas simples

Água: Reduzir desperdícios também ajuda a aliviar a fatura

Em Portugal Continental, um agregado familiar paga, em média, 34,65 euros por mês por água, saneamento e resíduos, considerando um consumo de referência de 10 metros cúbicos. Como não pode escolher outro fornecedor, a margem de poupança está sobretudo no consumo, nas fugas e nas tarifas disponíveis.

Poupar água começa nos consumos que mais se repetem

Encurtar o duche, fechar a torneira quando não está a ser utilizada, ligar as máquinas apenas com carga completa e instalar redutores de caudal ajudam a diminuir desperdícios.

Se um chuveiro gastar cerca de 10 litros por minuto, duas pessoas que reduzam cada duche diário em três minutos evitam gastar cerca de 1.800 litros por mês, ou 1,8 metros cúbicos. Se essa água fosse aquecida, existe ainda uma redução do consumo de eletricidade ou gás.

Na cozinha, evite descongelar alimentos com água corrente. No exterior, regar nas horas mais frescas reduz perdas por evaporação.

Leia ainda: Poupar água é poupar dinheiro: 18 hábitos que fazem diferença

Uma subida inesperada da fatura pode ser sinal de desperdício

Se o consumo aumentar sem explicação, compare a fatura com os meses anteriores e confirme a leitura do contador. Uma torneira a pingar ou um autoclismo com uma fuga contínua pode desperdiçar água sem ser imediatamente detetado.

Famílias economicamente vulneráveis devem ainda confirmar se existe tarifa social da água no respetivo município. A atribuição automática depende da adesão municipal e podem também existir condições específicas para famílias numerosas.

Comissões bancárias e contas esquecidas também pesam

Uma conta quase sem utilização pode continuar a ter comissão de manutenção. Cartões duplicados, pacotes bancários e contas antigas também podem acumular custos sem oferecer uma vantagem real.

Uma comissão de seis euros por mês corresponde a 72 euros por ano. Quem cumprir as condições legais de acesso aos serviços mínimos bancários pode pagar, em 2026, no máximo 5,37 euros anuais pelo conjunto destes serviços. Neste exemplo, a diferença aproxima-se dos 67 euros por ano.

Antes de fechar uma conta, confirme se existem débitos diretos, pagamentos ou créditos associados.

Pequenos gastos também contam, mas só depois dos grandes encargos

Streaming, aplicações, ginásios e outras subscrições podem acumular débitos pouco visíveis. Reveja dois ou três meses de movimentos bancários e cancele serviços que deixou de utilizar.

Cancelar duas ou três subscrições pode libertar algumas dezenas de euros por mês, mas esta análise deve surgir depois dos encargos com maior peso.

Medida ilustrativa

Redução mensal aproximada

Impacto num ano

Transferir um crédito habitação de 250.000 euros, reduzindo o spread e os seguros

67 euros

804 euros

Reduzir uma fatura de supermercado de 500 euros através de planeamento, comparação e descontos

66 euros

792 euros

Baixar um pacote de telecomunicações de 68 euros para 49 euros

19 euros

228 euros

Encontrar uma oferta de eletricidade 0,04 €/kWh mais barata, com consumo de 250 kWh/mês

10 euros

120 euros

Reduzir o prémio anual de um seguro automóvel de 510 euros para 395 euros

cerca de 9,6 euros

115 euros

Abastecer 100 litros por mês num posto 0,08 €/litro mais barato, sem desvio adicional

8 euros

96 euros

Cancelar subscrições pouco utilizadas no valor de 20 €/mês

20 euros

240 euros

Total dos exemplos apresentados

cerca de 199,60 euros

2.395 euros

Nota: Este total é meramente ilustrativo. Não representa uma poupança garantida nem deve ser interpretado como um valor que todas as famílias conseguem alcançar. O impacto depende dos contratos, consumos, hábitos e margem de redução existente em cada agregado.

A comparação mostra porque compensa começar pelos grandes encargos e deixar estes pequenos pagamentos para uma segunda fase.

Com o orçamento apertado, faz sentido deixar de poupar?

Se o rendimento já não chega para despesas essenciais, equilibrar o orçamento vem primeiro. Sempre que houver margem, contudo, manter alguma reserva reduz o risco de financiar o próximo imprevisto com crédito.

Um fundo de emergência equivalente a três a seis meses de despesas essenciais pode servir de referência, mas não precisa de ser criado de uma só vez. Se a revisão do orçamento libertar, por exemplo, 50 euros mensais, reservar 20 euros permite acumular 240 euros num ano, mantendo os restantes 30 euros disponíveis para outras despesas.

Também deve existir prudência antes de utilizar toda a poupança para amortizar créditos. Reduzir dívida pode baixar os juros, mas ficar sem liquidez significa não ter margem para uma avaria, despesa de saúde ou outro custo inesperado.

O orçamento também precisa de ser revisto

Reduzir despesas agora não garante que o orçamento permaneça equilibrado. Juros, preços, seguros, tarifários e necessidades familiares mudam, pelo que vale a pena voltar às contas de poucos em poucos meses.

Num período de subida do custo de vida, a margem conquistada pode desaparecer rapidamente se os encargos voltarem a aumentar. Rever o orçamento com regularidade ajuda a detetar essa pressão mais cedo e a corrigir o rumo antes de voltar a faltar dinheiro no final do mês.

Leia ainda: Como elaborar um orçamento familiar e definir objetivos de poupança

Perguntas frequentes

Não necessariamente. Uma descida da inflação significa que os preços estão, em média, a aumentar mais devagar. Para existir uma queda generalizada dos preços teria de ocorrer deflação. Por isso, mesmo com uma inflação mais baixa, alimentação, energia ou outros bens podem continuar mais caros do que no ano anterior.

A inflação mede a evolução média dos preços de um conjunto de bens e serviços representativo do consumo das famílias. Mas cada agregado tem despesas diferentes. Quem destina uma parte maior do rendimento à habitação, energia, alimentação ou combustíveis pode sentir um agravamento superior à inflação média quando esses encargos sobem mais rapidamente.

Sim, mas existem limites. Quando não atualiza a renda no momento em que podia fazê-lo, o senhorio perde o direito a recuperar retroativamente os valores que não cobrou. Contudo, pode aplicar posteriormente coeficientes de atualização que não tenham mais de três anos, respeitando as restantes regras legais de atualização e comunicação ao inquilino.

Sim. A tarifa social não impede a mudança de comercializador. O consumidor pode escolher outra oferta de eletricidade ou gás e o processo de mudança é gratuito. Se beneficia da tarifa social, confirme depois se o desconto continua corretamente refletido na fatura.

Em algumas situações. A lei prevê a cessação sem encargos associados à fidelização, por exemplo, em determinados casos de desemprego por iniciativa do empregador ou incapacidade para o trabalho superior a 60 dias, quando exista uma quebra de rendimento mensal de pelo menos 20%. É necessário cumprir as condições legais e apresentar documentação comprovativa.

Nas promoções, compare o preço atual com o valor mais baixo praticado nos 30 dias anteriores, que deve servir de referência ao desconto. Também pode recorrer a aplicações e comparadores de preços para verificar quanto custa o mesmo produto noutros supermercados, consultar o preço por unidade e acompanhar a evolução dos preços. Assim, evita avaliar uma promoção apenas pela percentagem anunciada.

Sim, desde que cumpra as condições de acesso. Regra geral, não pode ser titular de outra conta à ordem, salvo exceções previstas na lei. A conversão da conta é gratuita. Antes disso, pode também comparar outras contas no mercado, porque existem opções sem comissão de manutenção ou com isenção mediante determinadas condições. O Comparador de Comissões do Banco de Portugal ajuda a analisar as alternativas.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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